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O que esperamos do sinodo_7 margens_António Cardoso Ferreira

Que espero do Sínodo católico? (17)

Aprender a percorrer caminhos de sinodalidade

O 7MARGENS acompanha os trabalhos da Assembleia-Geral do Sínodo dos Bispos sobre a Sinodalidade, divulgando as expectativas dos seus leitores sobre este importante acontecimento (ver textos já publicados aqui ).

O que esperamos do sinodo_7 margens

 

Embora com atraso na escrita prometida, consegui finalmente alinhavar algumas ideias, partindo da Jornada Mundial da Juventude e dos caminhos da sinodalidade.

Quero também lembrar que por estes dias vivi com entusiasmo a participação no acolhimento de dois jovens noruegueses e acompanhei intensamente tudo o que  foi acontecendo durante a visita do Papa Francisco a Portugal.

Li, entretanto, alguns textos publicados no 7 MARGENS, que subscrevo inteiramente, como o da Rita Reino Assunção e o do Jorge Paulo.

Entre leituras, reflexões e repetições, fui desembocar no problema do desfasamento entre as práticas de oração que chamaria “tradicionais” e  o meu desejo de conversa com Deus. Na paróquia, aquelas orações estão integradas numa hora de adoração, com cânticos, ladainhas e recitação de terços, mas não satisfazem a minha necessidade de uma oração, em silêncio ou partilhada, dando graças, apelando à Paz, ou meditando a partir de um texto que foi lido, escutado e partilhado, fazendo despertar algo de novo, nessa conversa entre nós e Deus.

Já vivi algum tempo em diferentes locais, desde o Minho, às Beiras e ao Alentejo, mas quase sempre os rituais se repetem, mais ou menos da mesma forma.

Ultimamente, enquanto participante na Rede Cuidar da Casa Comum /Foco de Conversão Ecológica de Envendos, tenho procurado que façamos momentos de oração a partir de textos poéticos (o cónego António Rêgo tem um livro muito interessante nesta área —O Eterno Agora). Penso que poderemos dinamizar um pequeno grupo com quem consigamos juntos aprender a percorrer caminhos de sinodalidade, alargando horizontes e consolidando o fluxo do amor entre nós e com quem quiser entrar.

Por outro lado, a vida de cada paróquia precisa de ser animada e partilhada como uma comunidade, sem se limitar apenas à administração financeira e burocrática. Podem-se construir pontes entre o pároco e dois ou mais grupos com iniciativas conjuntas para dar vida a formas de oração, a práticas sociais, ou outras, conforme a sua dinâmica. A existência de uma equipa coordenadora, composta por representantes de cada grupo, que assuma partilhar as situações de risco social, colaborar no apoio às famílias mais necessitadas e animar iniciativas que fortaleçam a vida comunitária paroquial pode constituir um importante caminho a percorrer. A participação dos paroquianos em geral nas decisões a tomar e na preparação de momentos de oração partilhada, nomeadamente no espaço da Oração dos Fiéis, ou no momento do ofertório, pode permitir formas de exprimir a nossa relação como comunidade.

Com uma dinâmica paroquial e interparoquial, os párocos também não ficarão tão isolados nas suas múltiplas funções e a comunidade paroquial terá mais vida, mais partilha e mais alegria.

Que equipas paroquiais se querem disponibilizar para contar a sua história de vida?

 

António Cardoso Ferreira é médico

 

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