O caixão com o corpo do Papa Francisco deve ser colocado esta quarta-feira na Basílica de S. Pedro, em Roma, onde durante alguns dias (entre quatro e seis), vai decorrer o velório, aberto a todos os interessados.
De facto, enquanto a notícia da morte do bispo de Roma ainda corria mundo, na manhã desta segunda-feira, 21, já os diferentes passos previstos no livro das exéquias papais tinham sido desencadeados pelo cardeal camerlengo, a quem cabe nesta fase de “sede vacante” um papel especial, desde logo a participação do falecimento.
Ao mesmo tempo, o decano do Colégio Cardinalício comunica oficialmente a notícia do falecimento a todos os cardeais, aos núncios apostólicos e aos chefes das nações. Os cardeais do mundo inteiro são convocados para Roma, distinguindo-se entre eles os que têm o estatuto de eleitores do sucessor de Francisco, isto é, aqueles que não tenham completado 80 anos até ao início do período da sede vacante.
As reuniões do Colégio Cardinalício têm um ritmo diário e destinam-se a analisar e decidir tudo o que se relacione com as cerimónias fúnebres e o processo eleitoral que se seguirá. Salvo alguma situação de força maior, não poderão tomar nenhuma outra decisão que extravase aquilo a que as normas em vigor obrigam. De resto, os responsáveis dos dicastérios suspendem as suas atividades e os grupos e processos de tomada de decisões são igualmente interrompidos até haver um novo Papa.
No momento em que escrevemos, ainda não existem decisões tomadas quanto ao início e fim do velório e ao dia preciso em que ocorrerá o funeral. Mas essas informações deverão surgir já esta terça feira, dadas as diligências e decisões que delas estão dependentes.
Francisco tomou a decisão, em 2024, de simplificar alguns aspetos do funeral do Papa. Assim, a verificação formal da morte (que ocorreu nesta segunda-feira ao fim do dia, perante o cardeal camerlengo e o decano do Colégio dos Cardeais, entre outros presentes) decorreu não no quarto do defunto, mas na sua capela privada, na Casa de Santa Marta. Por outro lado, deixou de se utilizar três caixões (dois de madeira e um de metal) para passar a haver apenas um que deixará de estar sobre um catafalco para ser colocado simplesmente no solo. A renovação do rito, por Francisco, quis sublinhar que “o funeral do Romano Pontífice é o de um pastor e discípulo de Cristo e não de um poderoso deste mundo”, como observa o respetivo Rito das Exéquias revisto.
O testamento do Papa Francisco

O Papa Francisco na Basílica de Santa Maria Maior, em Roma, onde foi rezar antes do início da Semana Santa, e na qual será sepultado, de acordo com o seu testamento. Foto © Vatican Media
Um dos documentos que foi divulgado, na sequência da notícia da morte do Papa Francisco, foi o seu testamento, cujo conteúdo já se conhecida, mas não o seu teor pormenorizado. Foi redigido na Casa de Santa Marta e diz o seguinte:
“Em Nome da Santíssima Trindade. Amen.
Sentindo que se aproxima o ocaso da minha vida terrena e com viva esperança na Vida Eterna, desejo expressar a minha vontade testamentária somente no que diz respeito ao local da minha sepultura.
Sempre confiei a minha vida e o ministério sacerdotal e episcopal à Mãe do Nosso Senhor, Maria Santíssima. Por isso, peço que os meus restos mortais repousem, esperando o dia da ressurreição, na Basílica Papal de Santa Maria Maior.
Desejo que a minha última viagem terrena se conclua precisamente neste antiquíssimo santuário Mariano, onde me dirigia para rezar no início e fim de cada Viagem Apostólica, para entregar confiadamente as minhas intenções à Mãe Imaculada e agradecer-Lhe pelo dócil e materno cuidado.
Peço que o meu túmulo seja preparado no nicho do corredor lateral entre a Capela Paulina (Capela da Salus Populi Romani) e a Capela Sforza desta mesma Basílica Papal, como indicado no anexo.
O túmulo deve ser no chão; simples, sem decoração especial e com uma única inscrição: Franciscus.
As despesas para a preparação da minha sepultura serão cobertas pela soma do benfeitor que providenciei, a ser transferida para a Basílica Papal de Santa Maria Maior e para a qual dei instruções apropriadas ao Arcebispo Rolandas Makrickas, Comissário Extraordinário do Cabido da Basílica.
Que o Senhor dê a merecida recompensa àqueles que me quiseram bem e que continuarão a rezar por mim. O sofrimento que esteve presente na última parte de minha vida eu o ofereço ao Senhor pela paz no mundo e pela fraternidade entre os povos.”










