O novo livro de António Caseiro Marques, Inquieto, mas Crente, será apresentado esta quarta-feira, 17 de junho, pelas 21h30, no Centro Cultural Regional de Vila Real. A obra reúne mais de cinquenta textos publicados ao longo dos anos pelo autor, militante da Ação Católica Rural (ACR), desde meados da década de 1980, nos quais cruza a reflexão sobre a vida em Igreja com questões sociais, culturais, económicas e políticas.
O título do livro traduz uma atitude que atravessa toda a obra: uma inquietação perante os desafios do tempo presente, sustentada por uma fé que procura compreender e intervir na realidade. Logo na introdução, António Caseiro Marques – que tem também colaborado com o 7MARGENS – sublinha o impacto do Concílio Vaticano II na abertura da Igreja ao mundo e destaca o papel dos movimentos de leigos na formação de uma opinião pública eclesial mais participada, inspirada pelos documentos conciliares e pelo magistério dos últimos papas.
Entre os temas abordados nos diferentes textos, incluem-se o papel dos leigos, a vida das comunidades diocesanas, a nova evangelização, a relação da Igreja com os jovens, a ecologia, o diálogo inter-religioso, os divorciados recasados ou a necessidade de renovação das estruturas eclesiais. A partir da atualidade religiosa, o autor procura também refletir sobre questões que marcam a vida das sociedades contemporâneas, defendendo que os cristãos não podem permanecer indiferentes aos problemas do seu tempo.
Um dos núcleos da obra é dedicado ao processo sinodal promovido pelo Papa Francisco. António Caseiro Marques inclui vários textos relacionados com a caminhada sinodal, entre os quais reflexões resultantes da sua participação em grupos de trabalho da primeira fase do Sínodo sobre a Sinodalidade, dos quais foi relator.
A experiência na Ação Católica Rural ocupa igualmente um lugar de destaque no livro. Antigo dirigente diocesano e nacional deste movimento, o autor apresenta propostas e reflexões sobre o seu papel na Igreja e na sociedade, defendendo a valorização do apostolado dos leigos e a sua presença nos diversos espaços da vida pública.
No prefácio, Flausino Silva, também militante e antigo dirigente da ACR, destaca “a fibra de militante” de António Caseiro Marques e a sua ação constante nos campos eclesial, cívico, social, político e cultural. Entre os exemplos dessa intervenção refere a fundação do jornal Notícias de Vila Real e o conjunto de obras anteriormente publicadas pelo autor.
Já no posfácio, o professor universitário José Carlos Gomes da Costa identifica nas páginas do livro “o desassossego” que habita o seu autor, uma inquietação que nasce da observação crítica da realidade e que encontra raízes na metodologia da Ação Católica Rural. Mais do que um conjunto de artigos dispersos, considera, a obra revela um percurso de compromisso e reflexão que procura articular fé, cidadania e participação eclesial.
A apresentação de Inquieto, mas Crente constitui, assim, uma oportunidade para conhecer o pensamento e o percurso de um leigo profundamente ligado à vida da Igreja e ao movimento da Ação Católica Rural, reunindo textos que testemunham décadas de intervenção cívica e eclesial.










