Vamos falar de “distanciamento físico e solidariedade social”, em vez de “distanciamento social”

| 11 Mai 20

O logotipo da campanha

 

Parar de falar em “distanciamento social” e passar a falar em “distanciamento físico” e solidariedade social. Esse é o objectivo de uma campanha internacional liderada pela Human Rights in Mental Health-FGIP, tendo em conta que a utilização do primeiro conceito pode significar apenas o aumento do isolamento social de que já sofrem muitos idosos ou pessoas com deficiência psicossocial ou física.

A campanha pretende, assim, dar voz a alguns dos grupos que mais têm sofrido com a quarentena e o isolamento físico, como formas de conter a propagação do novo coronavírus.

“O distanciamento físico é uma necessidade em tempos de pandemia da covid-19, mas os que mais sofrem com a crise atual são aqueles que precisam de contactos sociais”, justificam os promotores, exemplificando com várias situações: solitários, doentes crónicos, idosos sem contactos sociais e pessoas com problemas de saúde mental, “frequentemente negligenciados, ignorados e às vezes abertamente evitados por outras pessoas”. Para todos esses grupos, “o distanciamento social significa que o seu isolamento se torna uma prisão de alta segurança, uma cela de isolamento e, para alguns, razão suficiente para considerar seriamente o fim de suas vidas”.

A Human Rights in Mental Health-FGIP opôs-se desde o início da pandemia ao uso da expressão “distanciamento social”, numa posição que foi também adoptada por outras entidades e pessoas, bem como pela Organização Mundial da Saúde.

Entre as 37 organizações que até este domingo tinham aderido à campanha (oito internacionais e as restantes 20 oriundas de 11 países, contam-se o Centro de Trauma, do Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, e o Lisbon Institute of Global Mental Health, uma organização criada pela Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa, a Escola Nacional de Saúde Pública e a Fundação Calouste Gulbenkian.

Informações sobre a campanha estão também disponíveis nas páginas Mind the Gap Campaign  e Covid-19 and mental health, na rede social Facebook.

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