Pouco antes do Natal do ano passado, muitos meios de comunicação noticiaram o que chamaram «decisão» sobre o discernimento contínuo da Igreja sobre a recondução das mulheres ao diaconato ordenado.
Não houve nenhuma «decisão». O gabinete de imprensa do Vaticano publicou uma carta do cardeal Giuseppe Petrocchi, arcebispo emérito de L’Aquila, Itália, e presidente da comissão, que relatava parcialmente as votações secretas realizadas em três sessões da segunda comissão do Papa Francisco que estudava as mulheres diáconos. Embora a carta pareça excluir a possibilidade de ordenar mulheres como diáconos, o relato incompleto das votações secretas e a falta de referência a pesquisas históricas, teológicas e antropológicas sérias predizem o seu próprio resultado.
A comissão não decidiu a questão da ordenação de mulheres como diáconos. Um discernimento contínuo sobre essa questão é exigido imperativamente [magisterially] pelo Documento Final do Sínodo Mundial sobre a Sinodalidade. Em vez disso, a comissão, que parece ter tido uma composição rotativa, preferiu recomendar a criação de «novos ministérios», que não exigem ordenação, para as mulheres.
Logo no início, numa nota de rodapé, a carta liga firmemente o diaconato ao sacerdócio, em oposição a vários documentos da Igreja, incluindo a Constituição Dogmática sobre a Igreja Lumen Gentium do Concílio Vaticano II, o Catecismo da Igreja Católica e o Motu proprio Omnium in mentem (2009) de Bento XVI, que afirma que o diaconato não faz parte do sacerdócio.
Esses ensinamentos da Igreja negam a falsa teoria da «unicidade das ordens», que, inversamente, argumenta que, como não se tem conhecimento de mulheres ordenadas sacerdotes, elas também não poderiam ter sido ordenadas diáconos. Com base nessa falsa noção, afirma-se a crença de que as mulheres não podem representar Cristo e, portanto, não podem servir como diáconos in persona Christi servi. Tal compreensão neo-ariana de Jesus Cristo e da Ressurreição é o resultado do que muitos estudiosos têm chamado «fisicalismo ingénuo».

Ícone ortodoxo representando Santa Febe, uma das mulheres diáconos identificadas nos textos de São Paulo.
Além disso, ao assumir que as mulheres não podem ser ordenadas como diáconos porque não podem «representar Cristo» [image Christ], a carta restringe a compreensão da humanidade das mulheres. Mulheres em todo o mundo sofrem todos os tipos de discriminação simplesmente por serem mulheres, desde a mutilação genital, passando pela queima do dote, até ao espancamento da esposa e coisas piores. O documento sugere “novos ministérios” em vez de um retorno às ordenações de mulheres como diáconos, historicamente documentadas, teologicamente possíveis e antropologicamente atestadas. Embora argumente que o reconhecimento de novos ministérios «constituiria um sinal profético, especialmente onde as mulheres ainda sofrem situações de discriminação de género», tal produziria o efeito oposto. Afirmando que as mulheres não podem ser ordenadas porque não podem representar Cristo como pessoas plenamente humanas, a sua proposta coloca as mulheres ainda mais em perigo. Pode-se argumentar que o documento afirma que as mulheres não são feitas à imagem e semelhança de Deus.
Na verdade, na sua primeira reunião em setembro de 2021, apenas dois dos comissários não identificados votaram a favor da ordenação de mulheres como diáconos, como um «terceiro grau de ordens sagradas» (implicando assim uma ligação ao sacerdócio), enquanto dois se abstiveram. Como os votos não foram relatados na íntegra, não há forma de traçar o desenvolvimento dos «núcleos temáticos», como a carta designa os conceitos-chave supostamente em discussão. Além disso, a carta cita um documento secreto adicional, o “Documento Final da Comissão sobre o Diaconato das Mulheres, de 7 de fevereiro de 2025”, em apoio ao seu comentário depreciativo sobre a documentação apresentada em resposta ao pedido do Dicastério para a Doutrina da Fé durante a reunião final do Sínodo sobre a Sinodalidade, em outubro de 2024, em Roma.
A carta relaciona de forma chocante a «masculinidade de Cristo» com o que denomina «o significado nupcial da salvação», argumentando em pormenor que «a masculinidade de Cristo e, portanto, a masculinidade daqueles que recebem as ordens sacras, não é acidental, mas parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo. Alterar esta realidade não seria um simples ajuste do ministério, mas uma ruptura do significado nupcial da salvação». Cinco dos dez comissários desconhecidos votaram, novamente de forma anónima, para confirmar esta declaração, aparentemente na reunião final da comissão em fevereiro de 2025. Não parece ter havido uma votação sobre um dos comentários finais da carta, que credita a «dimensão mariana» como a alma de qualquer «diaconia».

