Após 47 dias de greve de fome, o ativista e preso político sarauí Naâma Asfari suspendeu o seu protesto no dia 24 de julho, na sequência de um diálogo com a administração penitenciária marroquina que concordou em iniciar discussões para abordar as suas reivindicações quanto às condições da sua detenção e às dos seus companheiros de prisão.
A informação foi prestada pela família de Asfari a quem este, detido na Prisão Central de Kénitra, conseguiu contatar por telefone na noite de sexta-feira, 24 de julho. Segundo adiantou a família, devido à deterioração de sua saúde após o longo jejum iniciado em 8 de junho, o prisioneiro não pôde fornecer mais detalhes.
A notícia foi, entretanto, divulgada pelos meios de comunicação afetos à Frente Polisário em que se pode ler estar agendada para o dia 27 de julho uma outra conversa telefónica de Naâma Asfari com os seus familiares, na qual se espera que o prisioneiro possa fornecer mais informações sobre os compromissos assumidos pelas autoridades penitenciárias.
Naâma Asfar está preso há 15 anos [ver 7MARGENS] e entrou em greve de fome para chamar a atenção para a situação de todos os seus companheiros que sofrem as mesmas condições e para exigir a aplicação do parecer 23/2023 emitido pelo Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre a Detenção Arbitrária”.
Segundo relata a Associação de Amizade Portugal-Sahara Ocidental, “a 29 de junho, a organização Frontline Defenders chamou a atenção para a deterioração das condições de saúde de Asfari”. Nesse comunicado a Frontline Defenders recorda que ele e os outros membros do grupo de Gdeim Izik’ estão detidos e “sofrem maus-tratos” por causa “exclusivamente do exercício pacífico de atividades legítimas e pacíficas em defesa dos direitos humanos.”
O conflito entre o Reino de Marrocos e a Frente Polisário sobre a soberania do Saara Ocidental continua ativo desde que Espanha abandonou a região em 1975. A guerra gerou centenas de milhares de refugiados, estando mais de 170 mil a sobreviver em campos de refugiados na Argélia.
A Frente Polisário foi criada em 1973 para combater a ocupação espanhola no antigo Saara Espanhol e continuou, depois de 1975, a sua luta contra a ocupação marroquina a favor da autonomia do território do Saara Ocidental e pela autodeterminação do povo sarauí, através da criação da República Árabe Sarauí Democrática (RASD).
O plano do acordo celebrado em 1988 entre o Reino de Marrocos e a Frente Polisário previa um período de transição para a preparação de um referendo no qual os habitantes do Saara Ocidental escolheriam entre independência ou integração em Marrocos. O referendo ainda não se realizou.










