O cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus (Brasil), assegura que o Sínodo da Amazónia, convocado pelo Papa Francisco em 2019, está a ter continuidade, mas mostra-se menos otimista em relação aos avanços que possam surgir da COP30, que terá lugar de 10 a 21 de novembro deste ano na cidade de Belém, no estado do Pará.
Em declarações aos jornalistas após o Encontro de Bispos da Amazónia, que decorreu na última semana, Leonardo Steiner assinalou que aquele evento foi, ele próprio, um sinal dessa continuidade, e garantiu: “Queremos dar continuidade ao Sínodo para a Amazónia. O Sínodo convocado pelo Papa Francisco tem continuidade. A maior continuidade veio com a criação do Conselho Eclesial da Conferência Eclesial Pan-Amazónica. A CEAMA é um fruto do Sínodo. Uma Igreja sinodal, uma Igreja que se ajuda, uma Igreja que sabe escutar, uma Igreja profundamente encarnada, uma Igreja profundamente inculturada”. O cardeal enfatizou depois que a CEAMA “envolve não apenas os bispos, mas também a vida religiosa, os sacerdotes, os diáconos, os leigos e os povos indígenas “, num espírito de autêntica sinodalidade.
Também presente na conferência de imprensa, o bispo de Florencia (Colômbia), Omar Mejía, expressou por seu lado a alegria da Igreja Colombiana por ter sediado este encontro: “É uma grande oportunidade para reenergizar e revitalizar. Como Igreja Colombiana, vamos realmente dar vida aos quatro sonhos do Papa Francisco: o sonho social, o sonho eclesial, o sonho cultural e o sonho ecológico”, afirmou, destacando o compromisso das 14 províncias eclesiásticas do país em apoiar as jurisdições amazónicas mais necessitadas.
Já quanto à COP30, que muito em breve terá lugar no coração da Amazónia, o cardeal Steiner lembrou que o processo preliminar é fundamental: “A preparação para a COP30 é o que conta”. E enfatizou a importância do diálogo que tem estado a decorrer entre a Igreja, os povos indígenas e os diversos setores da sociedade, pois são eles que “dão substância” às propostas ambientais.
Há também a “expectativa de implementar as decisões já tomadas no passado: manter o aquecimento global abaixo de 1,5 graus, e também a criação do fundo para o meio ambiente”, assinalou, alertando que os efeitos das alterações climáticas já se fazem sentir e lamentando que alguns países não estejam a cumprir compromissos previamente assumidos.
“Pessoalmente, não tenho grandes expectativas, porque participei na COP de Paris e vi como as questões já chegam discutidas (…), mas isso não significa que não tenhamos que nos esforçar. Temos que nos empenhar e muito, porque este é um momento em que podemos dar visibilidade à questão, o que pode ajudar”, afirmou, defendendo que a Igreja precisa de continuar a assumir um papel relevante nessa consciencialização social. “Se conseguirmos despertar as pessoas [para a gravidade da crise climática], já será um grande ganho”, concluiu.