Phillis Zagano (à diª) na Universidade Católica, em Lisboa, durante o debate de apresentação do livro “Mulheres Diáconos”, em Abril de 2019. Foto cedida pelo CITER/UCP.
Phyllis Zagano é investigadora na Universidade Hofstra, em Hempstead, Nova Iorque, e autora de vários livros e artigos sobre o diaconato feminino. O Papa Francisco nomeou-a para a Comissão inicial para o Estudo do Diaconato Feminino em 2016.
Síntese da Comissão de Estudo sobre o Diaconato Feminino (04.12.2025)
De modo a permitir que o texto comentado por Phyllis Zagano seja conhecido, o 7MARGENS traduziu o documento do cardeal Giuseppe Petrocchi, divulgado no início de Dezembro. Na indicação das votações, placet significa aprovação.
A Sua Santidade Leão XIV
Caro Santo Padre, dirijo-me a Vossa Santidade porque, como é sabido, o Papa Francisco avocou a si a questão do possível acesso das mulheres ao diaconato: por essa razão, tendo em conta o trabalho realizado pelas diferentes comissões nomeadas para estudar este assunto, gostaria de lhe apresentar uma breve síntese de alguns temas centrais, na esperança de que possam ser-Lhe úteis no seu discernimento.

Cardeal Giuseppe Petrocchi: “As questões relativas à ordenação diaconal das mulheres permanecem abertas.” Foto: Direitos reservados.
Com base em pesquisas históricas, a primeira Comissão já afirmava: «A Igreja reconheceu em diferentes épocas, em diferentes lugares e de várias formas o título de diácono/diaconisa referido às mulheres, atribuindo-lhe, porém, um significado não unívoco» . Tal afirmação está em consonância com outra proposição formulada pela Comissão Teológica Internacional: «Parece evidente que tal ministério não era entendido como o simples equivalente feminino do diaconato masculino». (2)
A segunda Comissão, a que presidi, chegou unanimemente – na sua primeira sessão (2021) – a elaborar a seguinte tese (n.º 3): «No estado atual da investigação histórica e do nosso conhecimento dos testemunhos bíblicos e patrísticos, pode-se afirmar razoavelmente que o diaconato feminino, que se desenvolveu de forma desigual nas diferentes partes da Igreja, não era entendido como o simples equivalente feminino do diaconato masculino e não parece ter tido um caráter sacramental».(3)
Sabemos, no entanto, que a perspetiva puramente histórica não permite chegar a nenhuma certeza definitiva. Em última análise, a questão deve ser decidida no plano doutrinário (cf. Bento XVI, Carta pelo 50.º aniversário da instituição da CTI).
Portanto, as questões relativas à ordenação diaconal das mulheres permanecem abertas a aprofundamentos teológicos e pastorais adicionais, mantendo-se firme o princípio da «communio hierarchica», que atribui a decisão final sobre estas questões ao Magistério da Igreja, como resposta autorizada às perguntas presentes em alguns setores do Povo de Deus.
Concretizo que as considerações que se seguem são inevitavelmente incompletas e fragmentárias em relação à documentação produzida pela Comissão a que presido.
No entanto, podem representar «coordenadas» cognitivas destinadas a favorecer uma visão global do terreno argumentativo em que nos aventuramos.
Para uma escolha metodológica partilhada, os membros da Comissão foram chamados, no final da sua interação dialógica, a expressar, através de uma votação, o parecer resumido sobre o núcleo temático que tinha sido debatido.
Em forma esquemática, é apresentado o resultado da votação realizada sobre a tese n.º 3 da Segunda Sessão (citada na página anterior).
