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O bispo de Fall River, D. Edgar da Cunha, presidiu este ano às celebrações do 13 de agosto no Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima

Peregrinação do migrante e do refugiado

Bispo de Fall River aconselha “transparência” no tratamento de casos de abusos

O bispo de Fall River, D. Edgar da Cunha, presidiu este ano às celebrações do 13 de agosto no Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima

O bispo de Fall River, D. Edgar da Cunha, presidiu este ano às celebrações do 13 de agosto no Santuário de Fátima. Foto © Santuário de Fátima

 

O bispo da diocese norte-americana de Fall River, D. Edgar da Cunha, disse hoje em Fátima que a resposta da Igreja aos casos de abusos de menores deve ser marcada pela “transparência”. “É um tema difícil para a Igreja, para todos enfrentarem, mas só temos a alternativa de enfrentá-lo com transparência, abertura e sinceridade”, disse aos jornalistas o religioso brasileiro, que preside à peregrinação internacional aniversária de agosto, na Cova da Iria.

As celebrações são dedicadas às comunidades migrantes e aos refugiados.

Questionado sobre o escândalo de abusos sexuais que atingiu os EUA, em particular as dioceses do Estado de Massachussets, o prelado assume que estes foram factos “deploráveis” que “destruíram a credibilidade da Igreja” e exigem muito esforço para a “restaurar”. “Houve erros no passado”, assumiu. Em resposta, assinalou D. Edgar da Cunha, foi criada uma nova estrutura que “não permite encobrir os crimes de quem quer que seja”.

Os funcionários e colaboradores das instituições católicas têm de apresentar um registo criminal limpo e assumir um código de conduta, no campo da proteção de menores, sendo treinados para “evitar e reportar sinais de abuso”. “Na nossa diocese, hoje a gente faz tudo com a maior transparência”, afirmou.

Os responsáveis entregam “imediatamente” qualquer denúncia às autoridades civis, esperando pela sua decisão sobre o caso.

Posteriormente, uma comissão aconselha o bispo, com especialistas de vários setores da sociedade, sobre a decisão a tomar. “A Igreja nos EUA, infelizmente, foi o ‘ground zero’ [zona de impacto], de onde tudo partiu, e nos últimos 20 anos tem feito muitos progressos, nesse campo”, indicou o bispo de Fall River.

O responsável destacou o sucesso das medidas implementadas para evitar novos casos de abusos, “praticamente inexistentes”. “A questão dos abusos não é uma questão da Igreja Católica, é uma questão da sociedade em geral, nas famílias, em todos os grupos e instituições”, observou.

“É preciso ser transparente, enfrentar a dor, a realidade dura do que é a história, para que possamos reconquistar e readquirir a credibilidade de que precisamos”.

O bispo de Fall River entende que a Igreja Católica teve, na sua resposta a estas casos, uma atitude “pioneira”, que estabeleceu “métodos, estruturas”, atualmente seguidos por outras instituições. “Respondemos com responsabilidade e seriedade, tornando-se um exemplo para outras instituições”, prosseguiu.

D. Edgar da Cunha, nos EUA há 44 anos, admitiu que estes casos abalaram a comunidade portuguesa, mas sublinhou que esta “permaneceu mais fiel à Igreja, não obstante tudo isso, do que outras comunidades”.

Já D. Daniel Batalha, vogal da Comissão Episcopal para a Pastoral da Mobilidade Humana e bispo auxiliar de Lisboa, presente na conferência de imprensa, foi questionado sobre as notícias das últimas semanas, sobre casos de abusos sexuais na Igreja Católica em Portugal. “São circunstâncias que a todos nos doem”, assumiu.

O responsável falou, em especial, das acusações contra o cardeal-patriarca, destacando o “cuidado quotidiano” de D. Manuel Clemente com esta questão, preocupado por “ir ao encontro, para ajudar, para escutar”.

O bispo auxiliar recordou que o Patriarcado de Lisboa foi a primeira a criar uma Comissão de Proteção de Menores. “Há este esforço na Diocese de Lisboa e sei que em todas as dioceses de Portugal”, prosseguiu.

D. Daniel Batalha desejou ainda que outras instituições, possam “ir criando este cuidado, para que estas situações não aconteçam”. “A Igreja tem sido primeira a ser castigada, se calhar justamente, também, até porque se espera muito dela, em termos de irrepreensibilidade, acima de tudo dos sacerdotes, mas também tenho a esperança de que isto possa criar um bom tsunami social”, declarou.

O responsável católico pediu ainda uma aposta no “acompanhamento das famílias, quer na prevenção quer na denúncia” de eventuais abusos sexuais.

Ainda hoje, foi a vez da Associação dos Juristas Católicos sair em defesa de D. Manuel Clemente, manifestando a sua “plena confiança” no cardeal-patriarca de Lisboa, sustentando que D. Manuel Clemente tem tido um comportamento “irrepreensível” na resposta a casos de abusos sexuais que teve de gerir. “Tendo a atuação do senhor patriarca sido irrepreensível à luz das leis civis e canónicas, sendo o seu empenho notório na erradicação do mal objetivo dos abusos, as insinuações ferem pela sua injustiça e por confundirem, em lugar de contribuir para o apuramento da Verdade”, refere uma nota da AJC, enviada hoje ao 7MARGENS.

 

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