No dia 16 de junho, deparei-me com a seguinte notícia no jornal 7MARGENS: “A Fundação Aristides de Sousa Mendes e a Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Cidade assinalam esta quarta-feira, 17 de junho, em Lisboa, o Dia da Consciência, evocando o gesto do diplomata português que, em 1940, decidiu conceder vistos a milhares de refugiados, contrariando as ordens do regime de Salazar”.
Ou seja, um dia após eu ler a notícia, o Dia da Consciência seria assinalado. Isso fez-me recordar um momento do ano passado, mais precisamente de 25 de novembro de 2025. Numa sessão solene na Câmara Municipal de Porto Alegre, no estado do Rio Grande do Sul, Brasil — cidade onde nasci — conheci a história do cônsul Aristides de Sousa Mendes.

Sessão solene reuniu autoridades do poder executivo e legislativo, além de representantes portugueses. Foto © Camila Cunha/jornal Correio do Povo.
Descobri que ele salvou milhares de vidas durante a Segunda Guerra Mundial. Descobri, também, que ele havia sido cônsul em Porto Alegre. Por esses dois motivos, foi homenageado pela Câmara Municipal da cidade. Para Porto Alegre, foi motivo de grande orgulho poder prestar tributo a um diplomata de tão elevada estatura moral.
Naquela noite, alguns convidados tiveram ainda a oportunidade e honra de assistir ao filme O Cônsul de Bordéus (2012), que retrata o extraordinário ato de humanidade e coragem de Aristides de Sousa Mendes. Sua decisão custou-lhe a carreira e levou-o a terminar a vida em extrema pobreza, após ser severamente punido pelo regime português por ter seguido a própria consciência.
Ao desafiar as ordens do governo, Aristides teria afirmado: “Se desobedecer a uma ordem, sei o que me acontece; mas, se obedecer a essa ordem, trairei a minha consciência”. Dessa forma, estima-se que tenha salvado cerca de 30 mil vidas.

Aristides Sousa Mendes: “Se desobedecer a uma ordem, sei o que me acontece; mas, se obedecer a essa ordem, trairei a minha consciência”. Foto © Denise Sabino
Importa ainda destacar que, desde 2024, o cônsul é homenageado através de um museu dedicado à sua memória: a Casa do Passal, também conhecida como Vila de São Cristóvão ou Casa do Doutor Aristides de Sousa Mendes, localizada em Cabanas de Viriato, no município de Carregal do Sal.

“Trata-se de uma homenagem mais do que merecida a um homem que, guiado por um profundo sentido de justiça e humanidade, colocou a vida do próximo acima dos interesses pessoais e das imposições do poder.” Foto © Denise Sabino
Trata-se de uma homenagem mais do que merecida a um homem que, guiado por um profundo sentido de justiça e humanidade, colocou a vida do próximo acima dos interesses pessoais e das imposições do poder. Em tempos tão conturbados, recordar exemplos como o seu é também um convite para refletirmos sobre a importância da consciência, da coragem moral e da compaixão.
Denise Sabino é doutorada em Literaturas Estrangeiras Modernas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Mestre em cultura britânica e em cultura francesa pela Universidade de Leibniz, Hannover, Alemanha. Escritora, palestrante e cronista de vários jornais.
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