| Número da Tese | Resultados | ||
| Placet | Non Placet | Branco | |
| 3 | 7 | 0 | 1 |
Em 2021, o debate teológico levou à formulação da seguinte tese: «O aprofundamento sistemático sobre o diaconato, no âmbito da teologia do sacramento da Ordem, suscita questões sobre a compatibilidade da ordenação diaconal das mulheres com a doutrina católica do ministério ordenado». (4)
A votação sobre esta frase foi unânime:
| Número da Tese | Resultados | ||
| Placet | Non Placet | Branco | |
| 4 | 10 | 0 | o |
Posteriormente, a Comissão expressou o seu voto sobre as seguintes afirmações: 5A «O abaixo-assinado não é favorável à instituição na Igreja do diaconato feminino entendido como terceiro grau da Ordem sagrada» . 5B «O abaixo-assinado não se mostra, neste momento, favorável à instituição na Igreja do diaconato feminino entendido como terceiro grau da Ordem sagrada. Esta avaliação baseia-se nos elementos históricos e teológicos adquiridos até hoje, sem excluir evoluções posteriores sobre este tema». (6) 5C «O abaixo-assinado é favorável à instituição, na Igreja atual, do diaconato feminino entendido como terceiro grau da Ordem Sacra». (7)
Os resultados das votações são os seguintes:
| Número da Tese | Resultados | ||
| Sim | Não | Branco | |
| 5A
5B 5c |
4
4 2 |
5
5 6 |
1
1 2 |
A Comissão também discutiu a possibilidade de criar novos ministérios e votou unanimemente a seguinte tese (n.º 7): «A implementação desses ministérios poderia contribuir para a sinergia entre homens e mulheres. A sua implementação exigiria o desenvolvimento de meios adequados de formação (teológica, prática, mistagógica) e de apoio».(8)
| Número da Tese | Resultados | ||
| Sim | Não | Branco | |
| 7 | 10 | 0 | 0 |
Na segunda sessão, realizada em julho de 2022, na tentativa de chegar a uma formulação sinérgica, foi votada a seguinte tese: «O status quaestionis em torno da investigação histórica e da investigação teológica, consideradas nas suas implicações mútuas, exclui a possibilidade de se avançar no sentido da admissão das mulheres ao diaconato entendido como grau do sacramento da Ordem. À luz da Sagrada Escritura, da Tradição e do Magistério eclesiástico, esta avaliação é forte, embora não permita, até à data, formular um juízo definitivo, como no caso da ordenação sacerdotal». (9)
| Número da Tese | Resultados | ||
| Placet | Non Placet | Branco | |
| 5 | 7 | 1 | 0 |
Na última sessão, realizada em fevereiro de 2025, a Comissão recebeu uma quantidade considerável e significativa de material escrito para análise sobre a questão do diaconato feminino, depois de, a pedido do Sínodo, ter sido permitido a quem quisesse enviar a sua contribuição. Embora as contribuições recebidas fossem numerosas, as pessoas ou grupos que enviaram os seus trabalhos eram apenas vinte e dois e representavam poucos países. Consequentemente, embora o material seja abundante e, em alguns casos, habilmente argumentado, não pode ser considerado como a voz do Sínodo e muito menos do Povo de Deus no seu conjunto. Além disso, a relevância da problemática e a ausência de um consenso suficiente são também atestadas pelos documentos preparatórios do Sínodo sobre a Sinodalidade. Neles, de facto, afirma-se, por exemplo, que «alguns consideram que este passo [ordenação de diaconisas] seria inaceitável, na medida em que estaria em descontinuidade com a Tradição»; (10) ou ainda: «… confusão antropológica perigosa, posto que, se acolhida, a Igreja alinharia com o espírito do tempo» (11) . É preciso também tomar nota de que algumas Igrejas se opõem firmemente a esta perspectiva. Foi-nos relatado que, no documento final do Sínodo, a proposição 60 sobre o estudo da possibilidade do diaconato feminino foi a que obteve o maior número de votos contrários (97 Não).
As contribuições favoráveis ao diaconato ordenado das mulheres baseiam-se em ideias relativas a questões de antropologia teológica. Trata-se de convicções frequentemente em conflito com a Tradição da Igreja Católica (e Ortodoxa) de admitir ao sacramento da Ordem apenas homens batizados.

Marcha pela ordenação de mulheres, promovida pela Women’s Ordination Conference, assinalando o início do Sínodo sobre a sinodalidade, em Roma, Outubro de 2023. Foto © António Marujo/7MARGENS
As correntes teológicas e culturais que concordam com a abertura ao diaconato feminino sustentam que estas posições da Tradição parecem contradizer:
- a condição de igualdade entre «homem» e «mulher» como imagem de Deus (Génesis 1,27)
- a igual dignidade de ambos os géneros, com base neste dado bíblico, a declaração de fé de que: «não há mais judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher, porque todos vós sois “um” em Cristo Jesus» (Gálatas 3,28)
- o desenvolvimento social que prevê o acesso igualitário, para ambos os géneros, a todas as funções institucionais e operacionais (também ao nível superior) da vida política e administrativa em que se articula a comunidade civil.
