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Bíblias em diferentes línguas. Foto © Hanaala76

Leituras de verão

Vendas da Bíblia sempre a subir, sobretudo entre os jovens

| 03/08/2026

 

Num mercado editorial em dificuldades, as vendas da Bíblia continuam a registar um forte crescimento, chegando a 15 por cento ao ano em França. No Reino Unido, as vendas mais do que duplicaram (134%) entre 2019 e 2025. Na Irlanda, o aumento verificado no ano passado foi de 11 por cento. Em Portugal, a Difusora Bíblica – principal editora da Bíblia – não regista aumentos significativos, mas garantiu ao 7MARGENS que o livro se “vende sempre bem”. O que se tem vendido muito bem é a Bíblia “não canónica” traduzida por Frederico Lourenço.

O jornal Évangeliques Info retoma uma notícia do semanário Le Point para garantir que também o mercado francês duplicou em cinco anos e em boa parte por causa de “Bíblias disponíveis em formatos que atraem o público jovem”. As vendas do livro fundamental do cristianismo rondam agora os 500 mil exemplares, mas, desde 2008, foram vendidos 700 mil exemplares da versão “manga” e desde 2011 outra versão – La Zebible –especialmente dedicada aos jovens de 15 a 25 anos, vendeu 140 mil exemplares.

Edições mais segmentadas, lembra o jornal, também estão disponíveis em várias editoras religiosas, como “a Bíblia do Surfista ou a Bíblia do Motociclista”. Na Irlanda, boa parte do crescimento do mercado é sustentado pela procura de jovens entre os 18 e os 24 anos.

Em Portugal não existem dados que permitam analisar em pormenor a procura, mas Sandra Zarro, da Difusora Bíblica, disse ao 7MARGENS que por ano a editora vende “mais de 60.000 Bíblias”. “Nos últimos 10 meses venderam-se 27.000 das editadas em tamanho normal” (21cm de altura de lombada). Da Bíblia de tamanho médio (19 cm) imprimiram-se “35.000 em 2024 e agora está a ser entregue outra encomenda com o mesmo número”. Há ainda outra versão – a edição de bolso – de que se imprimiram 15.000 exemplares em 2024.

Ainda que as principais clientes da Difusora Bíblica sejam as livrarias, as paróquias e outras instituições católicas representam uma parte importante do mercado no qual os países africanos de língua oficial portuguesa também contam, como o mostra uma recente encomenda de 2.000 Bíblias com destino a Cabo Verde.

Outro fenómeno de vendas em Portugal tem sido protagonizado pela Bíblia em seis volumes, traduzida por Frederico Lourenço. Os números concretos das vendas desta obra não foram disponibilizados em tempo útil ao 7MARGENS pela Quetzal, mas o Volume I, editado em 2018, depois de várias reedições, já vai na 2ª edição revista e aumentada. O volume VI surgiu nas livrarias no ano passado e apesar desta tradução não ser “canónica”, isto é, não ter o aval da Igreja Católica, são já várias dezenas de milhar os exemplares vendidos.

Talvez porque, como afirmou a Le Point, Christian Krieger, presidente da Federação Protestante da França: “O cristianismo parece muito menos antiquado do que no início do século XXI, e percebe-se uma sede genuína pela Bíblia.” Mas os compradores não são apenas cristãos evangélicos e católicos, são também muitos agnósticos e ateus. Como referia, a título de exemplo, o jornal francês, o ex-primeiro-ministro Bernard Cazeneuve, um agnóstico, lê a Bíblia de Jerusalém diariamente tão só porque, segundo ele, “não se pode compreender plenamente a literatura e as obras do espírito humano sem beber dessa fonte.

 

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