
Paula Bulhosa e Mário Augusto, 35 anos de casamento: “O que temos é um compromisso sensato e cúmplice.” Foto: Direitos Reservados
Passaram 35 anos desde a decisão partilhada de viver um projeto comum. Seria um floreado bonito estar para aqui a desfolhar as pétalas do malmequer como se a vida a dois fosse a coisa mais simples, limitada às sortes e opções que passam a ser … dois em um.
Uns precipitam-se e não descobrem como aprender, desistem a meio do filme sem esforço nem querer que seja um diálogo sequer, outros sorriem na partilha de saber, no fazer o caminho juntos sem mapa ou GPS. Esses, os que apenas seguem a intuição da paixão que com o passar do tempo se transmuta nas cumplicidades desse ingrediente mágico, muitas vezes usado, dito e abusado de boca cheia sem saborear…que é o Amor.
Não sou de andar a gritar alto o hino do casamento como tantas vezes oiço e leio de muitos nas parangonas das revistas como expiação de pequenos segredos. Somos simplesmente dois que se escolheram e procuram um equilíbrio simples nessa insustentável leveza de ser, como já escreveu Kundera.
35 anos é já uma vida longa de vontades. Sabemos em consciência que existir é um jogo de concessões, análises constantes de querer e ser. Deixar que o outro seja um mundo seu que se cruza em harmonia com o nosso universo mais pessoal.
Três décadas e uns pozinhos de perlimpimpim…três filhos e coisas boas, outras assim assim, mas sempre a afinar uma vida inteira, que se espera longa e em comum, como se fosse o universo a ter cruzado essas vontades do encontro num dia que se prolonga e dura até hoje.
O que temos é um compromisso sensato e cúmplice que sublinha o que já escreveu Cervantes na eterna paixão de D. Quixote – “Amar é dar razão para viver.”
E já passaram 35 anos desde a decisão partilhada de viver uma vida em comum. O Francisco, a Rita e o Rodrigo, são testemunhas e cúmplices. Já chegou também a Alice (hoje com seis meses apenas) ela um dia talvez possa recordar com orgulho sereno, essa vontade de ser e estar como exemplo.
Mário Augusto é jornalista da RTP, onde tem feito programas sobre cinema. Este texto foi inicialmente publicado no Facebook do autor e por ele cedido ao 7MARGENS.










