
Na maioria das paróquias, a Cáritas cumpre perfeitamente a sua função. Mas em algumas delas nem sequer existe. Custa acreditar, mas é assim. Foto © Noelle Georg
Dói conhecer algumas realidades da nossa Igreja, mas não conhecê-las é pior. A suspeita está aí, embora a vontade de não querer confirmá-la seja grande. Finalmente, sem nos apercebermos, a suspeita transforma-se em realidade.
Na maioria das nossas paróquias (falo de Espanha), a Cáritas cumpre perfeitamente a sua função. As e os voluntários que a integram dão tudo por tudo para que aqueles que se acercam possam receber ajuda urgente e, depois, dão-lhes as possibilidades para que essa situação mude.
Decisões tomadas
Contudo, em algumas paróquias esta situação não se verifica, porque nelas a Cáritas não existe. Custa acreditar, mas é assim. São decisões que à partida não se tomam no Conselho Paroquial, sobretudo porque este maioritariamente não existe, ou não funciona como deveria, ou porque, embora possa parecer incrível, o pároco decidiu que assim deveria ser.
Ao chegar-me a confirmação por várias maneiras, perguntei-me o que é que poderia levar a tomar tal decisão. Impedir a presença da Cáritas encerra algo que não tem cabimento na comunidade de Jesus de Nazaré e que é abandonar os pobres. Esta
Aproveitando a reforma
Por vezes, aquilo que não se conhece bem (ou se desconhece) evita-se por qualquer motivo e, pensando, ocorreu-me algo que, aproveitando o facto de que os nossos seminários devem ser reformados e o tempo urge, se poderia acrescentar a essa reforma.
E se a Caritas se tornasse numa das disciplinas dos seminários? Mas uma disciplina teórico-prática. Não seria bom que os nossos seminaristas conhecessem a fundo as Cáritas que funcionam nas paróquias, nas delegações de cada diocese – em ambos os casos trabalhando nelas por algum tempo, como prática pastoral – e que visitassem os seus Serviços Centrais?
Nem seria nada de extraordinário, mas sim normal numa Igreja cujos primeiros destinatários do amor de Deus são os mais desfavorecidos. É apenas uma ideia e, como todas, teria que ser completada. Atrevemo-nos a fazer esta sugestão nas nossas dioceses e a propô-la no âmbito da reforma de que os nossos seminários necessitam? Ânimo!
Cristina Inogés Sanz é teóloga e integra a comissão metodológica do Sínodo da Igreja Católica. Este texto é publicado por cedência da autora e da revista espanhola Vida Nueva ao 7MARGENS. Tradução de Júlio Martin.










