O Jubileu 2025, proclamado pelo Papa Francisco na Bula «Spes non confundit – a esperança não engana» (Rm 5, 5), convida-nos a redescobrir a esperança cristã, especialmente em tempos de crise. Este convite ressoa profundamente na vida e escritos do venerável frei Bernardo de Vasconcelos (1902-1932), monge beneditino, cuja espiritualidade continua atual e inspiradora, e cujos escritos são um testemunho de fé, esperança e caridade, fundamentais para a caminhada jubilar proposta pela Igreja Católica.
A fé, como pilar da vida cristã, foi uma constante na experiência espiritual de frei Bernardo, que afirmava numa carta a frei Gabriel de Sousa (1931) que “Mais que a resignação, que a coragem, o que mais é preciso é fé”, na certeza de que “Ele (Deus) nunca nos abandona senão para melhor nos reter” (c. Ângelo César, 1923). Esta reflexão encontra eco no Jubileu que a Igreja se encontra a viver, incentivando os fiéis a fortalecerem-se na fé como resposta às dificuldades do mundo atual, na certeza da presença constante de Deus, e convidando a que neste Ano Santo os fiéis renovem a sua confiança no Senhor, especialmente diante dos desafios contemporâneos.

Frei Bernardo de Vasconcelos: “Se nos esquecermos de nós em favor do próximo, Cristo ocupar-se-á de nós” (As Nossas Festas, 1934, pág. 25).
O tema central do Jubileu 2025, Peregrinos da Esperança, está profundamente ligado ao pensamento de Frei Bernardo, que nas suas cartas descreve a esperança como um clarão no meio das dificuldades: “Pois a quem irei se só Ele tem palavras de vida eterna?” (c. frei Gabriel de Sousa,1932), “Nas horas mais difíceis da minha vida (…) o Senhor nunca me faltou. Só me sinto forte n’Ele” (c. Maria Adelaide, 1930). Esta visão ressoa na proposta jubilar de reconhecer que, apesar das tempestades da vida, Deus é a luz que guia o caminho, e reforça que a esperança cristã não é uma ilusão, mas um compromisso de transformar o mundo. A esperança jubilar deve manifestar-se em gestos concretos de amor ao próximo, e frei Bernardo viveu esta dimensão de forma exemplar: “Se nos esquecermos de nós em favor do próximo, Cristo ocupar-se-á de nós” (As Nossas Festas, 1934, pág. 25). Esta chamada ao amor desinteressado exorta-nos a tornarmo-nos sinais vivos da misericórdia divina, especialmente para com os mais necessitados. O Papa Francisco convida a Igreja a ser um refúgio para os que sofrem, chamando-nos a práticas de acolhimento e solidariedade, desafiando-nos a cultivar a caridade, e a vermos em Cristo cada irmão e irmã. Frei Bernardo antecipava esta mensagem quando escrevia: “Não vermos a Jesus no nosso próximo é uma falta de fé” (Vida de Amor, pág. 137).
A confiança total em Deus foi um dos traços mais marcantes na espiritualidade de frei Bernardo. Numa carta a Ângelo César (1927) afirmava: “O Senhor não nos manda nunca provação superior às nossas forças. As angústias levam-nos a recorrer e a suplicar o Senhor mais amiúde”, mostrando que a entrega total à vontade divina é essencial para a vivência do Jubileu, um tempo de reconciliação e fortalecimento espiritual. Na Bula jubilar, o Papa Francisco ressalta a importância do sacramento da penitência e da oração, destacando que o perdão e a conversão são caminhos privilegiados para a renovação espiritual. Frei Bernardo já enfatizava esse aspeto quando escrevia: “Eu cada vez mais me convenço e compenetro da necessidade do silêncio, do poder inigualável da oração” (c. monsenhor Moreira das Neves, 1930). O Jubileu, portanto, é um convite a este abandono confiante nas mãos do Pai.
O testemunho do venerável frei Bernardo de Vasconcelos permanece atual e em plena sintonia com o Jubileu 2025. A sua fé inabalável, a esperança sustentada pela oração e a caridade vivida em plenitude são inspiração para todos os fiéis que, como Peregrinos da Esperança, são chamados a renovar a sua relação com Deus e com os irmãos.
O Papa Francisco enfatiza que o Jubileu deve ser um tempo de “reencontro com a centralidade da fé cristã” e de “redescoberta do caminho sinodal da Igreja”. Frei Bernardo viveu essa espiritualidade de comunhão e entrega radical, tornando- se um modelo de vida cristã autêntica. Que frei Bernardo continue a ser um farol de esperança e um guia espiritual para este tempo jubilar, inspirando-nos a caminhar com fé e generosidade ao encontro de Deus e dos irmãos.
Hugo Peixoto Henriques tem formação nas áreas de Gestão do Património, Teologia e Sociologia, e é atualmente estudante de Doutoramento em Relações Interculturais. É vice-postulador da Causa do Venerável Frei Bernardo de Vasconcelos como representante do arciprestado de Celorico de Basto no Conselho Pastoral da Arquidiocese de Braga.










