Em Março de 2026, a Comissão Teológica Internacional da Igreja Católica, com aprovação do Papa Leão XIV, publicou o documento Quo Vadis Humanitas.
O texto é um alerta profético sobre os riscos da tecnologia quando ela perde de vista a dignidade humana; centra a inquietação em quatro pontos principais:
- Critica ao transhumanismo e Pós-humanismo, rejeitando a fusão entre humanos e máquinas;
- A inteligência artificial que deixou de ser apenas uma ferramenta, moldando o pensamento, as relações e até a Fé, tornando-nos danos colaterais de sistemas que não controlamos;
- Risco de o mundo ser governado por máquinas, alertando para a substituição do “Deus Vivo” por um “Deus Virtual”;
- Amnésia Cultural e Presente Eterno; as redes sociais a reduzirem o presente a um tempo sem memória, sem história, com risco d perdermos a identidade.

Quo Vadis Humanitas “é um alerta profético sobre os riscos da tecnologia quando ela perde de vista a dignidade humana” Foto © Instagram Padres Vicentinos
Já em Janeiro de 2025, o Dicastério para a Doutrina da Fé e para a Educação e cultura, tinha publicado “Antiqua et Nova”, um documento que aborda o desafio da inteligência artificial, como alerta ético e antropológico.
Neste documento são reconhecidos os benefícios da IA e são levantados alertas:
Ameaça à dignidade Humana, risco de idolatria, risco de aumento das desigualdades entre ricos e pobres, fim do pensamento crítico, perigo de desinformação e manipulação da opinião pública.
Esta sucessão de documentos, que se preocupam com a salvação, a sociabilidade da pessoa humana face à máquina, num tom que não é de proibição, como aconteceu em 1907 com o “De Luce Eléctrica” que regulava o uso de um objecto físico – o uso da eletricidade na Igreja.
O documento “De Luce Eléctrica”, foi um decreto da Santa Congregação dos Ritos, que proibia no Altar-Mor o uso de eletricidade juntamente com velas de cera e substituição destas por lâmpadas junto do Santíssimo Sacramento. A luz elétrica podia ser usada para “afastar as trevas” desde que não tivesse aparência teatral.
Em 1712 o rabi Hakham Tseni, da Sinagoga de Amesterdão, ensinava que uma criatura artificial – Golen – não podia ser contada para o minyam – grupo de oração.
Tseni disse que só uma pessoa, que se desenvolveu dentro de uma pessoa (Gen 9:6) é que contava; e que o Golem é uma criatura de barro sem alma, que nem sequer tem estatuto de animal.
Actualmente os judeus dividem-se sobre o uso de IA:
- Em 2023 o Tribunal Rabínico Skver Hassidin (Nova Iorque) declarou a IA, tal como a internet sem filtro e que é uma porta de entrada para heresias e depravação. Em consequência proibiu o uso de IA (Skever Hassidin).
- Outros rabinos declararam que a IA não é intrinsecamente má, se baseada no conceito de Klipat Noga (casca brilhante), argumentado que é neutra e depende do seu uso. Na sequência deste ensinamento criaram versões Kosher do Chat-GPT que bloqueia conteúdos religiosos ou impróprios.
A Conferência Central dos Rabinos Americanos concentrou-se em como usar a IA publicando em 2025 um documento proibindo os rabinos de assinarem sermões ou poemas gerados por IA sem o dizerem explicitamente.
Em meados do século XIX, a Sociedade Teosófica de Helena Blavatsky, propunha uma síntese entre ciência, religião e filosofia, que abriu caminho a ideologias de evolução das raças, em direcção a um ser divino e consciente.
Dessa corrente de pensamento emergiram as recentes ideias sobre o ser transhumano e o pós-humanismo, que propõem a criação de um super-homem imune à dor e a fusão dos humanos com máquinas. No conjunto destas recentes ideias emerge a Singularidade, entidade matemática, como um hipotético ponto no futuro, onde o progresso tecnológico será tão rápido que escapará à compreensão e controle humano. Um Deus tecnológico que substitui o Deus vivo.

O Patriarca Daniel da Roménia afirmou que a tecnologia é um Dom de Deus para a Humanidade e que só é problemática quando já não serve a Humanidade e tende substituí-la. Foto: Conferência de Tessalónica da Igreja Ortodoxa Grega © Vatican News
Em 2025, a Conferência de Tessalónica da Igreja Ortodoxa Grega, convidou líderes de várias Igreja para discutirem, como tema central, a natureza da IA e o seu lugar na criação.
No debate foi afirmado pelo Patriarca Daniel da Roménia que a tecnologia é um Dom de Deus para a Humanidade e que só é problemática quando já não serve a Humanidade e tende substituí-la.
Outros líderes enfatizaram que a IA é intrinsecamente limitada porque não pode adquirir a mente de Cristo, substituindo a oração e o ascetismo.
Na prática, as Igrejas Ortodoxas, criaram ferramentas em IA que são usadas activamente, como por exemplo para informar sobre história de certos lugares, ou como aplicações administrativas.
“Parem de pensar que o futuro cai do Céu. Levantem-se, trabalhem com as vossas mãos e tomem conta da vossa própria vida” (Tessalonissenses 3:12, 4:11-12).
Fontes
- A Doutrina Secreta, Helena Blavatsky, Alma dos Livros, 2025
- Antiqua et Nova, Vatican News / Discatério para a Doutrina da Fé, 365, 2025
- Artificial Intelligence and authorship, CCAR Press, 5784.2
- Como a IA veio à Luz no sec 18 em Amesterdam, Tablet, 15abril 2025
- Conferência de Tessalónica, Concelho Mundial das Igrejas, 27 nov.2025; Balkan Insight, 14 nov.2025.
- De Luce Eléctrica, Intermontain Catholic, 1909
- How Assidic Jews view AI, The Jerusalém Post, 6 Junho 2025
- Jewish Prespectives
- O Caminho Para a Imortalidade, Pedro Oliveira, Ciência Viva, 26 nov.2017
- Quo Vadis Humanitas?, Vatican News, 4 mar.2026
- Srtiving to be hman: jewish perspectives on twenty-firts-century challenges, Dec 2025
- The Times of Israel, 13Aug 2024The Reumanizing project: A jewish responsebto artificial intelligence, 29 Abr.2025
Alberto Teixeira é cristão ortodoxo
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