Por estas razões, muitas petições não se limitam a pedir a admissão das mulheres ao sacramento do diaconato, mas defendem que também os outros graus da Ordem Sacra (presbiterado e episcopado) devem ser acessíveis às mulheres. O argumento que se baseia na masculinidade de Jesus Cristo é visto como uma visão sexista e limitada, que leva à discriminação das mulheres. De acordo com essas visões, a repraesentatio Christi não deveria mais estar ligada a categorias de género, mas colocar no centro a mediação ministerial da salvação por meio de homens e mulheres.
Nesta perspetiva, uma vez que a ordenação ao diaconato não é ad sacerdotium, mas ad ministerium (Lumen Gentium 29), a exclusão das mulheres não parece justificada, pois também as mulheres são capazes de representar Cristo como diakonos. (12)
Na documentação recebida, lida com atenção, muitas mulheres descreveram o seu trabalho para a Igreja, muitas vezes vivido com grande dedicação, como se fosse um critério suficiente para a ordenação ao diaconato. Outras falaram de uma forte «sensação» de terem sido chamadas, como se fosse a prova necessária para garantir à Igreja a validade da sua vocação e exigir que essa convicção fosse aceite. Muitas já desempenhavam funções de tipo diaconal, especialmente em comunidades sem padre, e consideravam-se «merecedoras» de receber a ordenação, tendo, de alguma forma, adquirido esse direito. Outras falavam simplesmente de querer a ordenação como sinal de visibilidade, autoridade, respeito, apoio e, acima de tudo, igualdade.(13)
Numa linha de pensamento muito diferente, no decorrer da terceira sessão, foi apresentada a seguinte tese: «A masculinidade de Cristo e, portanto, a masculinidade daqueles que recebem a Ordem, não é acidental, mas é parte integrante da identidade sacramental, preservando a ordem divina da salvação em Cristo. Alterar esta realidade não seria um simples ajuste do ministério, mas uma ruptura do significado nupcial da salvação».
O parágrafo acima referido registou o seguinte resultado na votação da Comissão:
- 5 dos 10 membros decidiram mantê-lo tal como está;
- 5 dos 10 membros consideraram que deveria ser cancelado.
A Comissão, nesta última sessão, discutiu com especial interesse outra tese: «A este respeito, é hoje oportuno alargar o acesso das mulheres aos ministérios instituídos para o serviço da comunidade. Os motu proprio Spiritus Domini e Antiquum ministerium do Papa Francisco, embora confirmem o que foi expresso na Carta Apostólica de São João Paulo II Ordinatio Sacerdotalis, vão nessa direção. Cabe agora ao discernimento dos pastores avaliar que outros ministérios podem ser introduzidos para as necessidades concretas da Igreja do nosso tempo, assegurando assim também um reconhecimento eclesial adequado à diaconia dos batizados, em particular das mulheres. Este reconhecimento será um sinal profético, especialmente onde as mulheres ainda sofrem situações de discriminação de género».
O resultado da votação é o seguinte:
| Preâmbulo | Resultados | ||
| Placet | Non Placet | Branco | |
| Diaconia e Diaconato | 9 | 1 | 0 |
Considerações finais

Encerramento do Sínodo sobre a sinodalidade: o documento final, assumido pelo Papa Francisco, pedia um discernimento sobre as mulheres diáconos. Foto © Vatican Media.
Acrescento um comentário pessoal depois de me ter informado cuidadosamente (também graças ao contributo dos meus colaboradores) sobre as principais tendências conceptuais que emergem do vasto material, bem como dos textos redigidos pelas diferentes comissões.
O conjunto da documentação, reunida pelas diferentes comissões que se sucederam, mostra que existe uma intensa dialética teórica e existencial entre duas orientações teológicas (o que também é manifestado pelos resultados de algumas votações das comissões). Uma delas insiste na afirmação de que a ordenação do diácono é «ad ministerium» e não «ad sacerdotium»: este fator abriria caminho para a ordenação de diaconisas. A outra, em vez disso, insiste na unidade do Sacramento da Ordem Sacra, juntamente com o significado esponsal dos três graus que a constituem, e rejeita a hipótese do diaconato feminino: salienta, além disso, que se fosse aprovada a admissão das mulheres ao primeiro grau da Ordem, seria inexplicável a exclusão dos outros.
