AGENDA

SOBRE NÓS

ASSINAR

APOIAR

O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara. Imagens captadas numa cerimónia transmitida nas redes sociais.

Surpresa em Sófia

Ortodoxos búlgaros elegem patriarca ‘pró-Moscovo’

| 30/06/2024

O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara. Imagens captadas numa cerimónia transmitida nas redes sociais.

O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara. Imagens captadas numa cerimónia transmitida nas redes sociais.

O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi este domingo eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara (IOB), passando a ser também ipso facto metropolita de Sofia, a diocese da capital do país.  O resultado poderá ter surpreendido muita gente, a começar pela própria IOB, que revelou neste processo uma falta de sintonia entre o seu Sínodo e o sentir dos representantes das ‘bases’.

A eleição teve lugar de manhã e foi anunciada ao princípio da tarde, desencadeando o repicar dos sinos por 30 minutos. Seguiu-se, à tarde, a cerimónia de investidura, perante representantes de mais de uma dezena de igrejas ortodoxas de outros países, entre os quais o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, e o presidente e a vice-presidente da Bulgária.

A escolha de Daniel foi feita por um Conselho Eleitoral Patriarcal da IOB, composto por bispos, padres e leigos, incluindo representantes das dioceses, dos mosteiros e das escolas teológicas, num total de perto de 140 participantes com direito a voto. 

Como o 7MARGENS informou, a votação fez-se a partir de uma lista de três metropolitas, elaborada pelo Santo Sínodo, na qual figuravam também os nomes dos metropolitas Gregório de Vratsa e de  Gabriel Lovchanski. Nas votações para chegar a essa lista, Gregório foi eleito à primeira volta e Daniel à 32ª. Na votação deste domingo, Gregório voltou a ganhar na primeira volta, que se destinava a apurar os dois mais votados, caso não se registasse logo um nome com dois terços dos votos. No final o eleito viria a obter 69 votos e o segundo 66, tendo-se registado três votos nulos, o que significa uma vitória “à justa”, uma maioria simples pelo menor resultado possível.

O novo patriarca é relativamente jovem e teve um percurso meteórico na hierarquia da Igreja Ortodoxa Búlgara. Nasceu em 1972 e fez a sua graduação universitária na Academia Teológica de Sófia em 2002, sendo monge desde 1999. Foi ordenado diácono também em 1999 e presbítero em 2004. No início de janeiro de 2008 foi ordenado bispo, prestando serviço em duas dioceses, numa como titular e noutra como auxiliar. Seguiram-se oito anos de ministério episcopal da IOB nos Estados Unidos da América, como auxiliar, ano em que regressaria à Bulgária, por ter sido eleito metropolita de Vidin. Em Sófia sucede ao Patriarca Neófito, falecido em março último.

Segundo várias fontes e meios de comunicação, o novo Patriarca da Bulgária é reconhecidamente um russófilo e amigo do Patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa. Depois da invasão da Ucrânia, colocou-se ao lado de Putin, menosprezando a destruição e os crimes de guerra e defendendo que a Ucrânia é uma criação de Lenine e que este país foi quem provocou a invasão.

Quando, em 2023, as autoridades búlgaras encerraram a Igreja Russa em Sófia e expulsaram três clérigos russos a ela ligados, acusando-os de espionagem, Daniel reagiu vigorosamente, lembrando que “os preconceitos políticos, os partidos, as ideologias, as alianças políticas, as coligações passarão”. 

Em anos anteriores, este hierarca insurgiu-se contra o papel do Patriarca Ecuménico, ao reconhecer e apoiar a autocefalia da igreja ortodoxa ucraniana que se afastou da tradicional, vinculada ao Patriarcado de Moscovo. Esta posição foi de novo vincada numa entrevista que deu na última segunda-feira à Rádio Bulgária.

Sendo verdade que o lugar de Patriarca é de representação externa e de presidência do Sínodo, não dando ao seu titular uma posição de superioridade hierárquica sobre os restantes metropolitas, muito poderá depender do estilo de múnus pastoral do agora eleito e dos desenvolvimentos das tensões na sociedade e na Igreja búlgaras, relativamente à relação com a Rússia e com o Ocidente e ao problema ucraniano.

 

Últimas Notícias

Últimas Notícias

Bispos portugueses debatem crise da habitação, processo sinodal e proteção de menores

Reunidos em Fátima na próxima semana

Bispos portugueses debatem crise da habitação, processo sinodal e proteção de menores novidade

A crise da habitação e as condições de vida dos portugueses vão estar entre os temas de reflexão da 216.ª Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), que arranca na próxima segunda-feira, 9 de novembro, em Fátima. Os trabalhos incluem ainda o ponto da situação do processo sinodal, a definição de uma nova fase do processo de proteção de menores e adultos vulneráveis e uma reflexão na sequência do encontro de outubro, em Roma, sobre a exortação apostólica Amoris laetitia.

Entre a linguagem do púlpito e a ‘voz’ da sacristia

Imprensa católica no PREC

Entre a linguagem do púlpito e a ‘voz’ da sacristia novidade

A comunicação social originou os maiores confrontos, durante e após o PREC, entre a hierarquia da Igreja Católica e vários Governos. Mas nem sempre por causa dos jornais diocesanos e dos boletins paroquiais que foram a sua voz mais dileta – sustentou o jornalista e investigador Alexandre Manuel na sua intervenção no colóquio Liberdade de imprensa: revolução e democracia em Portugal, organizado pelo Centro de Estudos de História Religiosa em parceria com o 7MARGENS.

Missão aMar em Porto Belo: agindo Deus, quem impedirá?

[Testemunho]

Missão aMar em Porto Belo: agindo Deus, quem impedirá? novidade

Ultrapassando os receios e as dificuldades logísticas e financeiras, fomos preparando a missão e finalmente pudemos partir para o Brasil no dia 24 agosto, para continuar a servir e a pescar. Sim, em certo sentido, também somos “pescadores de homens” como o nosso patrono São Pedro, e fomos impelidos pela urgência do apelo de Jesus “vai e reconstrói a Minha Igreja”, dirigido a São Francisco de Assis e a todos nós, que somos a Igreja. [Testemunho do padre Tiago Fonseca]

Que propósito último, enquanto Humanidade, devemos perseguir?

[Entre Margens]

Que propósito último, enquanto Humanidade, devemos perseguir? novidade

Sem prejuízo dos propósitos particulares que, em liberdade, cada ser humano tem direito a perseguir, julgo que há propósitos comuns que têm a ver, desde logo, com a preservação dessa mesma liberdade. Se há um ou mais propósitos comuns à espécie, eles têm a ver, precisamente, com aquilo que torna a vida do ser humano, não apenas possível, mas significativa e com sentido. [Texto de Rúben Azevedo].

7MARGENS é um jornal digital
de Religiões, Espiritualidades e Culturas

Propriedade de Associação Porta 18 [ACSFL]
R. da Páscoa, 12 – R/C Dtº – 1250-179 Lisboa | NIPC: 514 876 905
Redação Lisboa: Largo da Luz, 11, 1600-764 LISBOA
IBAN: PT50 0035 0675 0004 6941 7308 1 (CGD)

O 7MARGENS aceita e incentiva a colaboração escrita, em vídeo ou audio dos seus leitores.
Reserva-se o direito de os difundir ou não e aconselha que os textos não excedam os 4.000 caracteres.