
Licenciado em Engenharia, em 1989, e em Teologia, em 2004, Fernando Paiva foi ordenado presbítero a 10 de abril de 2005. Foto © João Marques/Diocese de Setúbal
O atual vigário geral da diocese de Setúbal, padre Fernando Paiva, acaba de ser nomeado bispo de Beja, substituindo no cargo João Marcos, que fará 75 anos em agosto e, por razões de saúde, já havia pedido para ser substituído há mais de cinco anos. A escolha do Papa Francisco foi anunciada oficialmente na manhã desta quinta-feira, 21 de março.
Fernando Maio de Paiva, 61 anos, é pároco de Nossa Senhora da Anunciada, na diocese de Setúbal, membro do Colégio de Consultores e da Comissão Diocesana de Proteção de Menores e Pessoas Vulneráveis, e presidente da Comissão de Consulta de Apoio ao Bispo na Gestão do Fundo Diocesano do Clero.
Licenciado em Engenharia Eletrotécnica e de Computadores, em 1989, e em Teologia, em 2004, o novo bispo de Beja é natural de Oliveira (São Pedro do Sul) e foi ordenado presbítero a 10 de abril de 2005, tendo desempenhado desde aí até 2017 diferentes funções no Seminário Maior de São Paulo de Almada: primeiro como prefeito e ecónomo e posteriormente como vice-reitor. Fernando Paiva foi ainda responsável pelo acompanhamento dos padres novos e pela formação permanente do clero. É membro do Conselho Presbiteral desde 2014, tendo sido secretário do organismo diocesano entre 2021 e 2022.
Surpreendido e agradecido pela nomeação
Na sua primeira mensagem à diocese, que pode ser vista acima, o novo bispo de Beja começa por agradecer a “confiança” do Papa Francisco, assumindo a “surpresa” pela nomeação.
“Tenho o desejo e a intenção de, assim que possível, a todos conhecer. Os primeiros tempos entre vós serão sobretudo tempos de escuta e de conhecimento das pessoas, das instituições, das situações”, faz saber Fernando Paiva, destacando que ,“à luz da sinodalidade”, as comunidades são chamadas a “encontrar, na força do Espírito Santo, os caminhos para viver na verdade e na caridade, anunciando a Boa Nova de Jesus”.
O bispo, que diz ter sabido da sua nomeação a 19 de março, na Solenidade de São José, manifesta ainda a sua “disponibilidade de trilhar caminhos de entreajuda, na valorização da dignidade da pessoa humana e na promoção do bem comum”, saudando em particular “todos os que estão doentes, presos, isolados e em qualquer situação de sofrimento e maior vulnerabilidade”.
“Vão ter um bispo extraordinário”
A nomeação foi recebida “com muita alegria” pelo bispo de Setúbal Américo Aguiar, que numa mensagem enviada aos órgãos de comunicação social nesta terça-feira destaca o facto de Fernando Paiva ser “o primeiro sacerdote do presbitério de Setúbal que é chamado a desempenhar as funções do ministério de bispo”. “Queremos rezar com ele, dar graças a Deus por esta escolha do Santo Padre, de confiança e de sinalização do quanto são importantes, valorosos, heróis e significativos os nossos padres do presbitério de Setúbal, que ao completar 50 anos tem o seu primeiro filho elevado à dignidade e responsabilidade do serviço episcopal”, afirma o cardeal.
“Vão ter um bispo extraordinário”, assegura Américo Aguiar aos membros da diocese de Beja. “E nós [em Setúbal] ficamos agridoces: ficamos felizes pela notícia, mas também ficamos tristes por não contar com a colaboração do padre Fernando Paiva”, acrescenta.
Américo Aguiar destaca ainda que “o território vizinho da diocese de Beja não será totalmente estranho a D. Fernando Paiva, seja pela ‘partilha’ territorial civil de Tróia, concelho de Grândola, seja pelos últimos anos em que a Formação Permanente do Clero – que tão bem acompanhou – decorreu em conjunto com o clero de outras dioceses, nomeadamente aquele que é agora a sua diocese de Beja”.
Recorde-se que outras três dioceses estão à beira de mudar de bispo: Manuel Felício (Guarda), por limite de idade, já pediu para sair; Antonino Dias (Portalegre) completou 75 anos no passado mês de dezembro e apresentou também a resignação; e Manuel Quintas (Algarve) atingirá a mesma idade já em agosto deste ano. Para o Patriarcado de Lisboa deverão ser nomeados pelo menos dois bispos auxiliares, além de que a diocese não territorial das Forças Armadas e de Segurança está também a aguardar há mais de meio ano por um novo titular, depois da nomeação do anterior bispo, Rui Valério, como patriarca de Lisboa.









