Entre 19 de setembro e 4 de outubro, várias organizações religiosas e não só promovem caminhadas pela paz nas ruas, parques e avenidas em múltiplos pontos do país e em diversos formatos: mais meditativas, mais silenciosas, ou procurando ganhar visibilidade junto dos transeuntes. Denunciar o estado de “guerra mundial aos pedaços”, o constante agravamento dos conflitos armados, as centenas de milhares de mortos e os milhões de desalojados, bem como a destruição do planeta, são algumas das razões que motivam estas descidas à rua.
Já este sábado, dia 19, terá lugar a primeira de uma série de caminhadas Passos pela PAZ 2026 em Esmoriz. Organizadas pelos grupos locais da Rede Cuidar da Casa Comum e do Movimento Laudato Si’, decorrem no fim de semana seguinte (26 e 27 de setembro) em Chaves, Sintra e Coimbra. No domingo, 4 de outubro, será a vez de descerem à rua em Aveiro, Câmara de Lobos, Castelo Branco e Lisboa.
As iniciativas Passos pela PAZ 2026 decorrem, salientam os organizadores, durante o Tempo da Criação (1 de setembro a 4 de outubro) e ligam os dois temas: caminhar pela paz e pela ecologia integral apelando à reconciliação com a criação. É assim que escrevem: “os caminhantes testemunham o seu empenho como artesãos da paz e o seu compromisso com uma economia desarmada, com novos estilos frugais, amigos do ambiente e solidários procurando que os Passos pela Paz cheguem a todos os locais de conflito e que o clamor dos esmagados pela violência da guerra ressoe por toda a criação até que a justiça rasgue as sendas da paz”.
Por outro lado, a IV Caminhada pela Paz terá lugar este domingo, 20 de setembro, em nove cidades portuguesas, de Tavira a Braga, passando pelo Funchal e Horta. Em todos os locais a caminhada decorrerá em silêncio, havendo um “momento de meditação”. “Não é uma iniciativa partidária, não é de nenhuma filiação religiosa em particular, mas pretende desafiar toda a gente a procurar uma paz interior e exterior, e isso é que é o interessante”, disse à Rádio Renascença o padre Peter Stilwell, responsável pelo Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-Religioso do Patriarcado de Lisboa.
Stilwell adiantou que a iniciativa pretende ser um “testemunho público de esperança” num contexto internacional marcado por vários conflitos armados e quando se assiste a uma crescente polarização social e, embora nem todos os participantes esperados sejam crentes, a verdade é que, segundo ele: “as várias tradições religiosas têm esta confiança e esta experiência: quando nos juntamos e meditamos ou oramos, alguma coisa muda no mundo”.
Em Lisboa, pela água e pela paz
“Pela água que dá a vida e pela paz que nos une” é o lema da Caminhada Passos pela Paz que várias organizações católicas promovem no dia 4 de outubro, dia do termo do Tempo da Criação e em que se celebram os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.
Os promotores lembram que “o tema escolhido para o Tempo da Criação (1 de setembro a 4 de outubro) deste ano é o da “água viva”. E, por isso, tal como em outras caminhadas, recordam que “a água, e a falta dela, está hoje no coração da crise ecológica e da crise social que o planeta e a humanidade vivem” e que “pela sua posse e mercantilização prolongam-se e nascem guerras que se juntam a tantas outras que assolam o nosso mundo”. Assim, “a procura e a conquista da paz são passos fundamentais para que a água chegue a todos e seja para todos, uma paz que inclua e respeite as diferenças e os direitos de cada um e de cada povo”.
A caminhada terá início pelas 16h00, partindo do Centro Comercial das Amoreiras e terminando no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Estão previstas quatro paragens com propostas de reflexão sobre aspetos singulares da relação entre a água e a paz, quer do ponto de vista da realidade concreta quer a partir das várias conotações simbólicas da água.
“Num mundo marcado por secas extremas, conflitos por recursos hídricos e pela degradação ambiental, o apelo à “água viva” é também um apelo à paz, à justiça climática, à proteção dos ecossistemas e à defesa das comunidades mais vulneráveis” escrevem as organizações que convocam esta iniciativa, entre as quais se contam a Pax Christi portuguesa, o Grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel, o Sopro, a Pastoral Penitenciária e a Rede Cuidar da Casa Comum. Todas elas convergem na afirmação de que “cuidar da água é cuidar da vida, da paz e do futuro comum da Humanidade”.










