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Cardeal Giorgio Marengo entregou um presente simbólico ao abade budista Ganzaya Foto Direitos reservados
O cardeal Giorgio Marengo entrega um presente simbólico ao abade budista Ganzaya Foto Direitos reservados

Na Mongólia

Missionários da Consolata vivem momentos de partilha com “amigos budistas”

| 21/05/2026

Num dia especial para os Missionários e Missionárias da Consolata, vários padres desta congregação em missão na Mongólia visitaram monges budistas. O encontro ficou marcado por uma troca de presentes e por uma visita guiada ao mosteiro budista

A Igreja Católica na Mongólia conta com 1.516 pessoas batizadas e nove paróquias, onde estão ao serviço 70 missionários: 24 sacerdotes, 38 irmãs, quatro irmãos, três missionários leigos e um diácono. Entre estes, alguns são padres diocesanos da Coreia do Sul e os restantes pertencem a congregações religiosas, como o Imaculado Coração de Maria, Salesianos e Missionárias e Missionários da Consolata. Esta última congregação está presente na Mongólia há 19 anos e conta com um bispo em funções naquele território: o cardeal Giorgio Marengo, bispo da Prefeitura Apostólica de Ulaanbaatar.

Os Missionários e Missionárias da Consolata estão presentes na cidade de Arvaikheer, na província de Uvurkhangai, e em Chingeltei, uma zona periférica da cidade de Ulaanbaatar, onde se dedicam a atividades sociais. Estão igualmente ao serviço na Cáritas da Mongólia, no Centro de Retiros Khandgait e na Catedral de São Pedro e São Paulo. Neste país, a congregação assinalou também o centenário da morte do seu fundador, São José Allamano, a 16 de fevereiro. “Estamos aqui, nesta terra de céus azuis, porque este santo carismático compreendeu as necessidades da missão e as satisfez ao fundar a nossa família missionária”, escreveu Dido Mukadi, padre Missionário da Consolata, numa nota dedicada às comemorações.

A celebração do centenário juntou “padres, freiras e amigos desde as primeiras horas da manhã”. Na tenda tradicional da missão de Arvaikheer, conhecida como “ger”, tiveram lugar momentos de oração e uma Eucaristia presidida pelo cardeal Marengo. “O bispo relatou a história do nosso santo fundador, a sua vocação sacerdotal, o seu compromisso pastoral e a sua visão missionária. O seu zelo ardente de tornar Cristo conhecido, mesmo nos lugares mais remotos, continua a inspirar missionários a dedicarem as suas vidas ao serviço da missão de Deus”, referiu o padre Mukadi. Após a celebração, os fiéis partilharam o “tradicional chá mongol”.

Programa celebrativo incluiu uma Eucaristia e um convívio onde foi servido o tradicional chá mongol Foto DR

O programa celebrativo incluiu uma eucaristia e um convívio onde foi servido o tradicional chá mongol. Foto: Direitos reservados

Os Missionários da Consolata decidiram aproveitar o dia para visitar um grupo de monges budistas. Afinal, escassos dias após o centenário da morte de Allamano, os budistas celebravam o Ano Novo Lunar Mongol de 2026. Assim, puseram-se a caminho com vários propósitos, como explica o padre Mukadi: “Para fortalecer os nossos laços de amizade e em solidariedade com a cultura local, visitámos o mosteiro budista de Arvaikheer, onde fomos recebidos pelo monge superior Ganzaya Yagaan e a sua equipa.” O encontro foi também uma oportunidade para satisfazer curiosidades mútuas. “Tivemos uma conversa muito cordial, durante a qual os monges nos fizeram perguntas sobre as diferenças entre as Igrejas cristãs. Eles expressaram apreço pela Igreja Católica e lembraram a vida do falecido Papa Francisco”, acrescentou o missionário.

Durante o encontro, o abade budista Ganzaya falou sobre a sua visita à Polónia, realizada no final do ano passado, mostrou uma fotografia dessa viagem e referiu que esteve numa Igreja Católica, que descreveu como um “lugar de oração”. Os monges ofereceram aos missionários “comida branca mongol, chá com leite e sal, arroz branco e sopa de carne”, partilhando com eles alguns dos sabores tradicionais do país.

Centenário do falecimento de São José Allamano foi assinalado na Mongólia Foto DR

O centenário do falecimento de São José Allamano foi assinalado na Mongólia. Foto: Direitos reservados

O cardeal Marengo ofereceu aos monges um presente simbólico: uma vela e um pouco de comida branca tradicional mongol, embrulhada num ‘khadag’. O padre Mukadi explica o significado do gesto: “Na Mongólia, ao oferecer um presente – especialmente durante o Ano Novo Lunar, o ‘Tsagaan Sar’, ou quando se trata de alguém mais velho – é costume apresentá-lo num ‘khadag’, um lenço cerimonial feito de seda azul, branca ou amarela, como sinal de respeito. O presente é colocado no ‘khadag’ e oferecido com ambas as mãos, com as palmas voltadas para cima.” Os monges retribuíram da mesma forma, oferecendo aos missionários incenso budista num ‘khadag’. O encontro terminou com uma visita ao espaço e com o registo fotográfico do momento, como descreve o missionário: “Os nossos amigos budistas acompanharam-nos até o interior do mosteiro, explicando os diversos ritos e objetos ali presentes. Depois de tirarmos algumas fotos, despedimo-nos e partimos.”

 

Texto publicado ao abrigo da parceria 7MARGENS/Fátima Missionária.

 

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