
Francisco confidencia que o seu “coração está dilacerado” pelo “poder de tanta divisão e de tanto ódio”, em particular depois de ter recebido recebido “numerosas mensagens e cartas” de “amigos e organizações judaicas de todo o mundo”. Foto © Vatican Media
Numa carta pública dirigida aos seus “irmãos e irmãs judeus em Israel”, o Papa expressou consternação com “o terrível aumento de ataques contra judeus em todo o mundo”, registado na sequência do conflito Israel-Palestina. Divulgada no passado sábado, 3 de fevereiro, depois de ter recebido em audiência privada o embaixador de Israel junto da Santa Sé, a missiva de Francisco responde a um apelo feito em novembro por cerca de 400 rabinos e académicos, para que a Igreja Católica atuasse “como um farol de clareza moral e conceptual no meio de um oceano de desinformação, distorção, e engano”.
“O caminho que a Igreja percorreu convosco, antigo povo da Aliança, rejeita todas as formas de antijudaísmo e antissemitismo, condenando inequivocamente as manifestações de ódio contra os judeus e o judaísmo como um pecado contra Deus”, começa por esclarecer Francisco na sua mensagem, para logo depois assegurar: “Juntamente convosco, nós, católicos, estamos muito preocupados com o terrível aumento dos ataques contra os judeus em todo o mundo. Esperávamos que ‘nunca mais’ fosse um refrão ouvido pelas novas gerações, mas agora vemos que o caminho a seguir requer uma colaboração cada vez mais estreita para erradicar estes fenómenos”, lamenta o Papa.
Referindo-se à “espiral de violência sem precedentes” em que a “Terra Santa foi precipitada desde 7 de outubro”, Francisco confidencia que o seu “coração está dilacerado” pelo “poder de tanta divisão e de tanto ódio”, em particular depois de ter recebido recebido “numerosas mensagens e cartas” de “amigos e organizações judaicas de todo o mundo”, a quem diz querer – com esta sua carta pública – abraçar, sobretudo “aqueles que estão consumidos pela angústia, pela dor, pelo medo e pelo ódio”.
Como o 7MARGENS noticiou na semana passada, durante o ano de 2023 foram registados quase o quádruplo de atos antissemitas que se verificaram no ano anterior em França, muitos deles em contexto escolar. Um relatório do Conselho Representativo das Instituições Judaicas de França (CRIF), divulgado na quarta-feira, 24 de janeiro, notou um total de 1 676 atos, com a organização a lamentar uma “explosão” de incidentes após o 7 de outubro de 2023 – dia dos ataques do Hamas contra Israel e que terá sido um “catalisador do ódio”.









