Estudo norte-americano revela

Padres sob pressão, sem confiança nos bispos e com medo de falsas acusações

| 20 Out 2022

padre a celebrar missa foto rodnae productionspexels

O relatório indica que a maioria dos padres se apoia mais nos seus paroquianos e amigos leigos quando precisa de ajuda do que nos seus bispos. Foto © Rodnae Productions / Pexels.

 

Um estudo que afirma ser fruto da maior sondagem realizada a padres católicos nos Estados Unidos da América (EUA) nos últimos 50 anos concluiu que, apesar dos níveis de bem-estar e realização pessoal serem relativamente altos entre a classe, há uma percentagem significativa de sacerdotes com sintomas de esgotamento, desconfiança em relação aos seus bispos, e que receiam ser falsamente acusados de má conduta.

Conduzido pelo The Catholic Project (um grupo de académicos da Universidade Católica da América) e apresentado aos jornalistas esta quarta-feira, 19 de outubro, o estudo teve por base as respostas de 3.516 padres a exercer o seu ministério em 191 dioceses nos EUA, dos quais 100 foram entrevistados em profundidade.

De acordo com as respostas obtidas, o grupo de investigadores concluiu que há “indícios de esgotamento entre os padres mais jovens, falta de confiança nas proteções existentes no âmbito dos processos de acusações de má conduta e uma correspondente falta de confiança nos bispos, que passaram a ser vistos menos como pais e irmãos do que como administradores”.

O relatório identificou elevados níveis de bem-estar entre os padres, sendo que 77% podem ser classificados como “florescentes”, tendo por base o Harvard Flourishing Index (um índice gerado pela Universidade de Harvard para medir o bem-estar e satisfação humanos). “A formação sacerdotal equipa os padres com práticas regulares para cultivar a proximidade com Deus e relacionamentos saudáveis ​​nas suas comunidades. Tais práticas são contributos importantes para o bem-estar dos padres”, observa o relatório.

Mas esses níveis de bem-estar contrastam com a pressão que muitos revelaram sentir durante as entrevistas. “Encontrámos ampla evidência dos seus desafios e estresses. Alguns dos elementos estressores contribuem para o esgotamento no ministério sacerdotal”, afirma o documento.

De acordo com o estudo, 45% dos padres relataram pelo menos um sintoma de esgotamento relativo ao seu ministério, registando-se neste campo uma diferença significativa entre o número de padres diocesanos que o fez (50%) e o de padres pertencentes a uma congregação (33%).

 

“Não lhe telefonaria mais do que a um qualquer estranho na rua”

Quanto aos níveis de confiança nos superiores, “os padres diocesanos relatam níveis significativamente mais baixos de confiança nos seus bispos do que os padres religiosos nos seus superiores maiores”. Relativamente à confiança nos bispos dos EUA como um todo, é baixa entre os padres em geral, com “apenas 24% a expressar confiança na liderança e na tomada de decisões dos bispos”, destaca o relatório.

“Acho que a maioria dos padres não confia nos bispos… Eles conseguem parecer imperiosos, sabe… Agindo com arrogância, como se estivessem acima da lei…”, justificou um padre diocesano na sua entrevista.

Além dos padres, houve também 131 bispos que responderam ao inquérito, e o estudo identificou uma disparidade entre as percepções de ambos. Do lado dos bispos, 92% disseram que ajudariam “muito bem” um padre que estivesse a lidar com “lutas pessoais”, enquanto que apenas 36% dos padres afirmaram isso dos seus bispos.

O relatório indica ainda que a maioria dos padres se apoia mais nos seus paroquianos e amigos leigos quando precisa de ajuda do que nos seus bispos. “Eu, pessoalmente, não confio no meu bispo”, disse claramente outro padre entrevistado. Caso precisasse de ajuda “não lhe telefonaria mais do que a um qualquer estranho na rua”.

 

Política de “tolerãncia zero” demasiado dura

A temática dos abusos sexuais foi também abordada no estudo, sendo que 90% dos padres veem as suas dioceses como tendo uma forte cultura de segurança e proteção infantil, e quase 70% dos padres diocesanos encaram-na como uma demonstração positiva dos valores da Igreja, que consideram importante para a reconstrução da confiança na mesma.

Paralelamente, todavia, 40% dos padres vê a política de “tolerância zero” para as más condutas como demasiado dura, e muitos temem que uma alegação falsa de abusos sexual possa arruinar a sua reputação. Entre os padres pesquisados, a grande maioria – 82% – disse que teme regularmente falsas alegações. E, como disse um dos padres diocesanos aos investigadores, “viver com medo constante de uma acusação que ponha fim à vida definitivamente coloca uma nuvem sobre o sacerdócio”.

 

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