
O restauro demorou cerca de 9 meses a ficar concluído. Foto © DRCN
As pinturas murais da igreja da capela-mor da Igreja Matriz de Torre de Moncorvo foram objeto de restauro. Esta intervenção foi agora dada como concluída, revelou a Direção Regional de Cultura (DRC) do Norte, em comunicado enviado ao 7MARGENS.
Este anúncio coincide com a concessão do título de Basílica Menor à igreja da Diocese de Bragança-Miranda pelo Papa Francisco. A celebração solene da promulgação do título está prevista para a próxima segunda-feira, 18 de julho.
Segundo o texto da DRC do Norte, com esta intervenção procurou valorizar-se “a vertente conservativa, melhorando-se, sempre que possível e necessário, a leitura do conjunto”. E este é um conjunto que merece a visita e o olhar.
O conjunto pictórico, revela a DRC, “evidenciava o resultado do mau estado de conservação do edifício, particularmente as pinturas sobre reboco dos alçados da capela-mor que apresentavam extensas áreas de lacunas, degradação que resultou sobretudo de infiltrações de águas pluviais”.

Pinturas estavam muito danificadas devido a anos de infiltrações. Foto © DCRN
Agora as pinturas ganharam cor e leitura. A visita passa pela capela-mor, na qual se encontra “uma pintura integral, sobre granito na abóbada de berço, cornija, arco cruzeiro e enxalços dos vãos, e sobre reboco nas paredes”.
Do lado da Epístola da capela, o tema representado ostenta uma legenda, sobre cartela, “atualmente quase ilegível”: “QUAE EST ISTA, QUAE PROCESSIT SICUT SOL, ET FORMOSA TAMQUAM JERUSALEM”. Já do lado do Evangelho, conduz-nos a visita, o tema versa a Última Ceia, com a legenda “Ó SACRUM CONVIVIUM, INQUO CHISTUS SUMITUR: RECOLITUR MEMORIA PASSIONIS/ F.JUS.A”.
O olhar prende-se em cartelas idênticas que surgem na parte superior da representação e sob as janelas – e estas enquadram a figura dos Evangelistas: S. João Evangelista, no lado do Evangelho, e S. Mateus, no lado da Epístola.
A enquadrar estas cenas está o trabalho arquitetónico e de decoração de motivação rocaille da autoria de Francisco Bernardo Alves, de Bragança, que datam de 1779.
O teto, em abóbada, é constituído por 24 caixotões que ostentam iconografia alusiva à vida e Paixão de Cristo e à simbologia mariana.
A intervenção de conservação e restauro destas pinturas murais iniciou-se em novembro passado, com a execução dos trabalhos preparatórios de análise e diagnóstico. Segundo informa a DRC do Norte, a operação contempla ainda a reabilitação do alpendre sul e das portas da igreja, assim como o mapeamento das deteriorações da pedra existentes nos portais de granito.
Na segunda-feira, dia 18, a festa completa-se com a celebração solene da promulgação do título de Basílica Menor, na memória litúrgica de S. Bartolomeu dos Mártires. Às 17h30, é celebrada a eucaristia da proclamação do título com a presidência do arcebispo de Braga e ex-bispo de Bragança-Miranda, José Cordeiro, que tinha iniciado este processo.
A atribuição do título foi concedida pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, no passado dia 12 de janeiro de 2022, e reconhece a importância deste templo na ação pastoral, litúrgica e espiritual bem como o seu valor patrimonial e arquitetónico.

Interior da Igreja matriz da Torre de Moncorvo, agora Basílica Menor. Foto © Bruno Rodrigues/Diocese de Bragança









