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papa francisco Foto Vatican Media

Vaticano II faz parte do magistério, quem não o segue não está com a Igreja, diz o Papa, que pede um sínodo em Itália

| 31/01/2021

Cópia de papa francisco Foto Vatican Media

O Concílio Vaticano II é “o grande catecismo dos novos tempos”, disse o Papa. Foto captada de vídeo do Vatican Media.

 

O Papa Francisco foi enfático, este sábado, 30, ao alertar que o Concílio Vaticano II (1962-65) faz parte do magistério e que aqueles que não o seguem não estão com a Igreja. Na mesma ocasião, desafiou os responsáveis católicos em Itália a desencadear o processo de preparação de um sínodo.

Francisco discursava numa recepção aos colaboradores da Departamento Nacional de Catequese de Itália, que celebra este ano o seu 60º aniversário. Na ocasião, interveio também o cardeal Gualtiero Bassetti, arcebispo de Perúgia e presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI).

No seu discurso, o Papa sublinhou a importância da catequese e recordou palavras do Papa Paulo VI no primeiro encontro com a CEI depois do Concílio, em que considerou este acontecimento magno da Igreja Católica como “o grande catecismo dos novos tempos”. “Por isso, observou Francisco, a catequese inspirada pelo Concílio é uma escuta contínua do coração do homem, sempre com o ouvido alerta, sempre atento a renovar-se.” E foi justamente neste seguimento que o Papa deixou de lado o texto que tinha preparado e disse, em jeito de reflexão:

“O Concílio é magistério da Igreja. Ou nós estamos com a Igreja e, portanto, seguimos o Concílio, ou se não seguimos o Concílio ou o interpretamos à nossa maneira, à nossa própria vontade, não estamos com a Igreja. Temos que ser exigentes e rigorosos neste ponto. O Concílio não deve ser negociado para ter mais destes… Não, o Concílio é assim. E este problema que estamos a enfrentar, da seletividade do Concílio, repetiu-se ao longo da história, com outros concílios.”

E prosseguiu: “Para mim, isto faz-me pensar num grupo de bispos que depois do [Concílio] Vaticano I foram embora […] para continuar a ‘verdadeira doutrina’ que não era a do Vaticano I. ‘Nós é que somos os verdadeiros católicos’ … Hoje eles ordenam mulheres. A atitude mais severa para guardar a fé sem o magistério da Igreja, leva-nos à ruína. Por favor, nenhuma concessão para aqueles que tentam apresentar uma catequese que não esteja de acordo com o Magistério da Igreja”.

Retomando a leitura do discurso, o Papa incentivou os responsáveis pela catequese a “não ter medo de falar a linguagem das mulheres e dos homens de hoje”, de “falar a linguagem do povo”. “Não devemos ter medo de ouvir suas perguntas, sejam elas quais forem, suas questões não resolvidas, de ouvir suas fragilidades e suas incertezas: disso, não temos medo. Não devemos ter medo de desenvolver instrumentos novos”, disse ainda.

Francisco propôs, neste seu discurso, uma reflexão sobra a catequese em três pontos: a catequese e o kerigma; a catequese e o futuro; e a catequese e a comunidade, como se pode ler na versão em português publicada pelo Vatican News.

 

Um sínodo da Igreja italiana

Quer na saudação inicial do cardeal Bassetti quer no discurso pronunciado pelo Papa, o tema da V Convenção da Igreja Italiana, que aconteceu em Florença em 2015, foi referido, como dinâmica de conjunto que importaria ser relançada.

Sobre esta matéria, Francisco foi ousado: desafiou os bispos italianos e toda a comunidade católica a “voltar, cinco anos depois, à Convenção de Florença e iniciar um processo sinodal de nível nacional, comunidade por comunidade, diocese por diocese (…) É o momento de começar a caminhar”.

Repetindo o que disse nesse encontro eclesial, reiterou seu desejo de uma Igreja “cada vez mais próxima dos abandonados, dos esquecidos, dos imperfeitos”, uma Igreja alegre que “compreenda, acompanhe, acaricie”.

Em comentário publicado no Vatican News, Andrea Tornielli, diretor editorial do Dicastério para a Comunicação recorda várias intervenções de Francisco a apontar para o Sínodo, entendendo, porém que este não pretende “pressionar o episcopado italiano”, mas antes “indicar um método” de ação.

“O caminho da sinodalidade – salienta Tornielli – que envolve todo o povo de Deus, e o da colegialidade episcopal em comunhão com o bispo de Roma, foram citados pelo Papa para evitar atalhos que inevitavelmente correm o risco de confiar nas ideias de alguns em vez da realidade e envolvimento do baixo. É certamente um caminho menos imediato, mais longo, mas que envolve um trabalho básico e requer o envolvimento de todos na Igreja italiana, não apenas dos profissionais ou da elite. A esse movimento de baixo para cima, Francisco acrescentou um segundo, de cima para baixo”.

Nos últimos anos, a ideia deste caminho sinodal tem sido objeto de reflexão e de polémica, visto que alguns setores, inclusivamente de bispos, não estão entusiasmados com ele. Um texto que procurou dar-lhe força e horizonte foi escrito pelo padre jesuíta Antonio Spadaro e publicado na revista La Civiltà Cattolica e intitula-se I cristiani qche fanno l’Italia [Os cristãos que fazem a Itália].

 

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