As declarações contraditórias dessas «escolas» teológicas e a falta de convergência sobre questões doutrinárias e pastorais fundamentais motivam, na minha opinião, a manutenção de uma linha de avaliação prudente sobre o tema do diaconato feminino; escolha a ser acompanhada por investigações de «alcance global», cada vez mais bem «equipadas» e orientadas, com sabedoria previdente, para sondar estes horizontes eclesiais.
Neste contexto, parece indispensável, como condição prévia para discernimentos posteriores, incentivar um exame crítico rigoroso e alargado conduzido sobre o «diaconato em si mesmo», ou seja, sobre a sua «identidade» sacramental e a sua «missão» eclesial, esclarecendo alguns aspetos «estruturais» e pastorais que atualmente não estão inteiramente definidos. Nesta «diaconia da verdade», a Igreja deve agir com «parresia» evangélica, mas também com a devida liberdade de avaliação e transparência discursiva.
Deve-se notar também que em muitas dioceses do mundo não existe o ministério do diaconato, e em continentes inteiros esta instituição sacramental está quase ausente. Onde está em vigor, as atividades dos diáconos não raramente coincidem com os papéis próprios dos ministérios leigos ou dos ministrantes na liturgia, suscitando no Povo de Deus perguntas sobre o significado específico da sua ordenação.
É necessário, além disso, sublinhar que as diferentes comissões foram unânimes em assinalar a necessidade de ampliar os «espaços comunitários» para que as mulheres possam expressar uma participação adequada e uma corresponsabilidade nos centros decisórios da Igreja, também através da criação de novos ministérios leigos.
No final destas considerações, julgo importante salientar que a Comissão insistiu na urgência de valorizar a «diaconia batismal», como fundamento de qualquer ministério eclesial.
Neste contexto, deve ser cada vez melhor compreendida e desenvolvida a «dimensão mariana», como alma de toda a «diaconia», na Igreja e na Humanidade.
Assinam comigo estas folhas monsenhor Denis Dupont-Fauville, que desempenhou, com dedicação e competência, o papel de secretário da Comissão.
Na esperança de ter oferecido uma contribuição útil, saúdo-O com filial devoção, reconfirmando a minha plena unidade de mente e coração com o sucessor de Pedro.
Com estes sentimentos de profunda estima e completa «proximidade» pastoral, peço a sua bênção paternal, assegurando-Lhe com gratidão as minhas orações.
Roma, 18 de setembro de 2025
No Senhor Giuseppe Card. Petrocchi Presidente
Mons. Denis Dupont-Fauville Secretário
[1] Texto elaborado pela primeira Comissão no seu conjunto. [2] Comissão Teológica Internacional, II Diaconato. Evolução e perspetivas (2002), II, 4. [3] A própria Comissão precisa: «Embora alguns testemunhos, considerados isoladamente, levem a pensar que o diaconato feminino teve, em alguns momentos e em alguns lugares, traços sacramentais, quando se avaliam as fontes no seu conjunto, segundo o critério hermenêutico da unidade orgânica da Tradição, conclui-se que, em geral, o diaconato feminino foi concebido como um ministério sui generis. Este ministério — ao contrário do episcopado, do presbiterado e do diaconato conferido aos homens — não se insere na linha da sucessão apostólica. Na sua época, esse diaconato feminino testemunhou a capacidade da Igreja de responder a determinados desafios pastorais, no seio de sociedades caracterizadas por uma rígida separação entre os sexos»: Segunda Sessão, de 11 a 16 luglio 2022, n. 3. [4] Primeira Sessão de 13 al 18 de setembro de 2021, n. 4. [5] Primeira Sessão de 13 al 18 de setembro de 2021, n. 5/A. [6] Primeira Sessão de 13 al 18 de setembro de 2021, n. 5/B [7] Primeira Sessão de 13 al 18 de setembro de 2021, n. 5/C. [8] Primeira Sessão de 13 a 18 de setembro de 2021, n. 7. [9] Segunda Sessão de 11 a 16 de julho de 2022, n. 5. [10] Relatório de síntese da primeira sessão sinodal (28/10/23), n. 9. [11] Ibidem. [12] Cf. Documento final da Comissão sobre o Diaconato das Mulheres, 7 de fevereiro de 2025. [13] Cf. Documento final da Comissão sobre o Diaconato das Mulheres, 7 de fevereiro de 2025.
[Texto original: Italiano. Tradução da responsabilidade do 7MARGENS.]










