A tarefa do Santo Sínodo da Igreja Ortodoxa da Geórgia (IOG) de escolher o sucessor do Patriarca Ilia II deu esta terça-feira, 28 de abril, um passo decisivo e eloquente, ao votar a terna (lista de três nomes, designada Triprosopon) da qual sairá o novo titular do “trono patriarcal”.
A votação, que decorreu em Tbilisi, selecionou o metropolita Shio Mujiri de Senaki e Chkhorotsku, que recebeu 20 votos, o metropolita Job de Ruisi e Urbnisi e o metropolita Gregorio de Poti e Khobi, os quais receberam sete votos cada um. Como o Sínodo é composto por 39 hierarcas e um esteve ausente por doença, deduz-se que os restantes votos tenham sido distribuídos por outros candidatos.
Nos critérios seguidos para a escolha há um limite de idade (entre 40 e 70 anos, inclusive). Além disso, ele deve ser monge, ter nacionalidade georgiana, ter formação teológica superior e possuir experiência bastante em administração eclesiástica.
A presença do candidato mais sufragado na terna era já dada como certa, visto que ocupava o cargo de Locum tenens desde 2017, para o qual foi escolhido pelo Patriarca, num gesto que surpreendeu muitos, dado ser um hierarca relativamente discreto. Já os outros dois nomes não eram sequer os mais referidos nos meios eclesiásticos georgianos.
O locum tenens é o metropolita a quem cabe dirigir provisoriamente a IOG durante o período de vacância que se abre com a morte do patriarca vigente, sendo responsável pelo desencadear do processo eleitoral do titular seguinte. Mas como, neste caso, o patriarca Ilia estava com idade avançada, Shio Mujiri acabou por ser um assessor importante na gestão dos assuntos do patriarcado.
O preferido da Rússia
Mas quem é afinal o metropolita Shio Mujiri? Nasceu em Tbilisi, há 57 anos, no tempo em que a Georgia era uma república soviética. Fez os seus estudos superiores teológicos em Moscovo e foi ordenado padre em 1996 e sagrado bispo de Senaki e Chkhorotsku em 2003. Antes de se tornar o locum tenens, desempenhou durante vários anos funções de acompanhamento de paróquias de comunidades ortodoxas georgianas na Austrália e na Nova Zelândia.
Quanto aos outros dois nomes da terna, informações do sítio Orthodox Times indicam que o metropolita Job, é considerado um hierarca conservador, não particularmente simpático à Rússia (terá apoiado o rompimento da comunhão com o Patriarcado de Moscovo), mas “bastante fervoroso e inclinado a interpretações proféticas”. O metropolita Gregório é descrito como um hierarca moderado e de sólida formação académica, cujas posições não são muito conhecidas, mas aberto a relações com o Patriarcado de Constantinopla.
O dia em que o Santo Sínodo, reunido em assembleia alargada, procederá à eleição final não foi ainda anunciado, mas, segundo as regras em vigor, terá de ocorrer até 17 de maio, quando se completam dois meses sobre a morte do anterior patriarca.
Ainda segundo o Orthodox Times, fontes na Geórgia indicam que a Rússia terá, neste tempo de transição, procurado “desempenhar um papel na sucessão”, enquanto o governo autoritário do país terá mesmo expressado a sua preferência por Shio Mujiri.
Nos média religiosos e civis, o tema desta eleição tem suscitado atenção e comentários, cruzando-se as insinuações de interferências no processo, quer internas ao espaço ortodoxo quer externas. Alguns hierarcas, no entanto, contestaram esses posicionamentos, assegurando que eles não seriam tidos em consideração, no momento de discernir sobre os nomes a escolher. Será expectável que, perante a lista dos três nomes agora conhecida, essas movimentações e tomadas de posição se agudizem, até ao momento da decisão final.










