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Tomada de posse do padre Carlos Alberto na paróquia a 7 de abril de 2022 com vigário episcopal e alguns fiéis. Foto DR
Tomada de posse do padre Carlos Alberto na paróquia madrilena, a 7 de abril de 2022. Foto: Direitos reservados

Padre Carlos Alberto Pereira

Em missão na periferia europeia

| 01/05/2026

Depois da vivacidade das comunidades do Niassa, onde a alegria cristã transbordava mesmo em cenários de pobreza, o padre Carlos Alberto Pereira encontra-se agora em missão num bairro espanhol, onde se dedica a construir uma comunidade aberta e acolhedora, onde prevaleça a entreajuda entre todos.

 

Aos 58 anos, o padre Carlos Alberto Pereira, um Missionário da Consolata natural de Vermoil, no município de Pombal, é pároco em Madrid, Espanha, e recorda com alegria a sua primeira experiência missionária além-fronteiras, no Niassa, no extremo norte de Moçambique, para onde foi enviado aos 31 anos.

“Ali encontrei uma realidade da Igreja que ainda não conhecia, e que me marcou pela sua riqueza. Apesar da pobreza e de limitações de vária ordem, as comunidades cristãs transbordavam alegria e entusiasmo”, recorda, descrevendo depois essas povoações. “Eram comunidades que estavam isoladas no meio da floresta – algumas só as podíamos visitar depois de caminhar algumas horas – e que vibravam com a visita do sacerdote, pois tinham finalmente a oportunidade de celebrar os sacramentos.”

A comparação com a realidade europeia foi inevitável. “Isso fez-me pensar bastante, pois vinha de um ambiente em que os cristãos pareciam quase adormecidos na sua fé; participavam nos sacramentos como se fossem obrigados, e não porque iam ao encontro do ‘centro’ da sua vida. Na sua simplicidade e pobreza, essas comunidades reavivaram no meu coração a alegria de ser cristão”, escreve o religioso num testemunho enviado à Fátima Missionária. Dois cargos marcaram a sua passagem por Moçambique: a direção do seminário inter-diocesano de Nampula e a administração da Região de Moçambique da congregação.

 

De Moçambique para Espanha

Padre português junto de crianças que realizaram a Primeira Comunhão em maio de 2024

O padre português junto de crianças que realizaram a Primeira Comunhão em maio de 2024. Foto: Direitos reservados

 

Aos 45 anos, foi enviado para Espanha. A mudança foi “um choque”. “De uma sociedade e Igreja vivas e vibrantes, onde as pessoas expressam a sua alegria e compromisso com o seu ser cristão e se comprometem ativamente na vida da comunidade, passei para uma sociedade mais descristianizada, onde muitos católicos passaram a declarar-se não praticantes e uma parte significativa da sociedade se declara ateia ou agnóstica.”

Anos depois da sua chegada, tornou-se o pároco e coordenador de uma equipa pastoral na Paróquia de São Simão e São Judas, no bairro de Orcasur, no sul de Madrid. Tinha então 54 anos. “Orcasur é um bairro de periferia – não só periferia física, mas também humana e social. Tem cerca de 14.851 habitantes, e nota-se um crescimento progressivo da população estrangeira, que aumenta a cada ano. A população estrangeira – imigrantes maioritariamente provenientes da América Latina – é sobretudo jovem, situando-se entre os 25 e 39 anos.”

As dificuldades que atingem a população daquele bairro são variadas. “A taxa de desemprego é alta – cerca de 13,21 por cento –, com maior incidência no desemprego feminino. Este bairro é de classe trabalhadora, humilde e pobre, com bastantes carências; é preocupante o número de pessoas desempregadas que não recebem nenhum subsídio do Estado e dependem das ajudas de ONG como a Cáritas, Manos Unidas, Cruz Vermelha, e outras, para poderem sobreviver.”

Os Missionários da Consolata assumiram a responsabilidade pastoral desta paróquia em 2022, depois desta ter estado cerca de um ano sem pároco. “A paróquia reflete a realidade humana do bairro onde está integrada. Temos um número maioritário de pessoas acima dos 65 anos, que participam ativamente na vida da paróquia, e um grupo consistente dos 30 aos 65 anos, que participa na celebração dos sacramentos e eucaristia dominical, mas está pouco disponível para se envolver de modo mais ativo na vida paroquial”, refere o missionário. O religioso acrescenta que há “um número crescente de imigrantes que é necessário acolher e integrar, para que possam partilhar com a restante comunidade paroquial a sua experiência de fé”.

Face a esta realidade, a paróquia procura criar “espaços de encontro e convivência para que as pessoas possam encontrar-se, partilhar e fortalecer laços de familiaridade”. O trabalho é conjunto. “Juntamente com os paroquianos, estamos a tentar construir uma comunidade aberta, acolhedora, disposta a ouvir e a dar espaço a todos os seus membros.” Apesar dos muitos “desafios e dificuldades”, o missionário afirma que o caminho que está a ser trilhado “é cativante” e “percebe-se a grande vontade de todos para encontrar soluções para as problemáticas que vão aparecendo”.

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

 

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