O propósito não é criar mais uma estrutura nacional, centralizada ou burocrática. Querem “aproximar pessoas, dioceses, movimentos, projetos, comunicadores e instituições que vivem, ou desejam viver, a missão da Igreja nos ambientes digitais”, disse ao 7MARGENS o padre Manuel Ribeiro, presidente da comissão organizadora da Rede Nacional dos Missionários Digitais de Portugal. O primeiro encontro da rede acontecerá a 26 de setembro. Mas a apresentação pública da iniciativa é já na próxima segunda-feira, em Alfândega da Fé.
Esta é “a primeira iniciativa nacional que pretende unir dioceses, paróquias, movimentos, criadores de conteúdos e influenciadores católicos numa missão comum: humanizar a cultura digital e anunciar a esperança”. E querem ser, segundo o padre Ribeiro, “facilitadores de processos de encontro, escuta, formação, comunhão e colaboração”. Numa primeira fase, o caminho será dinamizado pela comissão organizadora e pelas entidades promotoras do encontro Missionários Digitais 2026. Mas pretendem que “o desenvolvimento futuro seja construído de forma participada e sinodal, com o contributo dos diferentes projetos e parceiros envolvidos”.
Pensam, com esta iniciativa, responder “ao apelo do Papa Leão XIV feito aos missionários digitais” e assinalar “um novo passo da Igreja em Portugal” para “levar a sua missão aos espaços onde hoje milhões de pessoas comunicam e constroem relações: as redes sociais, os podcasts e os restantes ambientes digitais”.
O padre Ribeiro reforça a ideia de que “mais do que gerir uma rede”, quer “facilitar um processo de comunhão”, onde cabem todos os que “desejem contribuir para uma presença mais humana, ética, responsável e missionária nos ambientes digitais”. Para aderir à rede bastará identificar-se “com uma visão comum: compreender o digital como um espaço de encontro, diálogo, verdade, esperança, dignidade humana e construção do bem comum”.
“Quem participar deverá respeitar a dignidade de cada pessoa, rejeitar a violência, a desinformação e o discurso de ódio, e reconhecer que a comunicação não pode ser reduzida à procura de visibilidade, influência ou seguidores”, sublinha o padre Ribeiro. Para ele, o objetivo a perseguir é o de “valorizar a diversidade das iniciativas existentes, sem as uniformizar ou substituir, criando pontes entre quem já realiza um trabalho significativo e quem deseja iniciar esse caminho”.
Com esse fim, os promotores vão procurar “criar condições para que os missionários digitais se encontrem, se conheçam, aprendam uns com os outros e possam desenvolver iniciativas em conjunto”. E a rede vai proporcionar “momentos de formação, encontros nacionais e regionais, espaços de escuta e discernimento, partilha de boas práticas, divulgação de recursos, colaboração entre projetos e apoio mútuo entre pessoas e instituições que trabalham nos ambientes digitais”.
Ligar pessoas

“As tecnologias ligam dispositivos; a missão e a comunhão ligam pessoas.” Foto © Miguel Veiga.
Segunda, dia 20, na apresentação da iniciativa aos jornalistas, usarão da palavra representantes dos principais apoiantes do encontro de Missionários Digitais 2026: o padre Manuel Ribeiro, presidente da Fundação Cónego Manuel Joaquim Ochôa; Paulo Neves, administrador da mesma fundação; Telmo Mesquita, presidente da Associação Comercial e Industrial de Alfândega da Fé; José Monteiro, diretor do agrupamento de escolas de Alfândega da Fé; e Maria Manuel Silva, vice-presidente da Câmara Municipal de Alfândega da Fé.
O padre Manuel Ribeiro confessou ao 7MARGENS esperar que seja possível, nesse dia 26 de setembro, “recolher os contributos dos participantes e começar a elaborar a Proposta de Alfândega da Fé para a Missão Digital”. Este não será “um documento fechado, ou definitivo”, procurando antes ser “um texto de trabalho com linhas orientadoras sobre a presença da Igreja no ambiente digital, a dimensão missionária e sinodal dessa presença e a necessidade de contribuir para uma cultura digital mais humana e humanizadora”.
Enquanto proposta, o texto “ficará aberto à avaliação, à correção e ao enriquecimento” dos participantes da rede. Só assim resultará “de um trabalho verdadeiramente comunitário, capaz de crescer à medida que o caminho se desenvolve”. A mesma lógica participativa orientará a continuidade do encontro: “no encerramento da edição de 2026, desejamos desafiar outra diocese a acolher e organizar a edição de 2027, permitindo que esta iniciativa percorra o país, envolva progressivamente diferentes comunidades e se torne um processo nacional de reflexão e comunhão em torno da missão da Igreja no mundo digital.”
Em síntese, remata o padre Ribeiro: “Não queremos criar apenas mais uma organização. Queremos iniciar um caminho comum. As tecnologias ligam dispositivos; a missão e a comunhão ligam pessoas.”










