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Caminhada pela paz organizada pelo agrupamento de escolas da Ericeira em maio de 2026. Foto AEE
Caminhada pela paz organizada pelo Agrupamento de Escolas da Ericeira em maio deste ano. Foto © AEE

Entre 19 de setembro e 4 de outubro

De Braga a Tavira, portugueses vão sair à rua para caminhar pela paz

| 17/09/2026

Entre 19 de setembro e 4 de outubro, várias organizações religiosas e não só promovem caminhadas pela paz nas ruas, parques e avenidas em múltiplos pontos do país e em diversos formatos: mais meditativas, mais silenciosas, ou procurando ganhar visibilidade junto dos transeuntes. Denunciar o estado de “guerra mundial aos pedaços”, o constante agravamento dos conflitos armados, as centenas de milhares de mortos e os milhões de desalojados, bem como a destruição do planeta, são algumas das razões que motivam estas descidas à rua.

Já este sábado, dia 19, terá lugar a primeira de uma série de caminhadas Passos pela PAZ 2026 em Esmoriz. Organizadas pelos grupos locais da Rede Cuidar da Casa Comum e do Movimento Laudato Si’, decorrem no fim de semana seguinte (26 e 27 de setembro) em Chaves, Sintra e Coimbra. No domingo, 4 de outubro, será a vez de descerem à rua em Aveiro, Câmara de Lobos, Castelo Branco e Lisboa.

As iniciativas Passos pela PAZ 2026 decorrem, salientam os organizadores, durante o Tempo da Criação (1 de setembro a 4 de outubro) e ligam os dois temas: caminhar pela paz e pela ecologia integral apelando à reconciliação com a criação. É assim que escrevem: “os caminhantes testemunham o seu empenho como artesãos da paz e o seu compromisso com uma economia desarmada, com novos estilos frugais, amigos do ambiente e solidários procurando que os Passos pela Paz cheguem a todos os locais de conflito e que o clamor dos esmagados pela violência da guerra ressoe por toda a criação até que a justiça rasgue as sendas da paz”.

Por outro lado, a IV Caminhada pela Paz terá lugar este domingo, 20 de setembro, em nove cidades portuguesas, de Tavira a Braga, passando pelo Funchal e Horta. Em todos os locais a caminhada decorrerá em silêncio, havendo um “momento de meditação”. “Não é uma iniciativa partidária, não é de nenhuma filiação religiosa em particular, mas pretende desafiar toda a gente a procurar uma paz interior e exterior, e isso é que é o interessante”, disse à Rádio Renascença o padre Peter Stilwell, responsável pelo Departamento das Relações Ecuménicas e do Diálogo Inter-Religioso do Patriarcado de Lisboa.

Stilwell adiantou que a iniciativa pretende ser um “testemunho público de esperança” num contexto internacional marcado por vários conflitos armados e quando se assiste a uma crescente polarização social e, embora nem todos os participantes esperados sejam crentes, a verdade é que, segundo ele: “as várias tradições religiosas têm esta confiança e esta experiência: quando nos juntamos e meditamos ou oramos, alguma coisa muda no mundo”.

 

Em Lisboa, pela água e pela paz

“Pela água que dá a vida e pela paz que nos une” é o lema da Caminhada Passos pela Paz que várias organizações católicas promovem no dia 4 de outubro, dia do termo do Tempo da Criação e em que se celebram os 800 anos da morte de São Francisco de Assis.

Os promotores lembram que “o tema escolhido para o Tempo da Criação (1 de setembro a 4 de outubro) deste ano é o da “água viva”.  E, por isso, tal como em outras caminhadas, recordam que “a água, e a falta dela, está hoje no coração da crise ecológica e da crise social que o planeta e a humanidade vivem” e que “pela sua posse e mercantilização prolongam-se e nascem guerras que se juntam a tantas outras que assolam o nosso mundo”. Assim, “a procura e a conquista da paz são passos fundamentais para que a água chegue a todos e seja para todos, uma paz que inclua e respeite as diferenças e os direitos de cada um e de cada povo”.

A caminhada terá início pelas 16h00, partindo do Centro Comercial das Amoreiras e terminando no jardim da Fundação Calouste Gulbenkian. Estão previstas quatro paragens com propostas de reflexão sobre aspetos singulares da relação entre a água e a paz, quer do ponto de vista da realidade concreta quer a partir das várias conotações simbólicas da água.

“Num mundo marcado por secas extremas, conflitos por recursos hídricos e pela degradação ambiental, o apelo à “água viva” é também um apelo à paz, à justiça climática, à proteção dos ecossistemas e à defesa das comunidades mais vulneráveis” escrevem as organizações que convocam esta iniciativa, entre as quais se contam a Pax Christi portuguesa, o Grupo Cuidar da Casa Comum em Santa Isabel, o Sopro, a Pastoral Penitenciária e a Rede Cuidar da Casa Comum. Todas elas convergem na afirmação de que “cuidar da água é cuidar da vida, da paz e do futuro comum da Humanidade”.

 

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