
“De um modo geral, o imigrante típico caracteriza-se por uma especial capacidade de trabalho, poupança e dedicação à família, o que contrasta em absoluto com uma maior tendência para a delinquência”, afirma a Comissão Nacional Justiça e Paz. Foto © Associação MEERU
Querendo fazer face às cada vez mais “vozes hostis aos imigrantes” que se vão ouvindo “em Portugal e noutros países”, a Comissão Nacional Justiça e Paz acaba de divulgar uma nota em que sublinha “a imprescindibilidade de trabalhadores imigrantes em vários setores da atividade económica em Portugal” e “o bem que migrações legais, ordenadas e seguras podem trazer às sociedade de origem e destino dos imigrantes”.
Ao mesmo tempo, o organismo laical da Igreja Católica desmistifica ideias erradas que existem em torno do fenómeno migratório: “Ao contrário do que muitas vezes se propala, o incremento da imigração que Portugal conheceu nos últimos anos não se traduziu num incremento da criminalidade. De um modo geral, o imigrante típico caracteriza-se por uma especial capacidade de trabalho, poupança e dedicação à família, o que contrasta em absoluto com uma maior tendência para a delinquência”, pode ler-se na nota enviada ao 7MARGENS nesta terça-feira, 17 de setembro.
E acrescenta: “Há quem tema o choque que possa resultar do encontro com imigrantes de culturas diferentes da nossa. Sendo certo que a maior parte dos imigrantes que chegam até nós partilham a nossa língua e, nessa medida, nos são culturalmente próximos, também o Papa tem sublinhado como o diálogo de culturas se traduz num enriquecimento recíproco”.
Salvaguardando que “não podemos limitar-nos, egoisticamente, a atender ao bem que os imigrantes podem trazer ao nosso país, esquecendo o bem que as migrações podem representar para eles próprios e para os seus países de origem”, a Comissão Nacional Justiça e Paz defende que “há que encarar as migrações na perspetiva da justiça social, à luz do princípio do destino universal dos bens”. E cita o Papa Francisco, quando na encíclica Fratelli tutti afirma que “cada nação é co-responsável pelo desenvolvimento de todas as pessoas, o que pode traduzir-se de dois modos, que não se excluem mutuamente: no acolhimento de imigrantes e no contributo para o desenvolvimento dos países de origem destes”.
E conclui: “Deverá continuar a ser sempre para nós motivo de orgulho patriótico e de alegria que os imigrantes queiram viver em Portugal por ser um país acolhedor onde se sentem em casa. Deverá ser motivo de vergonha e de tristeza que aqui se sintam hostilizados e vítimas de discriminação e injustiça”.









