
Tudo indica que será o metropolita Gregório de Vratsa a vencer a eleição do próximo domingo. Foto © BNT
Três metropolitas foram escolhidos como “finalistas” na eleição do próximo Patriarca da Igreja Ortodoxa da Bulgária (IOB), que se realiza neste domingo, 30 de junho, em Sófia, a capital. Aparentemente, os nomes pró-Patriarcado de Moscovo tiveram votações difíceis e baixas.
Os três nomes, escolhidos pelo Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa Búlgara no último dia 20, serão agora apresentados ao Conselho Eleitoral Patriarcal como candidatos à eleição de um novo patriarca. Os requisitos da eleição, feita por voto secreto, exigiam que, de entre os bispos diocesanos metropolitas, só pudessem ser considerados os que tivessem mais de 50 anos e se encontrassem a exercer o múnus pastoral há pelo menos cinco anos. Em qualquer dos casos, cada nome teria de reunir dois terços dos votos dos 14 bispos sinodais votantes.
O processo de escolha teve início às 9 horas do último dia 20 e só terminou no final do dia, o que dá bem a ideia da dificuldade de encontrar nomes que reunissem os dois terços dos votos. De facto, segundo um comunicado do Sínodo, divulgado pela agência noticiosa estatal BTA, enquanto um dos nomes – o do metropolita Gregório de Vratsa – foi facilmente eleito logo na primeira volta, os outros dois só o conseguiram à 32ª e à 42ª, respetivamente. Mas estes dois foram incluídos na lista final ao obterem 9 votos dos 14 possíveis, o que não chega aos dois terços exigidos.
Isto leva alguns observadores que têm acompanhado este processo da eleição do novo Patriarca da Bulgária (e que é também, por inerência, metropolita de Sófia) a considerar bastante provável que o metropolita Gregório venha a ser escolhido para ocupar o que os ortodoxos designam por “trono patriarcal”.
Os dois metropolitas que foram incluídos na lista depois de dezenas voltas são considerados próximos do Patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa. Em contrapartida, o metropolita Gregório esteve já a gerir, por escolha unânime dos seus pares, os destinos do patriarcado da Bulgária depois da morte do seu titular, em março último, e a conduzir o processo de transição. No exercício dessas funções e em nome do Santo Sínodo da IOB, dirigiu um convite ao Patriarca Bartolomeu, de Constantinopla, para que estivesse presente na votação do próximo domingo e na “entronização” que decorrerá logo a seguir. Bartolomeu encabeça, de facto, a lista dos convidados e será recebido em Sófia com as honras correspondentes.
As ligações entre a Igreja Ortodoxa Búlgara e Constantinopla remontam ao século IX, ainda que, nos últimos 150 anos, as vicissitudes históricas tenham feito com que a influência do Patriarcado de Moscovo se tenha fortalecido. Depois da queda do regime soviético, o país quis abrir-se ao Ocidente, mas a IOB manteve relações importantes com a Igreja russa. Aparentemente, o nome que mais se perfila para dirigir esta Igreja autocéfala pode representar uma aproximação ao Patriarcado Ecuménico de Constantinopla e, ao mesmo tempo, conseguir ser um fator de unidade interna.









