A inconformidade com a miséria e a pobreza, o empenho em favor dos mais necessitados e o compromisso com uma sociedade mais justa, fraterna e solidária são alguns dos principais traços do legado deixado por Eugénio Fonseca à Igreja e à sociedade portuguesa, destaca a Comissão Episcopal da Pastoral Social, numa nota divulgada esta sexta-feira, 14 de agosto.
O organismo manifesta “profundo pesar” pela morte do antigo presidente da Cáritas Portuguesa, considerando que a sua partida, na última quarta-feira, constitui “uma perda para todos nós”, e expressa “imensa gratidão” pela sua “palavra, ação e testemunho em favor dos mais carenciados”.
“Estamos perante uma personalidade incontornável da nossa Igreja em Portugal no serviço caritativo e social”, afirma a Comissão Episcopal na nota assinada pelo seu presidente, o bispo Roberto Rosmaninho Mariz, considerando que Eugénio Fonseca se afirmou também “como uma referência no seio da sociedade portuguesa”.
A nota destaca o percurso de Eugénio Fonseca na Cáritas, nomeadamente a presidência da Cáritas Portuguesa ao longo de mais de duas décadas, além da liderança da Cáritas de Setúbal. Recorda ainda a sua intervenção enquanto presidente da Confederação Portuguesa do Voluntariado, cargo que ocupava à data da sua morte.
Para a Comissão Episcopal, o testemunho de Eugénio Fonseca em favor dos necessitados “não morre nem desaparece”. O seu legado constitui, pelo contrário, “um forte impulso” para que a Igreja continue a manter-se próxima das “fragilidades que afetam as pessoas de hoje” e a assumir-se como agente na construção de uma sociedade mais fraterna.
O organismo recupera, a este propósito, três afirmações do antigo presidente da Cáritas que considera particularmente interpeladoras: “Combate deve ser à pobreza, não aos pobres”; “Temos pobreza envergonhada porque estigmatizamos os pobres, em vez de estigmatizarmos a pobreza”; e “O sistema económico e financeiro que nos orienta só valoriza o que dá lucro, põe em primeiro lugar o que tem preço”.
Recordando que a Doutrina Social da Igreja foi uma inspiração para o pensamento e a ação de Eugénio Fonseca, a Comissão Episcopal deixa um apelo à sua valorização enquanto património da Igreja, “que brota do Evangelho na leitura atenta dos ‘sinais dos tempos’ de ‘cada tempo’ sob a inspiração do Espírito Santo”.
A nota termina com um convite à participação nas cerimónias fúnebres. O féretro de Eugénio Fonseca chegará à Sé de Setúbal às 18h00 de domingo, 16 de agosto, estando marcada para segunda-feira, dia 17, às 11h30, a missa exequial, no mesmo local. No final da celebração, o cortejo fúnebre seguirá a pé até ao cemitério de Nossa Senhora da Piedade, situado nas proximidades.










