
O congressista republicano Mike Johnson (à direita), durante uma visita ao hospital da ONG Christus Health, em agosto. Foto: Direitos reservados, via @RepMikeJohnson
O congressista republicano do estado do Luisiana (EUA), Mike Johnson, glosou a epístola de São Paulo aos Romanos no seu primeiro discurso depois de ter sido eleito presidente da Câmara dos Representantes para afirmar que a sua escolha era obra de Deus: “Acredito que as Escrituras, a Bíblia, são muito claras: Deus é quem ergue aqueles que têm autoridade”.
Eleito no dia 25 de outubro após semanas em que a dividida maioria republicana não conseguiu designar o presidente da Câmara, Johnson foi buscar o texto de São Paulo [“não há autoridade que não venha de Deus. As autoridades que existem foram estabelecidas por Deus” (Rom 13,1)] para fundamentar a afirmação de que a sua eleição fora obra de Deus.
Mike Johnson, um cristão evangélico ultraconservador conhecido por, segundo o Religion News Service, rejeitar repetidamente as interpretações mais comuns da separação entre Igreja e Estado, declarando que “os pais fundadores queriam proteger a igreja de um Estado subjugador, e não o contrário”, incluiu inúmeras referências religiosas nos seus primeiros discursos. Recordou, nomeadamente, como o lema “In God We Trust” [A nossa confiança está em Deus] foi colocado na Congresso, referiu a representação de Moisés na parede da Câmara e destacou o uso do termo “Criador” na Declaração da Independência.
De acordo com a CNN, Johnson publicou anteriormente vários textos em que condenava a homossexualidade como um “estilo de vida inerentemente antinatural” e “perigoso” que poderia levar ao colapso de “todo o sistema democrático”.
Mas não é o seu conservadorismo a raiar o fundamentalismo religioso que mais preocupa os observadores políticos em Washington. Os fortes laços que ligam o novo presidente da Câmara dos Representantes ao ex-Presidente Donald Trump fazem temer, tendo em conta as ligações de Trump a Putin e a ambiguidade que o ex-Presidente manifesta perante a política de agressão da Rússia, que a liderança de Mike Johnson coloque numerosos obstáculos ao apoio dos EUA à Ucrânia.









