Francisco é o Papa das reformas internas e externas, locais e globais, escreve a Vida Nueva. É o Papa dos imigrantes, da ecologia integral, da atenção às periferias e da condenação da cultura do descarte, considera La Croix. É o Papa que incorpora os elementos-chave do modo de estar e de ser das irmãs católicas de todo o mundo, escreve a irmã Mary J. Novak, diretora do Network, no Religion News.
Em diversas línguas, a imprensa católica recorda o percurso do cardeal argentino que o conclave elegeu no dia 13 de março de 2013 como o 266º Papa da história. Nove anos depois, o balanço que é feito não revela menor espanto do que o suscitado pela escolha de um papa vindo “do outro lado do mundo” que pedia ao povo reunido na praça de São Pedro “rezem por mim”. E, apesar dos seus 85 anos, todos concordam que Bergoglio ainda tem muitos projetos por diante, que não apenas o Sínodo 2023. Francisco conserva, “segundo os seus colaboradores mais próximos, um ritmo de trabalho muito elevado, desmentido todos aqueles que antecipavam ver este pontificado morrer lentamente” – escreve Loup Besmond de Senneville, correspondente do La Croix em Roma.
Além do Sínodo dos Bispos de 2021-2023, a Vida Nueva sublinha a reforma da Cúria, várias vezes anunciada e outras tantas adiada, como o projeto mais ambicioso que ainda está por concretizar. Para a revista espanhola, os principais legados de Francisco são a “reforma ecológica” proposta pela encíclica Laudato Sí, a “fraternidade revolucionária” da encíclica Fratelli Tutti, a “nova visão sobre os imigrantes” inúmeras vezes reiterada, mas desde logo presente na escolha do destino (Lampedusa) da sua primeira viagem. Mas também a investigação sem tréguas dos casos de abusos sexuais e do seu encobrimento e a denúncia do clericalismo como “o mal mais grave de sofre atualmente a Igreja”.
Terminando o elenco das maiores reformas destes nove anos de pontificado, a Vida Nueva salienta a insistência de Francisco no poder reformador do encontro e cita o Papa: “A cultura do encontro entre irmãs e irmãos rompe com a cultura da ameaça” e propõe a paz como caminho. E a revista espanhola chama também a atenção para a “reforma com nome de mulher” que este Papa concretizou ao nomear várias mulheres para lugares-chave no Vaticano e ao introduzir “uma modificação no Direito Canónico, no mês de fevereiro deste ano, para dar maior protagonismo à mulher facilitando o seu reconhecimento como leitoras e acólitas.”
Promoção da mulher e uma nova era
Igual reconhecimento quanto à promoção do papel da mulher na Igreja concretizado pelo Papa Francisco percorre o texto da irmã Mary J. Novak, diretora do Network – uma organização americana que tem como objetivo divulgar a doutrina social da Igreja e promover a justiça social – que o Religion News publicou no dia 10 de março. Novack saúda este pontificado não apenas por ter sido o tempo em que se “pôs termo ao conflito de mais de três anos” entre Roma e a Leadership Conference of Women Religious (Conferência das Lideranças de Religiosas) que representa cerca de 80 por cento das religiosas nos Estados Unidos, como pelo facto “deste Papa corporizar elementos-chave da energia corajosa, alegre, autêntica e inclusiva das freiras católicas”.
Para as fontes vaticanas contactadas pelo correspondente do La Croix, Loup Besmond de Senneville, o pontificado “entrou claramente na sua segunda metade” e “os seus temas favoritos são agora bem conhecidos”, pois são os mesmo enunciados na exortação apostólica Evangelii Gaudium de 2013, quando ainda nem um ano decorrera desde a eleição de Bergoglio.
Aquela “exortação é de facto o programa do atual Sínodo” dizem os peritos por ele consultado. O processo sinodal visa, sintetiza Senneville, “repensar a forma como a Igreja Católica anuncia a sua mensagem, num mundo que mudou consideravelmente”, sendo uma reflexão que passa “por uma vasta consulta de todos os fiéis do mundo”. Segundo o La Croix, “o Papa espera que esse método mude profundamente a maneira como os católicos percebem o mundo e nele vivem o Evangelho”. É um método de reflexão participada que Francisco “deseja ver continuar muito para além da reunião dos bispos marcada para Roma em outubro de 2023”.










