AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

Católicos intervêm no debate político

Limite da dívida nos EUA: bispos contra cortes nos apoios aos mais vulneráveis

| 19/05/2023

“Os bispos católicos norte-americanos decidiram intervir no debate que opõe há meses o Presidente e o Congresso sobre o aumento do limite da dívida pública do país, afirmando, em carta de 17 de maio dirigida a todos os congressistas.”

 

Os bispos católicos norte-americanos decidiram intervir no debate que opõe há meses o Presidente e o Congresso sobre o aumento do limite da dívida pública do país, afirmando, em carta de 17 de maio dirigida a todos os congressistas, que “uma base justa para orçamentos futuros não pode depender de cortes desproporcionais em serviços essenciais para os pobres e outras pessoas vulneráveis.”

A administração do Presidente Biden (Democrata) e o líder da Câmara do Representantes (Republicano) dispõem de pouco mais de uma semana para se porem de acordo sobre o aumento da dívida pública de modo a evitarem que os EUA entrem a 1 de junho em incumprimento dos pagamentos devidos aos seus credores. O que, a acontecer, seria não só a primeira vez que o país deixaria de cumprir as suas obrigações para com o mercado financeiro, como teria efeitos devastadores nas economias americana e mundial. A autorização para aumentar a dívida pública é uma prerrogativa do Congresso, cuja câmara baixa tem maioria republicana contrária à proposta de orçamento de estado para 2023-2024 entregue pelo Presidente.

A unidade de análise orçamental do Congresso estima, com base nas previsões e propostas da Casa Branca, que o défice orçamental seja em média, durante os próximos 10 anos, de aproximadamente 6% do Produto Interno Bruto, o que fará a dívida pública aumentar dos atuais pouco mais de 100 por cento do PIB (quase igual ao que era imediatamente após a Segunda Guerra Mundial) para 120 por cento em 2033, 150 por cento na década seguinte e 200 por cento em meados do século. Esta estimativa é inaceitável para os deputados do Partido Republicano que exigem cortes na despesa pública e redução de impostos.

Pelo contrário, o orçamento proposto por Biden aumenta a despesa pública e pretende financiá-la através do aumento das taxas dos impostos sobre os mais ricos e sobre os lucros das grandes empresas. O orçamento inclui, nomeadamente, mais de 2 milhões de milhões de dólares para programas de assistência infantil, apoio ao pré-escolar, escolas públicas e de assistência médica.

É neste contexto que os bispos católicos escrevem aos membros do Congresso abordando “as dimensões morais e humanas do atual debate orçamental”, debate no qual, reconhecem, “os difíceis desafios que o Congresso e a Administração enfrentam para colocar a nossa vida financeira em ordem; enfrentar as atuais dificuldades e incertezas económicas; responder às exigências de justiça e às obrigações morais para com as gerações futuras; controlar a inflação, a dívida futura e os défices; e proteger a vida e a dignidade dos pobres e vulneráveis”.

“Nesta carta“ – continuam os bispos, dirigindo-se a cada um dos membros do Congresso “não apresentamos uma crítica detalhada da legislação atual, mas pedimos que considere as dimensões humanas e morais das várias escolhas importantes que o Congresso enfrenta”. Dito isto, mas não se coíbem de sublinhar que “as necessidades daqueles que estão famintos e desabrigados, sem trabalho ou na pobreza devem vir em primeiro lugar. Para os líderes católicos, “o governo e outras instituições têm a responsabilidade compartilhada de promover o bem comum de todos, especialmente o dos trabalhadores mais desprotegidos e das famílias que lutam para viver com dignidade em tempos económicos difíceis”, prioridades que requerem “sacrifícios partilhados por todos, incluindo o aumento adequado das receitas, a eliminação de gastos desnecessários e garantindo a cobertura dos custos de longo prazo da saúde e de apoio a reformas justas”.

A missiva foi recebida pelos representantes do Partido Republicano como uma crítica moderada à sua resistência em aceitar a subida dos impostos a pagar pelos mais ricos e pelas grandes companhias e como um alerta severo em relação à pressão para reduzir os custos dos programas sociais financiados pelo Estado.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia

Padre da Obra da Rua morreu

Telmo Ferraz (1925-2026), cem anos a espalhar profecia novidade

O padre Telmo Ferraz, da Obra da Rua, celebra cem anos de vida e missão. Membro do clero da Diocese de Bragança-Miranda, nasceu no Mogadouro a 25 de novembro de 1925 e começou cedo o seu sacerdócio de rebeldia e compromisso social. Denunciava a tragédia humanitária provocada pelas condições péssimas em que viviam quantos davam a vida na construção de barragens naquele Trás-os-Montes longínquo e abandonado dos anos 1950. [Texto de Tony Neves]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória

[Entre Margens]

Joana Lopes: 88 cravos à sua memória novidade

No próximo Domingo, 11 de Outubro, Joana Lopes, que nos deixou a 5 de Fevereiro deste ano, completaria 88 anos. A Joana teve um papel importante na resistência católica contra a ditadura, tendo levado a cabo lutas muito importantes em que denunciava a guerra colonial. Tinha também uma atividade cívica intensa, assumindo a defesa de lutas políticas essenciais que não são menos importantes no nosso tempo. [Texto de Filipe Moisés].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.