
O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara. Imagens captadas numa cerimónia transmitida nas redes sociais.
O bispo Daniel Nikolov, até agora metropolita de Vidin, foi este domingo eleito como novo Patriarca da Igreja Ortodoxa Búlgara (IOB), passando a ser também ipso facto metropolita de Sofia, a diocese da capital do país. O resultado poderá ter surpreendido muita gente, a começar pela própria IOB, que revelou neste processo uma falta de sintonia entre o seu Sínodo e o sentir dos representantes das ‘bases’.
A eleição teve lugar de manhã e foi anunciada ao princípio da tarde, desencadeando o repicar dos sinos por 30 minutos. Seguiu-se, à tarde, a cerimónia de investidura, perante representantes de mais de uma dezena de igrejas ortodoxas de outros países, entre os quais o Patriarca Ecuménico Bartolomeu I, e o presidente e a vice-presidente da Bulgária.
A escolha de Daniel foi feita por um Conselho Eleitoral Patriarcal da IOB, composto por bispos, padres e leigos, incluindo representantes das dioceses, dos mosteiros e das escolas teológicas, num total de perto de 140 participantes com direito a voto.
Como o 7MARGENS informou, a votação fez-se a partir de uma lista de três metropolitas, elaborada pelo Santo Sínodo, na qual figuravam também os nomes dos metropolitas Gregório de Vratsa e de Gabriel Lovchanski. Nas votações para chegar a essa lista, Gregório foi eleito à primeira volta e Daniel à 32ª. Na votação deste domingo, Gregório voltou a ganhar na primeira volta, que se destinava a apurar os dois mais votados, caso não se registasse logo um nome com dois terços dos votos. No final o eleito viria a obter 69 votos e o segundo 66, tendo-se registado três votos nulos, o que significa uma vitória “à justa”, uma maioria simples pelo menor resultado possível.
O novo patriarca é relativamente jovem e teve um percurso meteórico na hierarquia da Igreja Ortodoxa Búlgara. Nasceu em 1972 e fez a sua graduação universitária na Academia Teológica de Sófia em 2002, sendo monge desde 1999. Foi ordenado diácono também em 1999 e presbítero em 2004. No início de janeiro de 2008 foi ordenado bispo, prestando serviço em duas dioceses, numa como titular e noutra como auxiliar. Seguiram-se oito anos de ministério episcopal da IOB nos Estados Unidos da América, como auxiliar, ano em que regressaria à Bulgária, por ter sido eleito metropolita de Vidin. Em Sófia sucede ao Patriarca Neófito, falecido em março último.
Segundo várias fontes e meios de comunicação, o novo Patriarca da Bulgária é reconhecidamente um russófilo e amigo do Patriarcado de Moscovo da Igreja Ortodoxa Russa. Depois da invasão da Ucrânia, colocou-se ao lado de Putin, menosprezando a destruição e os crimes de guerra e defendendo que a Ucrânia é uma criação de Lenine e que este país foi quem provocou a invasão.
Quando, em 2023, as autoridades búlgaras encerraram a Igreja Russa em Sófia e expulsaram três clérigos russos a ela ligados, acusando-os de espionagem, Daniel reagiu vigorosamente, lembrando que “os preconceitos políticos, os partidos, as ideologias, as alianças políticas, as coligações passarão”.
Em anos anteriores, este hierarca insurgiu-se contra o papel do Patriarca Ecuménico, ao reconhecer e apoiar a autocefalia da igreja ortodoxa ucraniana que se afastou da tradicional, vinculada ao Patriarcado de Moscovo. Esta posição foi de novo vincada numa entrevista que deu na última segunda-feira à Rádio Bulgária.
Sendo verdade que o lugar de Patriarca é de representação externa e de presidência do Sínodo, não dando ao seu titular uma posição de superioridade hierárquica sobre os restantes metropolitas, muito poderá depender do estilo de múnus pastoral do agora eleito e dos desenvolvimentos das tensões na sociedade e na Igreja búlgaras, relativamente à relação com a Rússia e com o Ocidente e ao problema ucraniano.








