AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Padre João Monteiro Felícia, Missionário da Consolata, Fátima
Padre João Monteiro Felícia, missionário da Consolata, a celebrar missa em Fátima, em 2022. Foto: Direitos reservados.

Padre João Felícia, no Brasil

“É preciso ser sempre aluno”, afirma missionário de 88 anos

| 25/01/2026

A jornada missionária do padre João Felícia começou em Moçambique e, anos mais tarde, prosseguiu no Brasil, onde permanece até hoje. Com 88 anos, este missionário tem uma convicção: “É preciso ser sempre aluno.”

 

Aos 88 anos, o padre João Felícia, missionário da Consolata, continua em missão no Brasil. A partir de terras brasileiras, o missionário enviou um testemunho com as memórias do seu percurso à revista Fátima Missionária, que em 2026 dedica algumas das suas páginas aos missionários da Consolata portugueses que trabalham fora do país.

No seu testemunho, o missionário natural da Golpilheira, distrito de Leiria, recorda que, logo após concluir a antiga quarta classe, os seus dias passaram a ser marcados pelo trabalho agrícola para “o homem mais rico da terra”. Foi na pré-adolescência que surgiu o desejo de ser ordenado. “Por volta dos dez anos chegou-me a vontade de ser padre. Pedi aos meus pais, mas eles não deixaram. Disseram que era muito novo.” Anos mais tarde, insistiu. “Aos 14 anos repeti o pedido e eles disseram que iam pensar. Falaram com o pároco que os entusiasmou com a ideia. Depois disseram-me: ‘No próximo ano podes ir para o seminário.’”

Foi o pároco da sua localidade a falar-lhe do Seminário da Consolata, em Fátima, inaugurado em 1950. “Ele disse-me que tinham chegado uns padres missionários estrangeiros a Fátima e aconselhou-me a ir. Fui a Fátima ver a construção ainda em andamento. Era muito grande.” Algum tempo depois da ida do adolescente a Fátima, um padre da Consolata foi visitá-lo à sua localidade. “Ele foi ao campo onde eu trabalhava com os meus pais. Falaram bastante, enquanto eu estava a semear feijões, a plantar couves e a regar.”

A 15 de outubro de 1952 João entrou no seminário. “Encontrei os colegas e os padres. Era muita gente. Conheci também o meu grupo. Éramos 16. Mas no total eram uns 90 seminaristas de todas as classes.” Anos mais tarde, a “falta de espaço em Fátima”, levou alguns alunos até Águas Santas, onde os Missionários da Consolata também estão presentes. “Também lá ficou cheio. Construímos o campo de futebol e ajeitámos melhor a casa – que era pequena – para todos estarem bem acomodados.”

Depois deste período, começou o noviciado em Certosa di Pesio, Itália. Eram 61 noviços e a dificuldade de comunicação era grande. “Foram os primeiros contactos com o idioma italiano falado e eu sem entender quase nada…” Depois do noviciado, João estudou filosofia e teologia em Turim, onde também aconteceu a sua ordenação, a 17 de dezembro de 1966.

 

“Um desafio constante”

Entrega da cesta básica às famílias carentes de Jaguarari, 2005. Foto: Cledson

O território moçambicano foi o primeiro destino do padre João e de dois outros missionários. A viagem fez-se de navio. “Em novembro estávamos a embarcar no navio para Moçambique. Dentro do navio havia de tudo: comida, bebida, soldados, civis, material de guerra e peças de carros”, enumera o sacerdote, que ainda recorda que os motores do navio ficaram “parados no alto mar”, perto da Madeira. “Os mecânicos conseguiram fazê-los funcionar e chegámos bem à ilha.”

Depois de três dias na Madeira, a viagem prosseguiu. “Embarcámos e fomos até Angola. Lá fizemos uma paragem de uma semana.” Já em Moçambique, o destino foi Nacala. Era então o dia 23 de dezembro de 1967. Mais uma vez, deu-se o confronto com uma língua estranha. “Fui para Maúa. Um missionário pediu-me para confessar. Sem saber a língua ficava difícil, mas ali todos os missionários eram estrangeiros.” Disseram-lhe então: “Ouve e dá a absolvição. O resto é Deus quem faz.”

João Felícia trabalhou quase seis anos em Moçambique. Seguiu-se um período formativo em Roma, e, mais tarde, desenvolveu trabalho missionário no Brasil. Em 1982 foi destinado a Portugal, onde ficou até 1995. Depois, regressou ao Brasil, onde permanece até hoje. Esteve em missão no Rio Grande do Sul, Erechim e Bahia. Atualmente está em São Paulo. “Em todas os locais por onde passei houve sempre muitos desafios”. Por isso, sublinha: “É preciso ser sempre aluno”.

Atualmente, a atividade da congregação no Brasil é desempenhada por missionários brasileiros, latino-americanos, europeus e africanos, sendo que “a preponderância já é africana”. Naquele país, os Missionários da Consolata estão presentes no Paraná, São Paulo, Bahia, Manaus e Boa Vista. Os desafios são muitos, mas o padre João e os colegas trabalham para levar esperança àqueles povos. “As distâncias são enormes. As estradas não têm grandes condições, mas a Consolata não pára. A missão é um desafio constante.”

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

“Depressa passas de bestial a besta”

[Lugar (in)comum]

“Depressa passas de bestial a besta” novidade

“Na era dos ecrãs e da comunicação imediata, construímos expectativas irrealistas, esperando infalibilidade de quem está sob o holofote. Chega a ser irónica a facilidade com que se eleva alguém a um estatuto quase divino para em seguida lhe ser exigido um comportamento humanamente irrepreensível.” [Texto de Júlia Costa]

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência

Esta terça-feira, 7 outubro

“Sem trabalho digno não há vida digna”: Movimento de Trabalhadores Cristãos dinamiza videoconferência novidade

A Liga Operária Católica/ Movimento de Trabalhadores Cristãos assinala esta terça-feira, 7 de outubro, o Dia Mundial pelo Trabalho Digno com uma videoconferência sobre “Trabalho Digno/Código Laboral”. A sessão, com início marcado para as 21h00 e de participação livre, terá como oradores Mafalda Troncho, diretora do Escritório da Organização Internacional do Trabalho em Portugal, e Ulisses Garrido, sociólogo e especialista em relações laborais.

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur

[Entre Margens]

Um 7 de Outubro por Delphine Horvilleur novidade

Não sei se a carta de «calorosas felicitações» do Secretário-Geral da ONU ao Presidente do Irão, por ocasião da celebração do bonito Dia Nacional da Revolução Islâmica compara bem com a sua tentativa de contextualização histórica do ataque terrorista de 7 de Outubro de 2023, perpetrado pelo Hamas. Mas recorda-me um título e um autor. [Texto de João Santos].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.

Pin It on Pinterest

Share This