
“Não é o ativismo que salva, mas a atenção sincera e generosa que me permite aproximar dum pobre como de um irmão que me estende a mão para que acorde do torpor em que caí”, escreve Francisco na sua mensagem para o VI Dia Mundial dos Pobres. Foto: Vatican Media.
Com o aproximar do Dia Mundial dos Pobres, que se assinala este domingo, 13 de novembro, as iniciativas do Vaticano multiplicam-se. Contas de gás e luz dos mais necessitados serão pagas, cinco mil famílias receberão cabazes de alimentos e um posto de saúde móvel já está montado na Praça de São Pedro e a realizar consultas, exames e vacinas gratuitamente. A data, instituída pelo Papa em 2016, parece fazer cada vez mais sentido. Na sua mensagem para este ano, Francisco denuncia a “insensatez da guerra”, que gera novas formas de pobreza, atingindo em particular “as pessoas indefesas e frágeis”.
Sendo a crise energética uma das consequências da guerra, com o o consequente aumento dos preços da luz e gás em Itália, o Papa Francisco, através do Dicastério para a Evangelização, decidiu que, este ano, uma das formas de apoiar as famílias mais necessitadas seria assegurando o pagamento das suas faturas de energia, avança o Vatican News.
Além disso, serão distribuídos cinco mil cabazes alimentares pelas diferentes paróquias de Roma que os solicitaram para as suas famílias mais carenciadas. Dez toneladas de massa, cinco toneladas de arroz, farinha, açúcar, sal e café, e ainda cinco mil litros de óleo e leite, foram arrecadados pelo Vaticano para assegurar esta ação.
E como, associada à pobreza, está muitas vezes a dificuldade, ou mesmo impossibilidade, de acesso à assistência médica, começou a funcionar na Praça de São Pedro, desde o início da semana, um posto de saúde móvel que disponibiliza gratuitamente consultas de clínica geral, testes de covid, hepatite C, HIV e tuberculose, análises ao sangue, eletrocardiogramas e vacinação contra a gripe.
Iniciativas que pretendem colocar em prática o que Francisco escreveu na sua mensagem para o Dia Mundial dos Pobres deste ano: “a solidariedade é precisamente partilhar o pouco que temos com quantos nada têm, para que ninguém sofra. Quanto mais cresce o sentido de comunidade e comunhão como estilo de vida, tanto mais se desenvolve a solidariedade”.
“Como membros da sociedade civil, mantenhamos vivo o apelo aos valores da liberdade, responsabilidade, fraternidade e solidariedade; e, como cristãos, encontremos sempre na caridade, na fé e na esperança o fundamento do nosso ser e da nossa atividade”, pediu o Papa.
Inspirado nas palavras do apóstolo Paulo aos cristãos de Corinto, “Jesus Cristo (…) fez-Se pobre por vós” (2 Cor 8, 9), Francisco insiste que é essencial acolher este exemplo para dar “expressão concreta e coerente à nossa fé”.
“No caso dos pobres, não servem retóricas, mas arregaçar as mangas e pôr em prática a fé através dum envolvimento direto, que não pode ser delegado a ninguém”, alerta na sua mensagem, salvaguardando que “não se trata de ter um comportamento assistencialista com os pobres, como muitas vezes acontece; naturalmente é necessário empenhar-se para que a ninguém falte o necessário. Não é o ativismo que salva, mas a atenção sincera e generosa que me permite aproximar dum pobre como de um irmão que me estende a mão para que acorde do torpor em que caí”.
E Francisco dá o exemplo: este domingo, depois de celebrar missa na Praça de São Pedro, juntar-se-á a 1.300 sem-abrigo, sentando-se à mesa com eles para partilharem o já tradicional almoço de Dia Mundial dos Pobres, na aula Paulo VI.









