O padre Telmo Ferraz [da Obra da Rua/Casa do Gaiato] nasceu na aldeia de Bruçó, Mogadouro, na região de Trás-os-Montes. Pertencia à Diocese de Bragança e Miranda. Ordenou-se em 1951. Foi pároco em algumas paróquias da diocese, trabalhando muito afincadamente na Barragem do Picote, onde desenvolveu uma pastoral muito humanitária junto dos operários.

Padre Telmo Ferraz. Foto: DR
A partir de 1960, continuou esta pastoral, na barragem de Cambambe, em Angola. Em 1963, o padre Telmo fundou a Casa do Gaiato de Malanje (Angola), onde permaneceu até 2012, dedicando-se à formação de jovens em risco. Fazendo cem anos, em 2025, foi condecorado pelo Governo angolano pelo “papel e realce na luta, conquista e manutenção da paz, pelo desenvolvimento” daquele país.
Faleceu no dia oito de Outubro, 2026, com quase 101 anos.
Tem-se escrito muito sobre o Padre Telmo; diferentemente e mais que acerca de outros padres e bispos quando, também como ele, já nos deixaram.
Do Padre Telmo, falou-se, tal como destes, acerca dos cursos e doutoramentos que ele fez; das universidades que frequentou em Portugal ou no estrangeiro; das paróquias que ele fundou ou pastoreou; das aulas que deu e dos alunos que teve. Igualmente, acerca das igrejas e creches e lares que construiu ou dos altares que restaurou.
Das universidades destaco a do Evangelho; os doutoramentos foram as Bem-Aventuranças; as edificações que ele gizou e construiu ou os restauros que levou a cabo foram precisamente: “tinha fome, e sede; estava nu e doente; triste e só…” e deste-Me de comer, de beber; vestiste-Me, visitaste-Me; concretamente, andava pelas ruas, trouxeste-Me para a tua casa, deste-Me um teto, preparaste-Me para a Vida, para ser pessoa.
Certamente, Cristo o abraçou, talvez, não tanto pelas Missas que celebrou, pelas orações que fez… mas mais pela Palavra que levou e administrou, por estas edificações que levantou, por estes restauros que levou a cabo porque cumpriu o imperativo do Mestre: “Ide por todo o mundo, levai a Boa Nova, fazei discípulos…”, praticando, caminhando o primeiro dos caminhos: “o que fizerdes ao mais pequeno dos meus irmãos, a Mim o fizestes”; primeiro caminho que nos leva directamente ao Pai, mesmo aqueles que, na Terra, O não conheceram, nem seguiram.
“Vinde, benditos do meu Pai.”
Serafim Falcão é professor aposentado do Ensino Secundário e autor de A Alegria do Evangelho na nossa Paróquia, baseado, motivado e inspirado na exortação apostólica do Papa Francisco. Contacto: s.m.falcao@gmail.com
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