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Pobreza, sem-abrigo, Lisboa, rua,

Portugal é o 13º pior na UE

Há mais pobreza e, sem apoios sociais, 4,5 milhões de portugueses seriam pobres

| 17/10/2022

Pobreza, sem-abrigo, Lisboa, rua,

Pessoa sem-abrigo em Lisboa: o país está mais longe de atingir de ter menos 765 mil pobres, até 2030 – menos 765 mil pobres. Foto © Miguel Veiga

 

A pobreza aumentou, em 2020, em Portugal, de acordo com dados da Pordata publicados esta segunda-feira, 17, a propósito do Dia Internacional para a Erradicação da Miséria. De acordo com estes dados, citados pela Rádio Renascença, cerca de 4,5 milhões de portugueses tinham, naquele ano, rendimentos abaixo dos 554 euros mensais. Por outro lado, 40% das famílias portuguesas tinham rendimentos abaixo dos 830 euros.

Quando considerados os apoios sociais, os 4,5 milhões de pessoas considerados apenas os rendimentos reduzem-se para 1,9 milhões de pessoas, de acordo com o que referiu à mesma fonte a directora do centro de estatística, Luísa Loura. Entre os que são mais pobres, a pobreza cresceu mais nas famílias com filhos e nas famílias monoparentais.

No primeiro ano da pandemia, a pobreza em Portugal aumentou cerca de 12,5%, índice que tornou Portugal o 13º país mais pobre da União Europeia e o segundo com mais pessoas a viver em habitações com más condições – concretamente, uma em cada quatro casas.

Um outro dado preocupante, nota a responsável citada ainda pela Renascença, é que, em 2021, cerca de 5,3% dos portugueses considerados pobres tiveram dificuldade em aquecer a casa, mesmo recebendo apoios sociais. Este número deverá subir este ano tendo em conta as previsões de subida da inflação (que não era tão alta – 9,3% – desde 1992). Este índice faz com que quem recebe o salário mínimo de 705 euros veja o poder de compra reduzido para os 639 euros, valor pouco acima dos 554 euros definidos para delimitar o risco de pobreza.

Do lado menos negativo desta realidade é que Portugal é dos países que mais refeições tem asseguradas para os mais pobres, graças a um conjunto de instituições de solidariedade.

Este conjunto de dados faz prever que o país está mais longe da meta a atingir até 2030 – menos 765 mil pobres, acrescenta o Diário de Notícias.

A análise da Pordata, citada ainda pelo DN, diz que em Portugal há comparativamente menos pessoas a sofrer de privação alimentar: o país é o segundo no que diz respeito aos pobres que conseguem assegurar uma refeição de carne, peixe ou equivalente vegetariano de dois em dois dias (são 6% os que não o conseguem).

O DN refere ainda que em 2020 houve uma ligeira redução dos beneficiários do Rendimento Social de Inserção (257.983). Mas esse número aumentou em 2021 para as 262 mil pessoas, valor mais próximo de 2019. Mais de metade dos que recebem o RSI são mulheres (52%) e dois em cada cinco (41%) têm menos de 25 anos.

Ainda em 2021, 1,6 milhões de pensionistas da Segurança Social receberam uma pensão de velhice ou invalidez inferior ao salário mínimo nacional. “Conclui-se que 72% dos pensionistas de velhice e 87% dos pensionistas de invalidez viviam com menos de 665 euros mensais, o valor do salário mínimo em 2021 (a preços correntes).”

Também a média anual de desempregados inscritos nos centros de emprego e de formação profissional estava a descer desde 2014, tendência que se alterou no primeiro ano da pandemia, aumentando em 22,5% em relação a 2019. E em 2021 esse número subiu ainda 0,3%, para um total de 386.200 pessoas inscritas no Instituto de Emprego e Formação Profissional (IEFP). As últimas estatísticas deste índice já estão melhores: em Agosto, estavam inscritos no IEFP um total de 282 847 pessoas desempregadas, menos 106 mil do que a média no ano passado.

 

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