
A Casa de Santa Rafaela Maria, em Palmela, estará de portas abertas para todos os que queiram participar no colóquio deste sábado. Foto © Irene Guia
Estamos neste mundo, não há dúvida. Mas como nos relacionamos com ele? E qual o nosso papel nele? “Estou neste mundo como num grande templo”, disse Santa Rafaela Maria, fundadora das Escravas do Sagrado Coração de Jesus, em 1905. A frase continua a inspirar as religiosas da congregação e, neste ano em que assinalam o centenário da sua morte, “a mensagem não podia ser mais atual”, garante a irmã Irene Guia ao 7MARGENS. Por isso, foi escolhida para servir de mote a uma tarde de reflexão que contará com oradores de diferentes áreas e para a qual todos, “mesmo todos”, estão convidados. Será este sábado, 22 de junho, às 15 horas, na Casa de Oração Santa Rafaela Maria, em Palmela, e as inscrições ainda estão abertas.
“Ela escreveu esta frase nuns exercícios espirituais que fez numa fase difícil da sua vida. Entrou para o retiro um bocadinho em baixo, mas depois sentiu-se revigorada, e usou esta expressão de estar no mundo como num grande templo, e ainda acrescentou: ‘como tal, devo ser sacerdote nele e oferecer sacrifícios de louvor'”, explica Irene Guia. E sublinha: “Esta é uma frase completamente antes do seu tempo, para não dizer que é antes do nosso tempo! Nos últimos dez anos, com a [encíclica] Laudato Si’, com a Fratelli Tutti, e com tudo o que tem acontecido no mundo, esta frase ganha ainda mais sentido, e não tem de ser necessariamente uma declaração de fé”.
De resto, o objetivo do colóquio é também mostrar que “a noção do templo é muito abrangente” e que “é possível um diálogo com pessoas muito diferentes, em que podemos encontrar-nos nesta frase”, assinala a religiosa. Precisamente por isso, “no programa desta tarde, não há o protagonismo de nenhuma escrava”. As irmãs abrirão as portas da sua casa, onde querem que todos se “sintam em casa”, e estarão sobretudo no papel de escutar as partilhas daqueles que convidaram para falar neste encontro, e dos diálogos que daí possam surgir.
Vozes diferentes, da economia às artes, e sem esquecer os que não têm voz

As religiosas querem promover o diálogo, e que todos se “sintam em casa”. Foto © Irene Guia
A primeira partilha será a de Susana Réfega, que desde janeiro é a diretora-executiva do Movimento Laudato Si’. “Pelo facto de estar à frente deste movimento internacional, com milhares de membros, pedimos-lhe uma voz global, e algumas indicações sobre onde estamos e para onde caminhamos, bem como o seu olhar reparador”, adianta Irene Guia. Seguir-se-á Ana Mira Vaz, diretora pedagógica do Colégio Pedro Arrupe, “que se interessa muito pelo papel da interioridade na educação… e não é possível olhar para o mundo como um templo se não trabalharmos a interioridade, se a descurarmos como dimensão fundamental da educação e do crescer”.
O colóquio contará também com a intervenção de Rita Sacramento Monteiro, do movimento Economia de Francisco, que “tem sido uma construtora de pontes”. “A ela, pedimos-lhe que nos fale deste outro tipo de economia, e sobretudo desta maneira de estar na vida, estabelecendo o diálogo, que é fundamental para a paz”, refere Irene Guia.
E porque “uma reflexão destas pede artes, desafiámos também a Daniela Vieitas, atriz, que trabalhou numa ONG em Angola na área da promoção dos direitos humanos, e o João Maria Carvalho, que estudou Música, Literatura e Filosofia, faz parte da Comunidade Casa Velha, e tem tentado aprofundar a relação entre ecologia e espiritualidade”.
Completará o painel João Pereira, secretário-geral da Cáritas Portuguesa, “porque não é possível estarmos neste mundo como num templo sem falar daqueles que quase têm de pedir autorização para pisá-lo, quanto mais para estar nele como num templo: os mais vulneráveis, aqueles cuja situação por vezes que até parece negar tudo isto”, afirma Irene Guia, acrescentando: “A ele, pedimos-lhe que nos desse esse retrato, porque é necessário que também os sem voz, os descartáveis de que fala o Papa, os invisíveis, estejam neste encontro”.
Em agosto, exercícios espirituais com Santa Rafaela Maria

Com estes diferentes contributos, as escravas pretendem, assim, “aprender a encarnar melhor nos tempos de hoje o património e experiência espiritual que Santa Rafaela Maria deixou”. Uma aprendizagem que consideram importante “para toda a gente” e por isso convidam todos a inscrever- se através do formulário disponível online, até às 10 horas deste sábado, 22 de junho.
Ainda no âmbito das celebrações do centenário da morte de Santa Rafaela Maria, haverá, de 5 a 13 de agosto, outra iniciativa aberta a todos. Trata-se dos “Exercícios Espirituais com Santa Rafaela Maria”, estes sob o mote “Humildes, humildes humildes”, que poderão ter uma duração de entre três a oito dias, e decorrerão na Casa Velha, em Ourém. As inscrições já estão abertas.









