
Matteo Piantedosi (esqª), novo ministro do Interior de Itália, ao tomar posse diante do Presidente Sergio Mattarella e da primeira-ministra Giorgia Meloni, no palácio do Quirinale, a 22 de Outubro de 2022. Foto © Presidência da República Italiana/Wikimedia Commons.
O novo Governo de Itália já começou a dar sinais da sua política relativamente à imigração. Ainda mal sentado no seu posto, Matteo Piantedosi, que é o novo ministro do Interior, já disse que pode impedir o desembarque de migrantes que demandem os portos italianos em barcos estrangeiros.
Em causa estão, neste momento, duas embarcações de organizações não governamentais que navegam no Mediterrâneo central, a Ocean Viking, de bandeira alemã, e a Humanity 1, de bandeira norueguesa, que estão com cerca de duas centenas e meia de pessoas a bordo, recolhidas quando faziam a travessia para norte, na mira de chegarem a um país do sul da Europa, em condições de manifesto risco.
O ministro do Interior enviou o recado aos dois navios: “Se os migrantes estiverem em navios estrangeiros, o desembarque na Itália pode ser proibido”, avisou, em entrevista ao jornal La Stampa. Para ele, os barcos são “território” dos países cuja bandeira arvoram, pelo que “é um problema deles”.
Esta posição foi, entretanto, reforçada também pelo novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Antonio Tajani.
Matteo Piantedosi recorreu à sua experiência de ex-presidente da Câmara de Roma para argumentar: “Enquanto esses pobres estão nos navios todos se comovem. Assim que desembarcam todos desviam o olhar. Quem fala em integração, papel dos municípios e do Estado, não sabe do que está a falar. Como? Quem? Com que dinheiro? Vi pessoas em Roma que desembarcaram há dois, três, quatro anos, pediram asilo e agora são atiradas para a rua sem esperança.”
Comentando este início do ministro do Interior, o jornal católico Avvenire foi duro: na sua primeira iniciativa oficial, Piantedosi atirou “num alvo errado”: dois navios de ONG empenhados em evitar tragédias no Mediterrâneo.
“Vamos voltar à propaganda e à estratégia desumana dos ‘portos fechados’? Aqueles que ajudam pessoas em risco de vida vão voltar para o banco dos réus?”, interroga-se o jornal.
Rebatendo a visão do novo Governo de que as ONG é que seriam “o problema”, na medida em que se converteriam em “fator de atração de migrantes”, o diário italiano cita dados, precisamente do Ministério do Interior, de agosto passado, que indicam que, dos migrantes que chegaram ao país, 53 por cento desembarcaram autonomamente, 47 por cento foram socorridas e, destas, apenas 16% por navios humanitários.
Questionando também afirmações de Piantedosi seguindo as quais a conduta das ONGs não estaria “em conformidade com o espírito das normas europeias”, o Avvenire ressalta que foi com base nessas regras que, em 1 de agosto passado, o Tribunal Europeu de Justiça, deliberou “a obrigação fundamental de prestar assistência a pessoas em perigo ou em dificuldade no mar”, condenando o bloqueio de dois navios nos portos sicilianos no verão de 2020.
(Este texto recorre ainda a informações de Il Tempo, Agenzia Nova e Il Giornale.)









