
“Os funcionários veem com preocupação a tendência crescente para a “terceirização e privatização” de serviços, que levam à entrada em cena de funcionários de instituições externas, como contabilidade, limpeza, gestão imobiliária, entre vários outros.” Foto: Vaticano © AFLV
Os funcionários do Vaticano estão preocupados com o seu presente e o seu futuro e queixam-se de falta de comunicação e de informação sobre as consequências no plano laboral das opções que estão a ser tomadas no campo da administração e gestão.
Num texto publicado na última semana pela Associação dos Funcionários Leigos do Vaticano (AFLV), que diz representar cerca de 600 colaboradores, são enunciadas as questões que consideram mais candentes, queixas e dúvidas e muitas interrogações. Uma assembleia geral dos seus associados está convocada para 25 de setembro próximo.
A Associação começa por recordar a carta apostólica Fidelis dispensator et prudens [administrador fiel e prudente] do Papa Francisco, de 2014, que sublinha a “missão específica” dos funcionários da Santa Sé, quer quanto ao serviço universal do Pontífice quer “em relação ao bem comum, na perspetiva do desenvolvimento integral da pessoa humana”. E logo aqui os funcionários perguntam: “existe uma atenção real à ‘pessoa humana’”?
Sobre as reformas introduzidas neste âmbito económico-financeiro, os resultados não são conhecidos, para se perceber o que resultou dos investimentos de recursos realizado. Ao contrário do que aconteceu inicialmente, os dados não têm sido sequer publicados nos últimos anos, segundo o texto.
Do ponto de vista dos funcionários, o que tem acontecido é uma opção por “cortes nos custos com pessoal” e “medidas restritivas que afetaram os colaboradores nos últimos anos”, nomeadamente “a suspensão durante dois anos” dos vencimentos, com “repercussões significativas nas pensões e nas indemnizações”. Quais os resultados na situação financeira da Santa Sé? perguntam os responsáveis da AFLV, que avisam não estarem dispostos a ficar indiferentes, “caso sejam adotadas novas medidas penalizadoras para os colaboradores”.
Enquanto isto, os funcionários veem com preocupação a tendência crescente para a “terceirização e privatização” de serviços, que levam à entrada em cena de funcionários de instituições externas, como contabilidade, limpeza, gestão imobiliária, entre vários outros.
“Temos a perceção de que o corpo vai se ‘desconstruindo’ aos poucos”, queixa-se a Associação, que pergunta: “Por que não reforçar os recursos internos, cada vez mais desmotivados e confusos?” “Se alguém respondesse claramente às nossas perguntas, seria mais fácil tranquilizar os nossos membros cada vez mais preocupados”.
O texto da AFLV recorda, neste contexto, os valores associados ao trabalho humano, que foram enunciados numa “Carta” de João Paulo II sobre “o sentido do trabalho prestado à Sé Apostólica” e defende o reforço do papel da ULSA [Ofício Laboral da Sé Apostólica], que deveria tornar-se “um órgão de conciliação, precisamente para garantir a correta aplicação dos regulamentos e o reconhecimento dos direitos”.









