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Soro Sali, 39, at the regional hospital of Korhogo, Côte d’Ivoire. Soro’s sister-in-law died giving birth to triplets, so she and her three sisters are taking care of the 10-day-old babies. Photograph_ Frank Dejong

Seis mil crianças podem vir a morrer por dia devido ao impacto da pandemia

| 15/05/2020

Seis mil crianças podem vir a morrer por dia devido ao impacto da pandemia

by | 15 Mai 20

Soro Sali, 39, at the regional hospital of Korhogo, Côte d’Ivoire. Soro’s sister-in-law died giving birth to triplets, so she and her three sisters are taking care of the 10-day-old babies. Photograph_ Frank Dejong

Soro Sali, 39 anos, no hospital regional de Korhogo (Costa do Marfim). A cunhada de Soro morreu ao dar à luz tri-gémeos; Soro e as suas três irmãs estão a cuidar dos bebés: os serviços pré e pós-parto estão entre os serviços mais afetados pela pandemia, alerta a Unicef. Foto © Frank Dejong/UNICEF

 

Os números baseiam-se num estudo da universidade norte-americana Johns Hopkins, e são citados num comunicado da Unicef, divulgado quarta-feira, 13 de maio. Mas não ficam por aqui: no mesmo período, a pandemia poderá também provocar indiretamente a morte de 56.700 mulheres, devido à falta de acompanhamento antes e depois do parto, além das 144.000 vítimas já contabilizadas, em média, por semestre.

Este balanço, a confirmar-se, aniquilaria “décadas de progresso na redução das mortes evitáveis de mães e crianças”, lamentou a diretora da Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), Henrietta Fore. “Não podemos deixar as mães e crianças serem vítimas colaterais do combate ao vírus”, apelou a responsável.

De acordo com o estudo da Universidade Johns Hopkins, publicado na revista The Lancet Global Health, a necessidade de dar resposta aos doentes de covid-19 está a perturbar as cadeias de aprovisionamento de medicamentos e o acesso a alimentos nos países com sistemas de saúde mais frágeis.

Além disso, as medidas de combate à disseminação do novo coronavírus, como o confinamento ou as restrições nas deslocações, e o receio de contágio das populações, reduzem as visitas aos centros de saúde e fazem diminuir o recurso a procedimentos médicos essenciais.

Entre os serviços afetados estão o planeamento familiar, os cuidados pré e pós-natais, os partos, a vacinação e os serviços de prevenção e cuidados de saúde, indica a Unicef.

Na nota, a organização sublinha ainda que mais de 117 milhões de crianças em 37 países poderão não ter sido vacinadas contra o sarampo, até meados de abril, por causa da interrupção nas campanhas de vacinação, provocada pela pandemia.

As regiões mais afetadas são o sul da Ásia, a África subsariana e a América do Sul, com falhas particularmente graves no Bangladesh, Índia, Brasil, República Democrática do Congo e Etiópia.

A análise, que equaciona três cenários possíveis, revelou que mesmo no mais otimista, em que os serviços de saúde sofrem uma redução de apenas 15%, pode haver um aumento de 9,8% das mortes em crianças com menos de cinco anos, o que corresponde a um número estimado de 1.400 por dia, e um crescimento de 8,3% na morte de mães.

 

Uma “corrida contra o tempo”

Perante este cenário, a Unicef lançou uma campanha para angariar cerca de 1,49 mil milhões de euros, com o objetivo de combater as “consequências económicas devastadoras” da covid-19 junto das crianças.

Em finais de março, a organização tinha já pedido donativos na ordem dos 602 milhões de euros, um valor agora aumentado para quase o triplo, por causa da “subida dramática dos preços” dos bens necessários, segundo a organização.

Até ao momento, a Unicef recebeu cerca de 231 milhões de euros para financiar as ações de resposta ao novo coronavírus. Esse montante foi aplicado em campanhas com mensagens de prevenção, que terão chegado a 1,67 mil milhões de pessoas, apontou a organização.

Além disso, o Fundo ajudou 12 milhões de pessoas no acesso a serviços básicos de água, saneamento e higiene, tendo ainda distribuído mais de 6,6 milhões de luvas, 1,3 milhões de máscaras cirúrgicas e 34.500 testes de covid-19, entre outros equipamentos e material de proteção.

Cerca de 80 milhões de crianças beneficiaram ainda de ensino à distância graças à organização internacional, enquanto 11 milhões de crianças e mulheres receberam cuidados de saúde em clínicas apoiadas pela mesma, de acordo com a nota.

Há no entanto, muito ainda a fazer: “Esta é uma corrida contra o tempo”, alerta Henrietta Fore. “Precisamos das ideias, recursos, criatividade e coração de todos.”

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