
O Islão deu a São Tomás de Aquino motivação doutrinal para criar a Suma Teológica. Foto: Direitos Reservados.
Devemos ao Islão e aos filósofos muçulmanos Avicena (séc. X-XI) e Averróis (séc. XII) terem mantido a cadeia de transmissão da obra de Aristóteles, sem a qual dificilmente obras-primas da literatura e do pensamento como a Suma Teológica ou a Divina Comédia teriam sido concebidas e realizadas.
A sugestão e proposta vem do padre e teólogo italiano Pino Lorizio que lecciona na Universidade de Latrão, num artigo publicado este sábado, 27, na revista Famiglia Cristiana, de Itália.
Pino Lorizio começa por comentar algumas polémicas surgidas nos media, a propósito da evocação dos 700 anos da Divina Comédia, de Dante Alighieri, relacionadas em particular com as referências a Maomé no livro do Inferno e com a eventual inspiração na escatologia islâmica da sua visão do destino do ser humano após a morte.
É, porém, a influência do pensamento islâmico na cultura cristã do ocidente medieval que mais lhe interessa. Verifica-se que Dante coloca Averróis e Avicena num limbo (Inferno, IV, 144) que o autor não deixa perceber se será superado no julgamento universal. Contudo, explica Pino Lorizio, “sabemos bem que, sem a influência do pensamento árabe, o de Aristóteles não teria penetrado no Ocidente medieval”.
Explica deste modo o seu argumento: “Através do comentário da ‘Metafísica’, feito por Averrois, e do ‘De anima’, por Avicena, não poderíamos ter saciado a sede com a lição de Tomás de Aquino, de quem ‘Fides et Ratio’ diz: “Um lugar muito especial neste longo caminho pertence a São Tomás, não só pelo conteúdo da sua doutrina, mas também pela relação dialógica que conseguiu estabelecer com o pensamento árabe e judeu de seu tempo” (n. 43).









