Quinta-feira, 14 de Março

7MARGENS sem notícias durante um dia em solidariedade com greve de jornalistas

| 13 Mar 2024

Banner promocional da greve geral de jornalistas, 14 de março de 2024

Cartaz promocional da greve geral de jornalistas, marcada para esta quinta-feira,14 de Março. O 7MARGENS está também solidário.

 

Nesta quinta-feira, 14 de Março, o 7MARGENS não publicará nenhuma notícia nem qualquer outro texto, solidário com a greve geral dos jornalistas portugueses, convocada pelo respectivo Sindicato.

São conhecidos da opinião pública os desenvolvimentos dos últimos meses em vários grupos de comunicação social, o último dos quais foi o anúncio, terça-feira, 12, de um despedimento coletivo no grupo Global Media. Mas estes desenvolvimentos correspondem apenas ao culminar de um quadro de largos anos de degradação das condições do exercício da profissão – o que traz consigo um jornalismo menos capaz de informar livre e responsavelmente, condição indispensável a uma democracia madura, plural e respeitadora de diferentes correntes de opinião.

O caderno reivindicativo da greve – a primeira da classe em Portugal em mais de 40 anos – apresenta questões salariais, a par do “fim da precariedade generalizada e fraudulenta no sector, pelo recurso abusivo a recibos verdes e contratos a termo” como alguns dos aspectos mais importantes do que está em causa. Também se pede o “cumprimento escrupuloso das leis do Código de Trabalho” e do Contrato Colectivo de Trabalho, bem como a justa remuneração dos estágios obrigatórios e a garantia de condições de produção noticiosa para cumprir “princípios éticos e deontológicos”. “A intervenção do Estado na garantia da sustentabilidade financeira do jornalismo” e a “revisão das estruturas regulatórias da comunicação social e do jornalismo” são outros dois aspectos referidos no documento, que se pode ler também na íntegra na página do Sindicato dos Jornalistas (SJ).

A greve foi decidida no recente V Congresso de Jornalistas, que decorreu em Janeiro em Lisboa, tendo em conta, entre outras razões, que o “fluxo constante de notícias nas televisões, nos jornais, na rádio, na internet é sustentado por práticas laborais que atropelam os direitos” dos profissionais. “É lamentável que, nos 50 anos do 25 de Abril, um pilar fundamental da democracia esteja tão ameaçado. Jornalismo precário não é jornalismo livre. Uma democracia não sobrevive sem jornalismo de qualidade”, disse o presidente do SJ, Luís Filipe Simões.

Num trabalho do jornal Público desta quarta-feira, 13, faz-se um retrato de um grupo profissional cansado, esgotado e pressionado, com os baixos salários a passarem “de um problema a uma característica”, que trabalha “horas a mais, feriados, fins-de-semana, noites e muitas vezes não são devidamente compensados por isso” [ambas as ligações estão disponíveis apenas para assinantes do jornal].

O “desequilíbrio ruinoso entre a vida pessoal e a profissional” (que se manifesta sobretudo nas mulheres) ou o stress como “companhia quase diária” são outros factores característicos da classe. De acordo com o Inquérito Nacional às Condições de Vida e de Trabalho dos Jornalistas em Portugal, que inquiriu mais de 860 dos 5300 profissionais com carteira (2180 mulheres) e também é resumido no Público, a média etária dos jornalistas portugueses é de 44 anos, quase 80 por cento do sector tem formação superior e 11 por cento tem pós-graduação e especialização; a maior parte trabalha desde os 24 anos ou menos (70%) e tem um contrato sem termo (580 inquiridos). Dos inquiridos, 31 por cento têm entre 701 e 1000 euros de salário, 31 por cento entre 1001 e 1500 euros e 17,1 por cento entre 1501 e 2000 euros.

“Os salários baixos não permitem suportar trabalho doméstico pago, as famílias alargadas são raras e tornam impossível às mulheres de hoje conciliar tais dimensões”, conclui o estudo, de acordo ainda com o Público, que fala também na “dissociação abissal entre a natureza do trabalho e a ligeireza exigida por chefias e direcções” e nos “riscos evidentes para a saúde mental: sobrecarga, conflitos éticos, degradação da qualidade do trabalho”.

Este é o resumo de um quadro que leva o 7MARGENS a tomar a decisão de também parar por um dia. Estamos certos que os nossos leitores compreenderão a justeza desta decisão. Voltaremos às notícias e à opinião na sexta-feira, 15, durante a manhã.

 

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Reconhecendo que o contexto da Igreja universal “é caracterizado pela descredibilização do clero provocada por diversas crises, pela redução do número de vocações ao sacerdócio ministerial e pela situação sociológica de individualismo e de crescente indiferença perante a questão vocacional”, os representantes do Clero diocesano de Angra (Açores) defendem o incremento da “pastoral vocacional assente na comunidade, sobretudo na família e no testemunho do padre”.

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Este texto do Padre Joaquim Félix corresponde à homilia do Domingo IV da Páscoa na liturgia católica – último dia da semana de oração pelas vocações – proferida nas celebrações eucarísticas das paróquias de Tabuaças (igreja das Cerdeirinhas), Vilar Chão e Eira Vedra (arciprestado de Vieira do Minho).  

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