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Maria Francisca Silva

“Síganse manteniendo en las olas del amor, en las olas de la caridad”

JMJ. Voluntárias

“Que os ecos desta JMJ me movam, nos movam, a responder ao pedido do Papa: síganse manteniendo en las olas del amor, en las olas de la caridad, sean surfistas del amor! Foto: Voluntárias no Campo da Graça. © Nuno Moreira JMJ 2023

 

Regressada a casa, olho para trás e (re)vejo, saboreio, o caminho percorrido.

O meu sonho de ser voluntária na Jornada Mundial da Juventude (JMJ) começou em 2019, quando o Papa Francisco, no Panamá, anunciou que a edição seguinte seria em Portugal. Depois de ter participado como peregrina em duas JMJ – Madrid em 2011 e Cracóvia em 2016 – senti que tinha chegado o momento de contribuir de alguma forma para um evento que tanto me marcou.

A JMJ é uma oportunidade única de encontro com Cristo – nas celebrações com o Papa, nas catequeses ou no cruzamento (silencioso ou ruidoso) com jovens de todo o Mundo, todos reunidos partilhando a mesma fé e alegria em Jesus.

Assim, tomei a decisão de ser as mãos de Jesus a partir do que sei fazer: ser voluntária médica nas JMJ. Pelo caminho, aceitei o desafio de ser um dos elementos de ligação da Comunidade de Vida Cristã à equipa central de voluntários (ou seja, ajudar na angariação, divulgação e inscrições dos voluntários e do seu acompanhamento).

Entre reuniões e formações, à medida que a data se aproximava, mais real o sonho ficava – até se tornar bem vivo quando fui levantar as minhas credenciais de voluntária à Universidade Católica.

E, de repente, estava, todos estávamos na JMJ – mochila preparada, horários dos turnos e aplicações de trabalho no telemóvel, powerbank carregada para tantas conversas de Whatsapp necessárias à gestão do dia a dia daquela semana e… fotografias, claro! Que fiz naqueles dias intensos de espiritualidade e calor? Acolher cada pessoa com um sorriso, ouvir as suas queixas – falando outra língua ou recorrendo a quem traduzisse – para ajudar no que pudesse. Médicos, médicos internos de especialidade e de ano comum, estudantes de medicina, enfermeiros e estudantes de enfermagem, farmacêuticos, fisioterapeutas, socorristas – equipas multidisciplinares formadas para cada turno, o que constituiu um desafio e uma oportunidade de trabalharmos em conjunto para o mesmo: cuidar de quem precisasse de assistência.

Foram dias de trabalho intenso, dias de dormir pouco e no dia seguinte estar disposta para mais um turno. Dias de encontro e reencontro, com Deus e com os outros.

No final deste caminho, sinto o sabor da gratidão e da alegria. Gratidão por tanta graça recebida, porque há realmente mais em dar do que em receber. Alegria de me saber enviada juntamente com milhares de jovens como eu pelo Mundo. Tal como disse o Papa Francisco no encontro final com os voluntários: “Experimentámos que um pequeno ‘sim’ a Jesus pode mudar a vida; mas também o ‘sim’ dito aos outros nos faz bem, quando tem em vista o serviço.”

Viver uma JMJ é uma experiência que marca e que (re)abre portas e janelas no caminho da vida de cada um. Viver uma JMJ como voluntária fez ressoar em mim a centralidade da disponibilidade para o serviço do viver cristão: ser as mãos, pés e rosto de Jesus nas pequenas coisas quotidianas –  em casa, no trabalho, com os amigos – e onde seja necessário. Que os ecos desta JMJ me movam, nos movam, a responder ao pedido do Papa: “síganse manteniendo en las olas del amor, en las olas de la caridad, sean surfistas del amor!”

 

Maria Francisca Silva é médica interna de Medicina Geral e Familiar em Lisboa. Integra a Comunidade de Vida Cristã (CVX), movimento de leigos ligado à espiritualidade inaciana. Desde 2020 participa em atividades de voluntariado com as Irmãs Oblatas do Santíssimo Redentor, no Intendente (Lisboa).

 

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