Os fundos de investimento são instrumentos financeiros que permitem a qualquer pessoa – com pouco ou muito capital – aplicar seu dinheiro de forma simplificada, diversificada e profissional. A principal diferença em relação ao investimento típico é que as entidades gestoras dos fundos reúnem o capital de vários investidores e aplicam-no num conjunto de diferentes tipos de ativos, como ações, obrigações, imóveis ou outros, conforme a sua estratégia e o nível de risco. A gestão é feita por sociedades especializadas – as entidades gestoras – que tomam as decisões de investimento em nome dos participantes, seguindo as regras estabelecidas pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).
Em Portugal, os principais promotores de fundos de investimento que mais se destacam são: a Caixa Gestão de Ativos, o BPI Gestão de Ativos, o GNB – Gestão de Ativos, o IMGA e a Square Asset Management. Os fundos oferecem, assim, acesso a oportunidades de mercado que seriam difíceis de alcançar individualmente, promovendo, ao mesmo tempo, maior proteção e transparência para os investidores, de acordo com o nível de risco (que pode variar de baixo a alto) escolhido para investir.
O Instituto para as Obras da Religião (IOR), conhecido como banco do Vaticano, lançou, no passado dia 10 de fevereiro, em parceria com a Morningstar Indexes, dois produtos financeiros: Morningstar IOR Eurozone Catholic Principles e o Morningstar IOR US Catholic Principles, o primeiro para o mercado europeu e o segundo para o mercado americano. Estes novos índices de referência de ações ambicionam tornar-se referência para o investimento católico em todo o mundo, prometendo integrar apenas empresas alinhadas aos valores cristão-católicos.
Há anos, o IOR tem procurado adaptar-se às melhores práticas financeiras internacionais. Alinhar essas práticas com a Doutrina Social da Igreja é uma tarefa exigente, que agora deu frutos. Os dois fundos conjugam desempenho, transparência e valores, apresentando-se como uma aproximação promovida pelo próprio Vaticano entre os valores fundamentalmente cristãos e a capitalização financeira. A indexação de empresas cujos valores de respeito à criação, bem como de responsabilidade ambiental e social, vão ao encontro aos defendidos pela Igreja Católica. Mesmo num cenário internacional complexo e com produtos financeiros registando alta volatilidade, surge essa aposta para os católicos que procuram garantir que os seus investimentos não irão contra os seus valores. A parceria com uma empresa renomada como a Morningstar, traz acrescida confiança para o investidor.
Engana-se quem acredita que estes lançamentos são uma novidade, a relação entre economia e religião é mais antiga. Por exemplo, nos EUA, o S&P 500 Catholic Values Index foi lançado em 10 de agosto de 2015 e possui mais de 800 milhões de euros em ativos sob gestão. A Ave Maria Mutual Funds é uma família de fundos mútuos, ou seja, um conjunto de fundos de investimento organizado e administrado como um produto financeiro que investe de acordo com princípios católicos desde sua fundação em 2001.
Como todos os investimentos, estes fundos envolvem riscos de perdas! Por isso, a consulta a um profissional para apoiar a decisão de investir é fundamental para minimizar os riscos que os produtos financeiros podem acarretar.
Matheus Belucio é professor auxiliar no Departamento de Economia da Universidade de Évora e Investigador no CEFAGE; Matilde Betencourt estudante do 2º ano do Doutoramento em Economia na Universidade de Coimbra.










