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Voto cristão, eleições. Foto Edmond Dantès Pexels
O género foi um fator que influenciou de forma considerável o sentido de voto do eleitorado cristão na AfD. Foto © Edmond Dantès Pexels

Alemanha

Eleições na Saxónia-Anhalt: um terço dos católicos votou na extrema-direita

| 08/09/2026

Um terço (33%) dos eleitores protestantes e outro tanto (32%) dos eleitores católicos do Estado Saxónia-Anhalt (Alemanha) votaram no partido xenófobo de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), contribuindo para a sua vitória (43,8%) nas eleições de domingo, 6 de setembro. A sondagem à boca das urnas feita pela empresa Wahlen, de Mannheim, para a Agência Católica de Notícias (KNA) mostra também que estas percentagens são inferiores aos 47 por cento dos eleitores sem filiação religiosa que escolheram votar na AfD.

Embora a CDU (democratas-cristãos) tenha obtido apenas 17,2 por cento dos votos, foi a preferida de 26 por cento de cada denominação (católicos e protestantes). O partido dos Verdes e os sociais-democratas (SPD) ganharam, aproximadamente, mais três pontos percentuais de votos entre os eleitores de ambas as denominações, em relação ao que haviam obtido em eleições anteriores – quase 12 por cento em vez de pouco menos de 9 por cento.

Uma grande diferença entre o voto católico e o voto protestante regista-se na faixa etária até aos 34 anos: 19 por cento dos católicos votaram no SPD e 18 por cento nos Verdes; enquanto 9 por cento dos jovens protestantes votaram no SPD e 22 por cento nos Verdes. Os eleitores das duas confissões religiosas concordam, nessa faixa etária, quanto à CDU: o partido obteve apenas 8 por cento (entre os protestantes) e 6 por cento (entre católicos). No grupo dos 35 aos 59 anos, a CDU recebeu 22 por cento de ambos os segmentos, enquanto o seu melhor desempenho ocorreu no grupo com 60 anos ou mais: 35 por cento (protestantes) e 40 por cento (católicos).

A sondagem entrevistou mais de 9.300 cidadãos nos locais de votação, logo após terem votado. O questionário incluía perguntas sobre a confissão, ou religião, a que pertenciam.

O género foi um fator que influenciou de forma considerável o sentido de voto do eleitorado cristão na AfD. Enquanto 38 por cento dos homens protestantes e 37 por cento dos homens católicos votaram na AfD, os números foram de 29 por cento para as mulheres protestantes e 26 por cento para as mulheres católicas.

Sem maioria absoluta (elegendo 39 deputados dos 83 em jogo, ficou a três deputados de a conquistar), não é seguro que a AfD consiga governar aquele Estado da antiga RDA, apesar de ter, de acordo com a mesma sondagem, obtido o voto de uma esmagadora maioria (61%) dos eleitores que se consideram da classe trabalhadora e 38 por cento entre os reformados. Já em termos de género, conquistou a maioria (51%) do voto masculino e apenas 40 por cento do voto feminino.

 

Igrejas: “Não desviaremos o olhar”

O bispo de Magdeburgo (capital da Saxónia-Anhalt), Gerhard Feige, reagiu aos resultados eleitorais de domingo publicando uma declaração conjunta com líderes protestantes daquele Estado, pedindo aos vencedores da eleição que “respeitem plenamente a constituição do nosso Estado, bem como a Lei Fundamental [a Constituição Alemã], e que defendam a dignidade de todas as pessoas”. A declaração acrescenta ainda: “Quem deseja assumir a responsabilidade governamental também assume a responsabilidade por todas as pessoas [que vivem] neste Estado.”

No mesmo sentido vai a declaração conjunta publicada, esta segunda-feira, 7 de setembro,  pela Conferência Episcopal Alemã (DBK), pela Igreja Evangélica na Alemanha (EKD) e pelo Conselho de Igrejas Cristãs na Alemanha (ACK), quando refere: “Apelamos aos vencedores das eleições para que respeitem integralmente a Constituição do Estado e a Lei Fundamental e para que defendam a dignidade de todas as pessoas, independentemente de origem, religião, estilo de vida, conquistas ou posição cristã na Alemanha.”

As Igrejas anunciaram que acompanhariam de perto e analisariam criticamente as ações políticas do futuro Governo estadual: “Não desviaremos o olhar e não permaneceremos em silêncio quando a dignidade humana for violada, quando a nossa democracia for ameaçada ou o Estado de Direito for minado.”

Pelo contrário, o controverso cardeal Gerhard Müller, ex-prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé do Vaticano, criticou, segundo a agência EWTN, as declarações dos bispos, escrevendo no sítio kath.net que eles “não devem, em hipótese alguma, colocar a sua autoridade espiritual na balança” a favor ou contra um partido político e exortou os bispos alemães a serem pastores espirituais, em vez de “abusarem da sua autoridade espiritual para fins políticos”.

 

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