
“Quem fica sentado à espera, não imagine que as soluções caem do céu.” Manifestação Hong Kong. Democracia. Agosto 2019. Foto VOA / Wikimedia Commons
O mundo inteiro, como venho dizendo, cada vez mais vem defendendo o lucro fácil passando por cima dos valores democráticos, pisando os homens e criando uma sociedade profundamente egoísta ao contrário do espírito do 25 de Abril.
Na Rússia, Putin dá o mote, a China já vem de longe, no Brasil esteve Bolsonaro, Trump nos EUA; a senhora Le Pen em França, Meloni e Salvini na Itália, Vox na Espanha e em Portugal – adivinhem…
É esta Europa que Mário Soares defendia? Claro que muito a sociedade mundial progrediu, mas nós temos mais ambição. Como é possível o Conselho de Segurança com direito de veto da China, Rússia, EUA, França e Reino Unido? Como é possível caminharmos para o suicídio mundial, sem contermos a poluição atmosférica? E aqui o egoísmo não se apercebe que não ficará ninguém vivo, nem os que promovem essa estratégia.
Sou do tempo em que se festejava o 25 de Abril em cada rua.
Em Portugal e noutros países que nos tentaram copiar, como por exemplo na Espanha, havia a grande esperança do que se apregoava: “O povo unido nunca mais será vencido.” Mas nunca tenhamos a ilusão de que a democracia e a solidariedade humana só serão duráveis se as não vigiarmos.
Mas a luta pelos valores humanos não é só difícil de manter na política, mas também nas religiões. Veja-se o que os que vivem das benesses do Vaticano, lutam por mantê-las no pós-Concílio Vaticano II.
A célebre pergunta sobre se os irmãos se dão bem – “Já fizeram partilhas?” – parece fechar o circuito do egoísmo.
A corrução atingiu a sociedade mundial, os partidos políticos estão hoje reféns de quem os “compra”, como até a maçonaria.
O Papa Francisco tem lutado com grande coragem a defender os valores humanos e é um bom exemplo do que todos, em todo o mundo, temos de fazer. Entre nós também muitos lutaram e lutam por valores humanos; é preciso não termos medo; uma vez que conquistámos a liberdade, saibamos utilizá-la. Estamos cada vez mais à beira do abismo da fome total.
Quem fica sentado à espera, não imagine que as soluções caem do céu. Espero que o Serviço Nacional de Saúde saia das ambiguidades, o problema dos professores se resolva bem como da habitação, do crescimento da economia, única maneira de acabarmos com baixos salários. E acabe-se com a proteção dos que compram a política.
Francisco Crespo é médico.










