Ao longo do texto “Papa Francisco: Um Regresso ao Cristianismo”, de João Costa e José Manuel Pureza, publicado no número de outono/inverno, da revista “manifesto-Temas Sociais e Políticos”, a certa altura escrevem: “Todos os Papas, ao longo da história, foram católicos. Nem todos os Papas foram cristãos. O Papa Francisco foi-o, porque soube posicionar-se do lado do amor, da recusa da segregação e do ódio. Não o fez com relativismos. Mas recusou o relativismo assente no moralismo, ao contrário de alguns dos mais próximos antecessores. Não relativizou o amor em nome do compromisso político ou do viés. Quando, em Lisboa, disse “todos, todos, todos”, não acrescentou um “mas” logo a seguir. Não disse, como outros correram a dizer que “todos, todos, todos” não é “tudo, tudo, tudo”. Esta hermenêutica do seu discurso, rapidamente feita por quem ainda teme a abertura, está nas antípodas da sua mensagem e do seu legado”. E terminam o artigo escrevendo que “A cada um de nós, crentes e não crentes, este Papa deixa saudades e faz falta. Porque faz falta a um mundo que se afasta de valores fundamentais de amor, da aceitação da diversidade, de rejeição da desumanidade e da construção de paz.”

O texto que representa um louvor ao Papa Francisco pela sua vida dedicada a Jesus Cristo e à proclamação do seu Evangelho, é curioso e sintomático de como Francisco soube encarnar a mensagem que é tida por todos e todas, como interveniente na sua vida. Vejamos mais um pouco do texto: “ [Francisco merece ser revisitado, também] Porque combateu o clericalismo como um dos mais sérios cancros da Igreja Católica. Porque não se afundou no clericalismo. Porque abriu as portas a Cardeais de geografias esquecidas. Porque não baixou os braços, nem resignou, quando confrontado com o maior pecado da sua Igreja, a violação de tantos menores. Porque reabilitou alguns dos clérigos que tinham sido rejeitados pela instituição, porque viu o seu valor. Porque não mediu palavras, não teve medo, não falou só para dentro, não nos deixou o conformismo, mas sim a inquietude.”
O artigo percorre todas as questões da vida, como o económico, mas também o ambiente, a cultura e a coesão social, temas muito quentes tratados por Francisco. Este trecho importante “Não temos medo da poesia, da poesia e da criatividade. Não percamos essa capacidade de sonhar.” As afirmações dos autores de que “Todos os Papas…foram católicos”, mas “Nem todos os Papas foram cristãos”, abre-nos as portas para percebermos o quanto é a razão de Ser de Francisco tratado como iminente mensageiro do amor que provém de Jesus. A “centralidade nos pobres”, que são todas as pessoas a quem faltam os direitos da dignidade universal, como às mulheres, e ainda como como “ousou denunciar o capitalismo selvagem como agressor do bem comum. Porque afirmou a ecologia e o combate à destruição do Planeta, a nossa “casa comum”, como desígnio de qualquer católico ou não-católico”.
Francisco, um Papa, que é referencia universal!
Joaquim Armindo é diácono católico da diocese do Porto, doutorado em Ecologia e Saúde Ambiental.
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