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Greve geral

7MARGENS solidário com todos os jornalistas e com as pessoas mais fragilizadas da nossa sociedade

| 02/06/2026

Nesta quarta-feira, 3 de junho, o 7MARGENS não publicará nenhuma notícia nem qualquer outro texto, solidário com a greve geral a que os jornalistas, através do seu sindicato, aderiram e porque a sua redação entende, tal como outros jornalistas, que “a aprovação do projeto de alteração da legislação laboral constitui um retrocesso civilizacional, com o efeito primordial de facilitar a exploração das pessoas assalariadas mais frágeis”.

 

Porque adere o 7MARGENS à greve?

Imagem da manifestação da Greve Geral, em Lisboa, de dezembro de 2025. Foto © Rafael Medeiros/Esquerda.net, CC BY-SA 4.0 , via Wikimedia Commons Trabalho precário

Imagem da manifestação da Greve Geral, em Lisboa, de dezembro de 2025. Foto © Rafael Medeiros/ Esquerda.net / Wikimedia Commons CC BY-SA 4.0 

Primeiro, e porque somos um órgão de comunicação social, por solidariedade com os jornalistas e com todas as pessoas, nomeadamente jovens, que dificilmente veem qualquer futuro nesta alteração à legislação laboral.

Tal como se dizia no pré-aviso de greve entregue, aquando da greve de 11 de dezembro de 2025, pelo presidente do Sindicato dos Jornalistas, Luís Filipe Simões: “Os jornalistas são também trabalhadores cada vez mais proletarizados e sofrerão também se for aprovada a Agenda Trabalho XXI, que em vez de preparar o trabalho para o futuro contribui para facilitar violências contra quem trabalha”.

No pré-aviso de adesão a esta greve diz o Sindicato de Jornalistas: “A precariedade que grassa no jornalismo acentuou-se particularmente entre os repórteres fotográficos e de vídeo, nos últimos anos. Esta proposta laboral, escancarando as portas ao outsourcing, vai potenciar os despedimentos ao facilitar a troca de trabalhadores por empresas externas, provavelmente em condições de trabalho precárias e sem garantias de empregar profissionais com carteira profissional, ou seja, sem obrigações éticas e deontológicas. Temos de dizer não!”

E continua: “Os países que pagam melhores salários não são os mais flexíveis, como diz a ministra do Trabalho. São os que têm maiores taxas de sindicalização, conforme atestam dados do Fundo Monetário Internacional e da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa. Atacar os direitos das pessoas sindicalizadas, fragilizar a negociação coletiva e a intervenção sindical nas empresas é uma forma cínica de perpetuar os salários baixos, minando a capacidade de organização e mobilização dos trabalhadores. Termos de dizer não.”

A segunda razão: sendo a greve um direito, no caso concreto é muito mais do que fazer uso desse direito; trata-se de um dever de impedir que os direitos laborais sofram não apenas uma regressão, mas se tornem o alfa e o ómega de uma teoria sobre produtividade e crescimento económico contrária ao desejo de uma sociedade mais justa e mais equitativa. Ou não será isso que todos queremos e pelo qual lutamos?

 

Alinhar pelo pensamento das tradições religiosas

Pessoas

“As grandes tradições religiosas, apesar das suas diferenças doutrinais, convergem neste ponto: a economia deve estar ao serviço da vida humana, e não o contrário.” Imagem da revista Outras Economias.

O 7MARGENS tentou dinamizar o debate e chamar a atenção dos leitores para o que estava em causa na proposta apresentada pelo Governo. Ainda antes da greve de 11 de dezembro, António Marujo questionava o silêncio da Igreja Católica quanto a algumas das questões que estão em jogo, tendo em conta o pensamento do Papa João Paulo II na encíclica Laborem Exercens (ver 7MARGENS de 13/11/2025). Após a greve geral, o 7MARGENS reuniu com algumas pessoas para juntos refletirmos sobre a proposta do Governo. Na sequência desse encontro organizámos um debate sobre a temática e, mais recentemente, nas comemorações do Dia do Trabalhador, José Centeio sublinhava também algumas questões sobre as quais importa aprofundar a reflexão (ver 7MARGENS de 30/04/2026).

Também a Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos tomou posição (ver 7MARGENS). E na moção aprovada no seu Congresso extraordinário, assinalava-se que quando “na sociedade portuguesas e no mundo, assistimos ao crescimento das forças de extrema-direita, populistas e neoliberais”, é particularmente importante “o entendimento entre as forças da democracia e da cidadania, que permitam respostas eficazes na defesa dos justos direitos conquistados com negociações e justas lutas, nos valores essenciais da dignidade e dos direitos humanos”.

Na ausência de uma tomada de posição dos bispos católicos sobre o que está em jogo, do ponto de vista de uma opção preferencial pelos mais pobres e fragilizados, talvez valesse a pena – diríamos, é quase obrigatório – ler e reler a recente encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão, para que, através de uma reflexão profunda, pudéssemos melhor compreender os sinais deste nosso tempo. Tal leitura levar-nos-ia, seguramente, a entender o que significa hoje defendermos a qualidade de vida de quem trabalha e o que o futuro nos obriga a criar para garantir trabalho digno para todos. A defesa do salário justo e da proteção dos mais fracos, que vem também da tradição bíblica judaica e da tradição islâmica, são igualmente argumentos a ter em conta num jornal como o nosso. As grandes tradições religiosas, apesar das suas diferenças doutrinais, convergem neste ponto: a economia deve estar ao serviço da vida humana, e não o contrário.

A greve geral desta quarta-feira pode ser lida sob múltiplos prismas. Mas, para crentes e não crentes, ela constitui sobretudo uma oportunidade de reabrir uma pergunta fundamental: estamos a construir uma economia centrada na dignidade das pessoas ou uma sociedade onde as pessoas se tornam cada vez mais subordinadas às exigências da economia?

Por estas razões, a redação do 7MARGENS tomou a decisão de também parar por um dia. Durante o dia de quarta-feira não haverá notícias publicadas e na quinta-feira a newsletter não trará novidades. Estamos certos de que os nossos leitores compreenderão a justeza desta decisão. Na quinta-feira, 4 de junho, apesar de ser feriado, voltaremos às notícias e à opinião, a partir da manhã.

 

A redação do 7MARGENS

 

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