Manuela Mendonça, presidente do Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, morreu na manhã do dia de Natal, aos 77 anos. Licenciada e doutorada em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Lisboa, Manuela Mendonça estava também à frente da Academia Portuguesa de História desde 2006.
Manuela Mendonça assumiu a liderança do Secretariado Diocesano de Lisboa da Obra Nacional para a Pastoral dos Ciganos em abril de 2017, nomeada pelo então patriarca Manuel Clemente, sucedendo a Fernanda Reis, com quem colaborou durante várias décadas.
Em comunicado enviado à Agência Ecclesia, a Pastoral Nacional dos Ciganos manifestou “profundo pesar” pelo falecimento, destacando a sua “dedicação com empenho notável à promoção da dignidade, dos direitos e da integração social da comunidade cigana”.
“A sua liderança traduziu-se em ações concretas de acompanhamento e defesa dos direitos fundamentais dos ciganos, sempre com uma perspetiva humanista e cristã”, lê-se na nota assinada pelo diretor nacional, Hélder Afonso.
A historiadora era também membro ativo do Comité Católico Internacional para os Ciganos (Comité Catholique International pour les Tsiganes), onde a sua participação permitiu “estabelecer valiosas redes de colaboração” a nível europeu.
Nascida em São Cristóvão, Montemor-o-Novo, a 12 de fevereiro de 1948, Manuela Mendonça licenciou-se e doutorou-se em História Moderna e Contemporânea pela Universidade de Lisboa, onde foi professora na Faculdade de Letras.
Especialista na Baixa Idade Média e nas relações peninsulares dessa época, presidia à Academia Portuguesa da História desde 2006. Entre 1990 e 1996, desempenhou o cargo de subdiretora-geral do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.
Numa nota publicada no site da Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa manifestou “o seu profundo pesar pelo falecimento” de Manuela Mendonça, “que exerceu com elevação académica, sentido de serviço nacional e espírito ecuménico e prospetivo as suas funções durante décadas”. E rematou apresentando “os seus sentimentos à sua família, aos seus pares e à prestigiada Academia Portuguesa de História”.
Da vasta bibliografia da historiadora destacam-se obras como D. João II. Um percurso Humano e Político nas Origens da Modernidade em Portugal (1991) ou A Guerra Luso-Castelhana no Século XV. A Batalha de Toro (2006).
A Pastoral Nacional dos Ciganos recorda Manuela Mendonça como uma “figura ímpar da cultura, da história e da ação social em Portugal”, cujo legado perdurará como “fonte de inspiração”.
O funeral realiza-se este domingo, no Cemitério dos Olivais, em Lisboa, depois da missa de corpo presente na Igreja de Moscavide, às 13h00, presidida pelo cardeal D. Manuel Clemente, patriarca emérito de Lisboa.










