
Polícia tem atuado de forma violenta contra protestos pacíficos em Moçambique. Foto © CDD Moçambique
O Papa mostrou-se este domingo preocupado com a situação em Moçambique, apelando à defesa da democracia e da paz no país lusófono.
“As notícias que nos chegam de Moçambique são preocupantes. Convido todos ao diálogo, à tolerância e à procura incessante de soluções justas”, disse, desde a janela do apartamento pontifício, após a recitação do ângelus.
“Rezemos por toda a população moçambicana, para que a situação atual não faça perder a confiança no caminho da democracia, da justiça e da paz”, apelou, perante milhares de pessoas reunidas na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Após o anúncio dos resultados das eleições de 9 de outubro, em Moçambique, com a vitória atribuída a Daniel Chapo, apoiado pela Frelimo, partido no poder desde 1975, foram promovidos uma série de protestos, convocados pelo candidato presidencial Venâncio Mondlane.
Mondlane diz não reconhecer os resultados, que ainda têm de ser validados e proclamados pelo Conselho Constitucional.
Os protestos nacionais concluíram-se com uma manifestação concentrada na capital do país, na última quinta-feira; pelo menos três pessoas foram mortas e 66 ficaram feridas durante confrontos entre manifestantes e a polícia, anunciou o Hospital Central de Maputo (HCM), havendo já notícias que dão conta de mais de 30 mortos, de acordo com organizações da sociedade civil.
O Papa renovou também os seus apelos à solidariedade e oração com a população de Valência, afetadas pelas cheias de 29 de outubro, que provocaram centenas de mortos e desaparecidos, além de elevados danos materiais.
“Renovo a minha recordação pelas populações de Valência e de outras partes de Espanha, que se debatem com as consequências das cheias. Faço uma pergunta: rezam por Valência? Já pensaram em dar algum contributo para ajudar essas pessoas?”, disse Francisco, na mesma ocasião.










