
Ao centro o Bispo Rolando Álvarez rodeado dos sacerdotes exilados. Foto © Religión Digital
O Governo da Nicarágua anulou na segunda-feira, 12 de agosto, o estatuto legal da Associação Cáritas Diocesana de Matagalpa (Cáritas de Matagalpa) no norte da Nicarágua, cujos bens passarão para as mãos do Estado, e de 14 outras associações que funcionavam como organizações sem fins lucrativos, noticia o Religión Digital de 12 de agosto.
O Ministério do Interior explicou que a Cáritas de Matagalpa foi unilateralmente encerrada por “incumprimento”, isto é, por não ter apresentado as demonstrações financeiras relativas aos anos de 2020 a 2023 e por o seu conselho de administração ter terminado o mandato a 27 de setembro de 2022.
O cancelamento do estatuto legal da Cáritas de Matagalpa, uma das oito filiais da Cáritas da Nicarágua, a pastoral social da Igreja Católica, e das outras 14 organizações foi aprovado em Manágua pela ministra do Interior, María Amelia Coronel, de acordo com o jornal oficial nicaraguense La Gaceta.
Das 15 organizações não-governamentais, o Ministério do Interior nicaraguense ilegalizou unilateralmente seis delas, incluindo a Cáritas de Matagalpa, cujos bens passarão para as mãos do Estado, enquanto as nove restantes não serão ilegalizadas porque solicitaram a sua dissolução voluntária.
A medida surge uma semana depois de as autoridades terem detido e expulsado do país sete padres da Diocese de Matagalpa. A diocese de Matagalpa é dirigida a partir do exílio pelo bispo Rolando Alvarez, a quem foi retirada a nacionalidade e antes de ser libertado da prisão e expulso do país em janeiro deste ano. Fontes políticas disseram à agência espanhola EFE que o governo de Ortega está a pressionar o Vaticano para que nomeie um novo bispo para a Diocese de Matagalpa em substituição de Álvarez.
O Governo do ditador Daniel Ortega já proibiu mais de 3.600 organizações não-governamentais desde dezembro de 2018, tendo a maior parte dos seus ativos sido transferidos para o Estado.









